BAMAKO, 26/01/2007 – Há um ano, IPS entrevistou um grupo representativo da população de Mali com o fim de saber as expectativas dele do Foro Social Mundial realizado em Bamako em 2006. Alguns dos entrevistados mostraram se cépticos sobre a possibiliadade da reunião causar mudanças económicas e políticas. Outros entrevistados tinham esperança. Que foi destas expectativas? A Barry Aminata Touré da Coalição para a Dívida e o Desenvolvimento foi muito otimista antes do foro em Mali (veja FORO SOCIAL MUNDIAL: Cinísmo e Esperança Perante o Encontro de Bamako)e ela não foi desiludida.
“O foro policéntrico de Bamako foi um grande sucesso para nós porque reforçou a criação de redes e colaboração entre os movimentos africanos diferentes”, disse a Aminata Touré, que é o presidente da coalição, uma organização não governamental baseada em Bamako.
O Mamadou Goita, um dos três coordenadores no Comité Organizador Nacional do FSM em Mali, tinha a mesma opinião.
“Ao nivel pessoal, o foro de Bamako deu me a ocasião de alargar a minha rede de contactos. Desde o foro eu recibo convites de toda a parte do continente, a participar nas campanhas para a educação alternativa contra a dívida, e nos Acordos da Cooperação Económica…” disse ele a IPS, acrescendo que o sucesso do foro em Bamako foi devido a qualidade do debate nele.
Os Acordos da Cooperação Económica (ACEs) devem entrar em rigor no início de 2008 para que o comércio entre aUnião Europeia e o Grupo dos Estados Africanos, Caraíbas e Pacíficos (ACP) seja compativel com ás regras da Organização Mundial do Comércio. Os EPAs exigem que os bens tenham acesso aos mercados nos países ACP, alguns dos quais receiam que não resistirão a concorrência dos bens importados.
O Traoré Oumou Touré, o secretário executivo das Associações Coordenadas da Mulher e das Organizações Não Governamentais de Mali, também falou da perspectiva internacional do FSM.
“O foro mostrou nos como ativistas que em toda a parte da África e no mundo, temos os mesmos problemas. Somos na maioria como mulheres mas somos marginalizadas, subrepresentadas e excluídas,” disse ela
Nas suas preparações para o foro de Bamako, a Oumou Touré disse que o mais difícil para a sua organização foi conseguir ter “uma maior participação da mulher nesta luta (contra a marginalização) – e sobre tudo, mostrar que toda a mulher deve participar nos assuntos mundiais e não apenas se submeter a eles.”
Ao refletir no encontro, ela reparou que a principal lição tirada deste foro foi “ a realização de que a realidade de melhores condições só pode ser atijida no contexto da sinergia de ação,e na constância na luta.”
O Sékou Berthé, um agricultor a pequena escala de Mali que participou no FSM de Bamako tirou uma lição diferente.
“No início, não sabiamos que com a introdução dos OGMs (organismos geneticamente modificados), iamos perder a nossa soberania alimetar e estar mais dependentes das empresas ocidentais,” disse a IPS. “O foro abriu nos os olhos.”
Para o Nouhoum Kéita, um ativista maliano, o FSM de 2006 sublinhou o que já sabia. “O foro reafirmou a minha convicção de continuar a lutar e mostrar que os argumentos que propomos sobre as políticas neoliberais, a militarização das relações internacionais e o bloqueamento de qualquer possibilidade do desenvolvimento indepente, são legítimos.”
Contudo, um bom número de malianos que gostaria de reviver o sucesso deste foro pode não conseguir participar no de 2007 no capital Queniano de Nairobi, previsto para o 20-25 de Janeiro.
“O Foro Social Mundial de Nairobo, será difícil em termos de problemas com a mobilização, o custo do bilhete de avião — 800,000 francos CFA (cerca de 1,600 doláres) – e os vistos,” disse Aminata Touré a IPS.
Outras pessoas têm as mesmas preocupações. “Nairobi deve ser uma continuação de Bamako…e para o foro ser um sucesso, as organizações devem assegurar a participação ao nivel do continente para assim aprofundar os temas discutidos em Bamako,” disse Kéita.
Enquanto que mais de 21,000 pessoas participaram no FSM de 2006, segundo Goita, espera se uns 150,000 delegados em Nairobi.
O foro de 2007 constituírá a primeira vez em que um país africano servirá como hospede único do FSM. Este ano, o encontro realizou se nas cidades diferentes — Bamako, Caracas o capital de Venezuela e Karachi o centro commercial do Paquistão – por isso foi chamado um encontro ‘policéntrico’.
O FSM foi estabelecido em 2001 como uma alternativa ao Foro Económico Mundial uma reunião anual na localidade suiça de Davos que atrai líderes comerciais e polícos. O FSM mais recente foi realizado na cidade brazileira de Porto Alegre e reuniu grupos e indivíduos, principalmente da sociedade civil que se opõem a globalização na sua forma actual.

