Clima: Frear o desmatamento é o grande desafio

Nairóbi, 09/02/2007 – A degradação das florestas e seu impacto na mudança climática dominam as discussões na 24ª reunião do conselho de administração do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que acontece até esta sexta-feira na capital do Quênia. Delegados presentes a este encontro de cinco dias, com as participações de mais de cem representantes de governos de todo o mundo, concordam que a alteração do clima, o maior desafio ambiental atual, requer esforços globais para ser enfrentado.

Os participantes concordaram que reduzir o desmatamento é uma medida-chave para minimizar alguns efeitos do aquecimento do planeta. O diretor do Pnuma, Achim Steiner, destacou a intenção dessa agência de plantar um bilhão de árvores em todo o mundo até o fim deste ano. Lançada em 2006, a Campanha Um Bilhão de Árvores promove o reflorestamento com espécies adequadas aos ambientes locais. Mas algumas comunidades têm dificuldades para participar deste movimento por acesso mínimo, ou nenhum à Internet, e também pela barreira da língua.

“Há comunidades sem acesso à Internet para receber informações e assessoramento sobre a campanha, e, entretanto, espera-se que sejam estas a plantarem as árvores”, disse à IPS o ativista James Maina, coordenador da Amigos do Esporte, uma organização queniana que promove a conservação ambiental através de práticas desportivas. Maina considera que é urgente traduzir os documentos para os dialetos locais para que possam ser difundidos. “As comunidades precisam entender. A menos que as assumam, todas as iniciativas para enfrentar a mudança climática, incluindo proibições de corte, irão para o lixo”, alertou.

De fato, o corte com fins comerciais foi a principal causa de desmatamento, que, junto às crescentes secas e inundações, acaba com o habitat natural de muitas espécies. Ambientalistas alertaram sobre uma crise na Indonésia, onde rápida perda de florestas, inclusive nos parques nacionais, causa o deslocamento e o sacrifício de grande número de orangotangos. “O corte ilegal ocorre em 37 dos 41 parques nacionais indonésios. Mais de mil orangotangos, que são a maior atração turística, fugiram dos parques e agora vivem em centros de resgate”, disse está semana o ministro de Meio Ambiente da Indonésia, Rachmat Witoelar.

Um informe do Pnuma apresentado na reunião de Nairóbi indica que agora representam apenas 1,7% do território, contra uma média mundial de 21,43% e de 9,5% na África. Apesar da proibição de 1999, as florestas continuam diminuindo, fazendo com que as autoridades enviassem oficiais para vigiar com rigor as zonas em perigo. “Acreditamos que teremos mais árvores e que iremos melhorar nossa cobertura”, disse Nafasi Mfahaya, do Departamento de Florestas do Ministério de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Quênia. Porém, as discussões em Nairóbi também se centraram na questão dos gases causadores do efeito estufa.

A grande maioria dos cientistas concorda que o aquecimento do planeta se deve a atividades humanas, sobretudo aos gases liberados pela queima de petróleo, gás e carvão, sendo o dióxido de carbono o principal. Esses gases vão se acumulando na atmosfera e, por sua grande capacidade de reter o calor dos raios solares, acentuam o chamado efeito estufa. A conseqüência desse aquecimento é uma mudança climática global com manifestações regionais e locais, como o derretimento de gelos polares e geleiras, a elevação do nível do mar, secas, tempestades, furacões e inundações.

Embora os Estados Unidos gerem 25% das emissões dos gases que provocam o efeito estufa, o governo do presidente George W. Bush retirou a assinatura que seu antecessor, Bill Clinton (1993-2001), havia colocado no Protocolo de Kyoto, único mecanismo internacional de luta contra o aquecimento global. Bush argumenta que o acordo pode afetar a economia de seu país. “Podemos falar e falar nas reuniões, mas é preciso ação por parte das nações ricas. Se estas não reduzirem suas emissões, pouco poderemos fazer para combater a mudança climática”, afirmou o diretor-executivo da organização ambientalista pan-africana Climate Ntework Africa, Grace Akumu. (IPS/Envolverde)

Joyce Mulama

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