Suva, 16/02/2007 – A organização ambientalista Greenpeace Internacional intensificou sua campanha contra a captura de baleias no oceano Pacífico, concentrada no Japão e em países insulares que permitem a essa nação asiática caçar estes mamíferos marinhos em suas águas. No contexto desta campanha, ativistas do Greenpeace entregaram na quarta-feira um cartão pelo Dia dos Namorados na embaixada do Japão em Fiji. “Amamos o Japão, mas a caça de baleias machuca nossos corações”, dizia a mensagem.
Este gesto simbólico, para chamar a atenção para uma campanha contra a ação de barcos baleeiros japoneses, coincidiu com a iniciativa “Defendendo nossos oceanos”, que essa organização desenvolve no Pacífico desde novembro de 2005. o responsável pela equipe de Oceanos do Greenpeace Austrália e Pacífico, Nilesh Goundar, disse que muitas espécies de baleias estão em perigo e algumas, inclusive, em situação crítica. “A zona ocidental e central do oceano Pacífico é área de cria de nove espécies de baleias grandes, parte importante do patrimônio cultural e natural”, afirmou Goundar.
A tensão aumentou depois do choque de um barco da Sociedade Pastor Marinho para a Conservação com um baleeiro japonês no oceano Antártico no último final de semana. A preocupação sobre as intenções do Japão aumentou nesta região no ano passado, quando Tóquio conseguiu que a Comissão Baleeira Internacional decidisse, em sua reunião realizada na nação caribenha de San Cristóbal e Nevis, deixar sem efeito a proibição de caçar baleias para fins comerciais, em vigor desde 1986.
Após seu triunfo, o Japão anunciou que ampliará seu programa de “pesquisa científica” no próximo ano, e para isso sacrificaria 1.300 baleias, incluídas, pela primeira vez, 25 jorobadas e 25 de aleta. Seis nações insulares do Pacífico (Ilhas Marshall, Ilhas Salomon, Kiribati, nauru, Palau, Tuvalu) votaram junto com o Japão nessa reunião, realizada em junho. Estes seis votos foram o golpe de graça à proibição, especialmente depois que 11 nações do Pacífico selaram, em 2003, um pacto que criou um santuário de baleias de 28.520.000 quilômetros quadrados nessa região.
Por sua vez, Austrália, Fiji, Ilhas Cook, Niue, Nova Caledônia, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, Polinésia Francesa, Samoa, Tonga e Vanuatu também declararam santuários de baleias suas zonas marítimas exclusivas ou adotaram medidas legais de proteção desses mamíferos. O Greenpeace acusou o Japão de trocar ajuda por votos na Comissão Baleeira Internacional, e afirmou que havia prometido mais de US$ 1 milhão a Tuvalu e alcançado acordos semelhantes com Kiribati, Nauru e outros países muito pobres da área.
A proposta não conseguiu os 75% dos votos necessários para anular a moratória, mas o bloco pró-baleeiro considerou o resultado como uma vitória importante. Mas a resolução final, aprovada por 33 votos a favor e 32 contra, determinou que a moratória já não é necessária e responsabilizou as baleias pela redução das reservas de peixes. Entretanto, Goundar afirmou que, segundo as pesquisas disponíveis, não havia provas de que matança de baleias fosse um caminho notório para atividade pesqueira em geral.
“As baleias que se reproduzem nessa área do Pacífico são principalmente as chamadas baleias verdadeiras (misticetos), que se alimentam por filtragem. Isto é, não possuem dentes e comem krill”, explicou Goundar. Krill é um crustáceo marinho que abunda em águas austrais, base nutricional de numerosas espécies da região e de máxima importância na cadeia alimentar. “De fato, o estomago de virtualmente quase todas as baleias caçadas no oceano Antártico dentro do programa de pesquisa do Japão continha krill e nada mais que krill”, ressaltou.
A respeito da troca de ajuda por votos, Goundar disse à IPS que o Greenpeace aconselhou mais uma vez as ilhas do Pacífico a considerarem os motivos possíveis das ofertas dos países doadores e os efeitos a longo prazo, em vez dos ganhos no curto prazo, antes de tomar uma decisão. A caça comercial de baleias, segundo Goundar, não era o que convinha às ilhas do Pacífico, pois prejudica os avistamentos, importante atividade turística que lhes dá maiores benefícios ecológicos e econômicos. O avistamento de baleias é uma atividade florescente, segundo o Greenpeace. Mais de 87 países realizam essa atividade, que no total gera US$ 1bilhão por ano.
Somente Tonga recebe por essa atividade mais de US$ 500 mil por ano. Cada baleia jorobada, que vive em média meio século, gera a esse país US$ 1.500 anuais. “As baleias são importantes para o ecossistema e os avistamentos também podem ganhar maior peso na economia”, destacou Goundar. As empresas turísticas de Fiji também organizam avistamentos. Pelo menos uma delas tem organizado um passei para observar golfinho distante da costa de Viti Levu, a maior ilha do país.
Goundar explicou que a atividade por ocasião do Dia dos Namorados, ou de São Valentim, não teve ligação com as crescentes tensões entre os baleeiros japoneses e ativistas contrários à captura de baleias. “O Greenpeace é uma organização pacifica e seus ativistas arriscam a própria vida quando se colocam entre os arpões e seu alvo, não a vida de outros”, acrescentou. O barco Esperança, do Greenpeace, encontra-se em águas austrais rastreando um baleeiro. Essa expedição é a última atividade da campanha “Defendendo nossos oceanos”. Goundar disse que os ativistas evitaram a morte de 82 baleias e obrigaram as empresas que financiam sua caça a se retirar por meio de ações pacíficas diretas. (IPS/Envolverde)

