Mercosul: Aulas de integração

Montevidéu, 25/04/2007 – Capacitar funcionários para que impulsionem uma integração ampla, não apenas econômica, é o objetivo de um curso inaugurado segunda-feira para autoridades do Mercosul, com apoio da Itália. “Sabemos que um dos grandes núcleos da integração é o comercial, mas, também sabemos que isso por si só não basta para nos integrarmos”, disse o presidente da Comissão de Representantes Permanentes do bloco, Carlos Alvarez, ao abrir em Montevidéu o Programa de Alta Formação de Quadros Dirigentes dos Países do Mercosul.

Alvarez destacou que os governos de Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela estão comprometidos com uma integração mais ampla e reconhecem a necessidade de capacitar seus altos funcionários com está visão. Além disso, destacou a importância de representantes dos diferentes governos participarem de experiências de capacitação conjunta para gerar consciência regional. Os cursos, patrocinados pelo governamental Programa de Cooperação Italiana e pela Sapienza Universitá di Roma, darão formação profissional a 64 especialistas dos países-membros em quatro áreas: cooperação energética e ambiental, colaboração em ciência e tecnologia, desenvolvimento de transportes regionais integrados e integração no setor agroalimentar.

O programa, do qual participam professores da região e italianos, é o primeiro passo para a criação em Montevidéu do Instituto Mercosul de Formação, cujo objetivo será capacitar funcionários em assuntos de integração. A primeira parte do curso será em Montevidéu, enquanto o restante será dado através da Internet. Como “não temos instituições supranacionais com funcionários dos países trabalhando juntos, é preciso criar instancias para que funcionários de nossos países façam uma experiência compartilhada e possam reforçar a discussão, no debate e na capacitação, no concito de integração”, disse Alvarez.

O subsecretário de Relações Exteriores da Itália, Donato Di Santo, disse à IPS na abertura do curso que o objetivo de Roma com esse programa é “contribuir para a estruturação real e concreta do Mercosul, e isso significa, entre muitas outras coisas, capacitar funcionários que vejam em seu papel integrador uma missão institucional”. Di Santo reconheceu que o Mercosul pode estar sofrendo a falta de experiência em matéria de integração e por isso considerou vital esse tipo de programa. “Na Europa estamos comemorando 50 anos da constituição da União Européia. A tentativa do Mercosul ainda é muito jovem. Está dando seus primeiros passos, e por isso certamente haverá muitos problemas, que, com a vontade de todos os integrantes, podem ser superados”, afirmou.

O chanceler uruguaio, Reinaldo Gargano, destacou que “partimos da base de que o Mercosul é uma necessidade econômica, social e cultural, mas, também história para os países da região. O curso servirá na medida em que vise a formação de quadros convencidos de que o objetivo final deve ser a integração regional. A América sofreu 200 anos de desintegração. Uma desintegração que não é produto apenas da curta visão dos governantes, mas também da intrusão internacional das potências”, afirmou.

Gargano também insistiu na importância da interligação física. “Podemos fazer os mais estupendos discursos sobre a integração, mas se isso não se concretizar em uma integração real, que una as infra-estruturas físicas e que possibilite o desenvolvimento integrado das explorações econômicas nos planos industrial e agrícola, se ficará somente no discurso”, ressaltou. Di Santo expressou seu desejo de que “estas veias abertas da América Latina possam ser veias de infra-estrutura, veias de comunicações, veias de contato direto”. O funcionário italiano lembrou que seu governo tem interesse em impulsionar as paralisadas negociações comerciais entre o Mercosul e a União Européia. “A Itália se propõe a ser um país facilitador, junto com outros da Europa, desta tentativa de retomar as negociações, e não somente por interesses comerciais”, afirmou. (IPS/Envolverde)

Raúl Pierri

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