DESENVOLVIMENTO:: Mais crianças educadas nas escolas cada vez piores

BRUXELAS, 16/05/2007 – Os países pobres estão a avançar na prestação da educação primária, mas a qualidade do que as crianças aprendem é muito insatisfatória, segundo um relatório da Monitorização Global 2007 do Banco Mundial, publicado no dia 11 deste mês. O relatório é uma revisão anual do progresso do mundo no processo de atinjir os Objetivos de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Milénio, aceitados pelos líderes mundiais em 2000. O relatório cita os resultados das investigações feitas na Índia sobre a capacidade de leitura na escola, segundo os quais 68 porcento dos alunos da segunda classe não puderiam ler um parágrafo símples, e 54 porcento não conseguiram resolver um problema aritmético de dois dígitos. O sistema sanitário também sofre de problemas de qualidade. Enquanto que 86 porcento dos professionais clínicos na Tanzânia correitamente diagnosticaram um caso de tuberculosis, 67 porcento fizeram erros no tratamento da doênça. Para além disso, os médicos acabaram menos de 24 porcento da lista de contrôles básicos de um paciente com o paludismo.

“As questões ligadas as habilidades de leitura diferem de um país a um outro”, disse a economista do Banco Mundial e a coautora do relatório a Barbara Burns, numa conferência de imprensa realizada em Bruxelas.

“os professores não são suficientemente bem formados, ou faltam a motivação ou ausentam se da escola. As vezes as crianças não vão a escola porque têm que ajudar as suas famílias com as tarefas domésticas”, acrescentou ela.

O relatório não vê uma relação inerente entre a perda de qualidade e o aumento na matriculação na escola primária. Mas há casos nosquais a qualidade foi posto em risco quando os países rapidamente alargaram o acesso, disse ela.

O documento pede aos doadores de investir numa prova internacionalmente avaliada, para medir os niveis de aprendizagem ao fim da escola primária. “Saber quál o problema é o primeiro passo a resolvé-lo”, declarou a Burns.

O relatório também propõe alguns novos indicadores para medir a desigualdade de género de modo mais exaustivo. Por exemplo, quando se mede a mortalidade infantil específicamente por género, se torna bem claro que as meninas de cinco anos da Ásia austral são pior alimentadas e menos cuidadas de que os meninos da mesma idade.

O panorama mais amplo sobre o progresso no cumprimento dos Objetivos do Milénio não mudou ao longo do ano passado. O mundo parece estar bem metido no caminho para reduzir por metade a proporção da pobreza extrema pelo ano 2015, embora com grandes diferênças regionais. A Ásia oriental já está quase no fim, e as outras regiões estão mais ou menos no caminho, com a excepção da África subsaaariana. A proporção dos africanos extremamente pobres está a baixar, mas por causa do crescimento demográfico a quantidade absoluta das pessoas nesta condição continua a ser a mesma, apesar do fato do rendimento por pessoa no continente estar estável durante alguns anos. Os objetivos ligados a saúde e á expetativa de vida mostram uma situação menos encorajante. Nenhuma região parece estar no processo de reduzir por dois terços a mortalidade infantil pelo ano 2015. A África subsaaariana e a Ásia austral correm o risco de não alcançar nenhum dos oito Objetivos.

Mas para além das médias regionais, há algumas histórias de éxito. Entre 2000 e 2005, o Benín, a Guinea, a Madagascar, a Moçambique, o Níger e a Ruanda aumentaram por 10 porcento a proporção das pessoas que acabaram a escola primária. A Eritreia conseguiu reduzir por metade a mortalidade infantil entre 1990 e 2005, apesar de um rendimento por pessoa de apenas 190 dólares.

“A pobreza extrema está cada vez mais concentrada nos estados frágeis”, indicou o relatório, refirindo se aos 35 países onde, normalmente devido aos conflítos armados, o governo não consegue prestar a segurança e os serviços básicos públicos aos cidadões dele.

9 porcento da população dos países em vias de desenvolvimento, 27 porcento dos habitantes que vivem com menos de um dólar por dia e quase um terço de todas as mortes infanteis do mundo estão nas nações frágeis.

Mattias Creffier

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