MADRID, 16/05/2007 – Uma nova onda de imigrantes africanos, deixou um caminho marcado de mortos e feridos que iam as ilhas espanholas das Canárias, as quais chegaram 1.300 imigrantes sem documentação nos últimos cinco dias. A tentativa a chegar a Espanha terminou na morte de 28 imigrantes, cujos corpos foram descobertos nas zonas costais da Sahara Ocidental, 40 quilómetros ao norte de Laâyoune. Ainda estão a verificar o número de feridos.
Hoje, as fontes do Ministério do Interior informaram a IPS que mais dois barcos foram enviados para patrulhar as águas que separam o arquipélago canário da costa noroeste da África. Desde o ano passado a Espanha está a patrulhar o oceáno Atlântico particularmente as zonas costais de Senegal e Mauritânia com barcos de salavações e aviões.
Para além disso, as fontes disseram que a chegada dos últimos barcos com imigrantes foi cuidadosamente planificada pelos traficantes de pessoas. “Já não se trata de um barco provisório malfeito tentando chegar as nossas zonas costais. Trata se de uma operação complexa naqual os barcos se movem simultáneamente”, disseram eles.
O maior exemplo desta planificação foi a chegada durante nove horas de 11barcos, oito deles ao mesmo tempo mas aos pontos diferentes da costa. Isto aconteceu esta seixta feira (11 de maio).
Estes barcos viajaram para o norte dos lugares tão longe como o Cabo Bojador, na Sahara Occidental e depois de cobrir 225 quilómetros durante 25 a 30 horas, viraram para o sul da ilha Gran Canaria. Um pouco antes de 12 milhas náuticas da costa de entrada, e para evitar ser detetados pelo único radar instalado aí, os barcos espalharam para se dirigir a terra. Assim, os barcos espanhois de patrulha não poderiam os deter de entrar o país.
A polícia detetou alguns pontos na pantalha do radar, mas não pude determinar se se tratava de pequenos barcos, barcos de pesca (do tipo frágil) ou do ‘ruído’ de uma onda. Contudo, eles conseguiram parar alguns dos barcos e deter os passageiros. De qualquer das maneiras, uma vez que passam a barreira de 12 milhas e entram o território espanhol, os imigrantes não podem ser expulsos, a menos que sejam nacionais de um país com o qual Madrid tenha um acordo de deportação, como foi recentemente o caso com os Marrocos e Senegal.
Entre as 99 pessoas de um barco que chegaram na noite de segunda feira (14 de maio) e que foram detidas, houve 15 menores e quatro mulheres. As vezes as pessoas trazem bébés porque não podem ser expulsos da Espanha, não obstante o país de origem deles. Assim os pais deles também podem ficar com eles no país. O que é estanho é o número das crianças de 14 a 20 anos que vêm sozinhos e aparentamente a própria vontade delas. O Erik Denabuena, de Senegal, chegou há cinco anos, quando tinha 17 anos.
“Eu vim porque aqui se pode ter um trabalho muito melhor e bem pago de que o trabalho que fizemos quando eramos crianças no meu país, seja porque os nossos pais nos mandaram a trabalhar ou porque queriamos ganhar uns centávos”, narrou Denabuena a IPS.
Quando foi perguntado se soubessem ou não que estes viagens implicariam um grande risco de morte, ele respondeu que sim o sabiam. “Mas … que é o pior, expornos a este risco ou continuar com uma vida que é quase igual a esta morte?”, perguntou ele. Mas, para conseguir um lugar nos barcos frageis, embora tenham chegado duas lanchas motoras há poucos dias, os passageiros devem pagar entre 1.000 e 1.500 dólares, para o qual as famílias poupam o dinheiro que podem. Um barco carregado pelos imigrantes chegou domingo na província espanhola austral de Granada, depois de atravessar o Mediterrâneo. Uma dos imigrantes ganeses a Nafiseh, de 24 anos, chegou com a sua filha de 10 meses esperando reunir se com o seu marido e o seu filho mais velho, já residentes na España desde há um año más sem documentos.
Falando com o diário de Madrid El País (O País), a Nafiseh expirimiu o medo que ela sentiu ao longo da viagem, descrevendo a como “uma auténtica loucura”, que ela não recomendaria a ninguém.
Perante esta situação e apesar de saber que a Espanha continua a necessitar os imigrantes para ocupar certos postos de trabalho, o governo liderado pelo Primeiro Ministro socialista o José Luis Rodríguez Zapatero aumentará as medidas para impedir a entrada aos imigrantes sem vistos.
Estas medidas irão de reforçar os sistemas de patrulha até a negociação de acordos bilaterais com os países expulsores de nacionais para que aceitam aqueles que querem entrar no país sem vistos, ou que querem ficar no país depois do visto expirar.
Estas medidas não causarão grandes problemas para quem quer entrar, já que os que entram o país ilegalmente por via marítima constituem apenas cinco porcento do total de imigrantes a Espanha.
Só dois terços dos imigrantes não regularizados que já estão neste país entraram usando vistos turistícos. Os oriundos da América Latina e dos Caraíbas entraram pelos aeroportos enquanto que os da Europa Oriental entraram pela terra.
A Secretária de Estado de Imigração Consuelo Rumí, a falar das medidas tomadas pelo Poder Executivo, afirmou que “os problemas imigratórios continuarão a existir se as causas deles persistem — entre as quais é a situação lamentável que se vive no continente africano”.
Por isso, ela acrescentou que para além de impor os controles e aplicar a lei, a España está comprometida a apoiar e contribuir ao desenvolvimento sustentado da África, algo que o país “está a fazer, impulsando a toda a União Europeia a fazê-lo”.
A agência espanhola de cooperação ao desenvolvimento aumentará a sua ajuda por 0,27 porcento do produto interno bruto em 2006 a 0,35 porcento neste ano e espera atinjir 0,50 porcento em 2008. A maior parte do aumento se dedicará a asistência a África subsaariana.
Entretanto, mais dois barcos, um dosquais é italiano, foram acrescentados aos espanhois que já estão a patrulhar a zona defronte da costa africana. Isto foi como parte da Operação Hera que é coordenada pela Agência Europeia de Fronteiras (Frontex). A Aminata Traoré, a ex ministra de Cultura de Malí, disse há poucos dias que, “na realidade, apenas os brancos e os produtos deles podem circular livremente, e entrar na África com os acordos comerciais deles que sancionam aos países africanos que recusam a entrada das empresas estranjeiras”.
Isto acontece, “ao mesmo tempo que se fecha as portas da imigração e, se seleciona as pessoas, como se seleciona as matérias primas”, acrescentou esta ativista premiada pela Associação Pro Direitos Humanos de Andalucía (APDHA), uma das 17 comunidades autónomas que constituem a España.
O Jesús Roiz, da área de imigração na APDHA, perguntou “Quándo é que chegará o dia no qual os responsáveis por isso serão declarados e condenados como culpáveis?

