Comércio: O crescente déficit dos Estados Unidos

Washington, 24/07/2007 – A economia mundial cresce graças ao aumento da demanda e do consumo, mas o déficit comercial dos Estados Unidos se mantém em alta apesar da queda do preço do dólar, segundo o presidente da Reserva Federal, Bem Bernanke.

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Em seu Informe de Política Monetária apresentado quarta-feira ao Congresso, Bernanke – cujo cargo equivale ao de ministro da Fazenda em outros países – disse que desde janeiro o valor do dólar caiu 3,5%. A depreciação frente ao dólar canadense foi ainda maior, de 10%, e de aproximadamente 3,5% diante do euro e da libra esterlina. Por outro lado, o dólar norte-americano valorizou cerca de 2,5% em comparação com a moeda japonesa, o iene.

Desde o início do ano o dólar desvalorizou 3% em proporção ao yuan, e seu ritmo de queda frente à divisa chinesa se acelerou nos últimos dois meses e meio. Numerosos legisladores norte-americanos atribuem o enorme déficit comercial dos Estados Unidos com a China à manutenção artificial de um yuan baixo por parte de Pequim. O superávit comercial chinês em seu intercâmbio com os Estados Unidos aumentou para US$ 20 bilhões em maior, contra US$ 198,4 bilhões em abril.

Dados oficiais divulgados na semana passada em Washington indicam que no semestre janeiro-junho o déficit comercial dos Estados Unidos com a China aumentou para US$ 96 bilhões, o que supõe um aumento de 15% em relação aos primeiros seis meses de 2006. Pressionada por Washington, a China valorizou em 2,1% a sua moeda, que em julho de 2005 era vendida a 8,28 yuans por dólar. Desde então, a divisa aumentou cerca de 6%. Mas Bernanke parece contradizer o ponto de vista predominante no Congresso, pelo qual o deficit comercial com a China se deve apenas à importação de artigos que, por seu baixo preço, são atraentes para os consumidores norte-americanos.

Perguntado sobre a razão de o déficit comercial não ter diminuído nem mesmo com a depreciação do dólar, Bernanke disse que as flutuações das divisas não são suficientes por si só para contê-lo. Acrescentou que o aumento da poupança nos Estados Unidos, combinado com um animador aumento do consumo na China, constituiriam melhores soluções. “Apoiadas por um sólido crescimento econômico no exterior, as exportações norte-americanas deveriam se expandir mais nos próximos trimestres”, disse Bernanke no Comitê de Finanças da Câmara de Representantes.

“Mas, é provável que nosso déficit comercial – de 5% a 0,25% do produto interno bruto nominal no primeiro trimestres – continue alto”, acrescentou. Bernanke disse que não permitir a livre flutuação do yuan também prejudica a economia chinesa, pois constitui um risco de inflação. O atual controle do preço da divisa “distorce a economia e concentra mais recursos no setor exportador”. Em contraste com a tradicional recomendação de Washington às nações em desenvolvimento (exportar mais como meio de superar os problemas econômicos) Bernanke disse que a China deveria produzir mais para seu mercado interno “e estar menos voltada ao externo. Mudar o valor da moeda é um passo para fazê-lo”, acrescentou.

Em seu informe Bernanke alertou sobre os riscos de inflação na China, atribuídos ao constante aumento de sua atividade econômica, particularmente robusto no primeiro trimestre de 2007. desde o final de 2006, a inflação na China aumentou- chegando a 3,5% nos 12 meses encerrados em maio – em boa parte devido ao encarecimento dos alimentos. A pressão inflacionária aumenta nesse país devido ao rápido e contínuo crescimento da demanda agregada e da liquidez originada pelo acúmulo de reservas em divisas estrangeiras. Segundo o informe, o aumento da atividade econômica se apóia no crescimento das exportações e dos investimentos fixos, que apresentaram uma lentidão no segundo semestre de 2006. A fortaleza das exportações teve como conseqüência uma alta do superávit comercial chinês.

O informe descreve uma forte atividade econômica em todo o planeta. Bernanke disse que Canadá, Grã-Bretanha, Japão e União Européia apresentaram crescimento superior à tendência global nos primeiros três meses do ano. Esse crescimento também se acelerou em mercados emergentes da Ásia, com a China à frente. E o crescimento do México parece aumentar novamente, após a letargia do primeiro trimestre. Bernanke afirmou que a inflação aumenta em muitas regiões por causa do aumento do custo da energia, que, por sua vez, originou uma alta substancial no preço dos alimentos.

De acordo com o informe, os indicadores das bolsas de todo o mundo tiveram altas, embora reduzidas, em junho e julho. Nos principais países industrializados estes índices aumentaram entre cinco e 12 pontos em moeda local desde janeiro, assinalou Bernanke. O Índice Xangai Composite, principal indicador da bolsa da China, superou os 45 pontos desde o começo do ano, após os 130 atingidos em 2006. Os principais índices das bolsas de outras economias asiáticas emergentes e da América Latina também registraram consideráveis ganhos, entre 10 e 35 pontos, segundo o informe. (IPS/Envolverde)

Emad Mekay

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