Cuba-EUA: Castro critica pré-candidatos democratas

Havana, 29/08/2007 – O presidente de Cuba, Fidel Castro, afastado do cargo por graves problemas de saúde há mais de um ano, comentou a campanha eleitoral dos Estados Unidos, criticando as aspirações de alguns pretendentes de promover a democracia nesse país do Caribe. segundo Castro, Hillary Clinton e Barack Obama, que disputam a indicação para representar o opositor Partido Democrata nas eleições presidenciais de novembro de 2008, “sentem-se no dever sagrado de exigir um governo democratico em Cuba. Não estão fazendo política, estão jogando cartas num domingo à tarde”, ironizou Castro no sétimo artigo que escreve após completar 81 anos no último dia 13.

A discrição com que transcorreu seu aniversário foi o principal assunto dos boatos sobre um agravamento de sua saúde. Porém, Castro ignorou em suas colunas publicadas na imprensa estatal as versões que inclusive o dão como morto e as dedicou a fatos como a intervenção dos Estados Unidos nos assuntos de Cuba desde o século XIX, e ao centenário de nascimento do líder do Partido Ortodoxo, Eduardo Chibás (1907-1951). Os boatos que nos últimos dois finais de semana aumentaram as ligações telefônicas e as mensagens desde o exterior coincidiram com a visita de Obama à Miami, onde residem mais de um milhão de cubanos exilados e seus descendentes.

Em um artigo publicado no último dia 21 no jornal Miami Herald, Obama definiu como objetivo político criar uma “clara estratégia para conseguir uma abertura democrática em Cuba” e considerou que a futura ausência de Fidel Castro não significaria necessariamente a “liberdade para Cuba”. A esse respeito, Obama acrescentou que “se um governo pós-Castro iniciar a abertura de Cuba para a democracia, os Estados Unidos estão prontos para dar passos para a normalização das relações e relaxar o embargo que domina as relações de nossos países nas últimas cinco décadas”.

No fim de semana, o senador e pré-candidato democrata falou em Miami para várias centenas de seguidores e defendeu o fim das restrições de viagem e envios de dinheiro à Cuba, estabelecidas em 2004 pelo governo de George W. Bush. A seu ver, isso ajudaria as famílias que residem no país caribenho a serem “menos dependentes” do governo de Havana e a promover uma “mudança verdadeira em Cuba. Já era hora de o presidente (Bush) se dar conta disso”, ressaltou Obama, que se manifestou contrário ao fim do embargo sem que antes ocorra uma mudança de regime em Cuba.

Castro fez seus comentários sobre as eleições norte-americanas em um artigo intitulado “A submissão à política imperial” e afirmou que escrevia “simplesmente para aumentar a consciência do povo cubano”, um esclarecimento que pareceria reforçar seu atual papel de “grande conselheiro”, em lugar de tomador de decisões. Somente o ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter (1977-1981) “não foi cúmplice do brutal terrorismo contra Cuba”, disse Castro. O mandatário cubano, que tomou o poder em 1959 e lidou com 10 governos norte-americanos desde então, recebeu a visita de Carter em 2002.

No dia 26 de julho, o vice-presidente, Raúl Castro, que substitui provisoriamente seu irmão desde 31 de julho do ano passado, deixou aberta a possibilidade de diálogo com o próximo presidente dos Estados Unidos, “se, por fim, deixarem de lado a prepotência”. O acadêmico Rafael Hernández, diretor da revista cubana Temas, disse à IPS que “qualquer presidente futuro será melhor do que Bush, mas não se deve esquecer que foi a administração democrata de Bill Clinton (1993-2001) que inventou o plano para uma transição democrática em Cuba”.

“Os assessores e os membros de um Executivo democrata dirão ao novo presidente para que se vai gastar o capital político necessário com a finalidade de mudar uma política de meio século, se, definitivamente, Cuba não é uma prioridade global. Por isso não espero de um presidente democrata a iniciativa de uma mudança”, disse Hernández. A seu ver, é “o Congresso que poderia tomar iniciativas que facilitem o processo de mudança”, das quais a mais importante seria o fim da proibição de viajar, instaurada por Bush junto com outras restrições.

“Nesse caso, sim, a posição do presidente pode influir no curso das mudanças, pois poderia simplesmente não vetar esta legislação, caso a Câmara de Representantes e o Senado a aprovem por maioria, o que já ocorreu em 2003, e se deteve porque Bush anunciou seu veto”, afirmou o acadêmico. Bush aprovou em 6 de maio de 2004 um pacote de proibições que reforçaram o bloqueio econômico e comercial vigente desde 1962 (que Washington chama de embargo), incluídas no informe da Comissão para a Ajuda a uma Cuba Livre. O plano foi atualizado em 2006 para restringir ainda mais as viagens de norte-americanos à Cuba, com pena de prisão ou elevadas multas, e criar instituições encarregadas de perseguir as vendas cubanas de níquel e sua utilização na indústria de terceiros países. (IPS/Envolverde)

Patricia Grogg

Patricia Grogg es chilena y reside en La Habana. Se desempeña como corresponsal permanente de IPS en Cuba desde 1998. Estudió gramática y literatura española en la Universidad de Chile, y periodismo en la Universidad de La Habana. Trabajó como reportera, jefa de redacción y editora en la agencia cubana Prensa Latina. A mediados de la década de 1990 se incorporó por unos meses como jefa de redacción a la agencia Notimex en Santiago de Chile. Desde Cuba también ha colaborado con medios de prensa mexicanos y chilenos. En su labor cotidiana investiga temas sociales, políticos, energéticos, agrícolas y económicos.

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