Economía: O segredo dos bons negócios

Genebra, 31/10/2007 – O clima mais proveitos para os negócios, o que é conhecido como competitividade, se registra nos países de maiores rendas, afirma um documento do Fórum Econômico Mundial (FEM) que coloca os Estados Unidos na liderança, seguido por Suíça, Dinamarca, Suécia, Alemanha, Finlândia e Cingapura. O primeiro país em desenvolvimento que aparece nesse ranking é a Malásia, no 21º lugar, seguido do Chile (26) e da Tailândia (28). A competitividade é definida como o conjunto de instituições, políticas e fatores que determinam o grau de produtividade de um país, afirmou Jennifer Blanke, economista do FEM, que ontem apresentou o Informe Global e o Indice de Competitividade Mundial.

Por um lado, a produtividade determina a capacidade de um país para alcançar elevados níveis de renda, mas, por outro, também é um aspecto decisivo na fixação dos rendimentos dos investimentos. Este último ingrediente é um fator central para explicar o crescimento potencial de uma economia, disse Blanke. A intenção do FEM, que todos os anos reúne empresários, governantes e economistas na estação turística de Davos, no leste da suíça, “não é a de criticar os países”, ressaltou Klaus Schwab, presidente e fundador da instituição. Mas, o estudo contém julgamentos por vezes severos sobre a situação nos países a ponto de nem mesmo os Estados Unidos se salvarem dessas observações.

Um número de debilidades em áreas básicas, especialmente relacionadas com desequilíbrios macroeconômicos e alguns aspectos do ambiente institucional, colocam risco a posição que o FEM atribui aos Estados Unidos de país mais competitivo do mundo. A maior falência norte-americana está relacionada com a instabilidade macroeconômica, que o coloca na posição 75 entre as 13 nações avaliadas pelo informe do FEM. Em anos recentes, os Estados Unidos apresentam grandes desequilíbrios macroeconômicos, com reiterados déficit fiscais que levam ao aumento dos níveis de endividamento público. Estas áreas requerem atenção das autoridades para poderem manter a competitividade, diz o informe.

Um dos julgamentos mais severos do estudo se dedica à Argentina, localizada em “um decepcionante 85º lugar”. Como os Estados Unidos, a Argentina enfrenta problemas de instabibilidade macroeconômica, com um endividamento público equivalente a 64% do produto interno bruto, muito alto para os padrões internacionais, diz o informe. Irene Mia, economista do FEM que se ocupa dos países latino-americana, disse à IPS que no caso argentino observa-se uma percepção “bastante negativa da comunidade empresarial” com relação à transparência das instituições públicas.

Mia disse que alguns elementos dessa percepção empresarial correspondem à realidade, embora “muitas vezes creio que seja uma maneira para eles dizerem que há um problema”. Os empresários utilizam o mecanismo de “ser mais pessimista sobre uma dimensão especifica”, acrescentou. Essa especialista concordou que esses informes críticos de empresarios da Argentina, e também do Brasil, são usados “como plataforma entre o setor privado e o público. Creio que há um pouco disso, pois, embora existam elementos da realidade, também se aprecia uma percepção dos empresários provavelmente mais negativa do que de fato ocorre”, concluiu.

O índice do FEM é elaborado com estatísticas irrefutáveis, por um lado, e também com o resultado de consultas a executivos de empresas. No quadro geral da América Latina, Mia expôs que países como Costa Rica, Uruguai ou México sobem no ranking de competitividade do FEM. Por outro lado, outras nações, como Argentina e Venezuela, baixam, enquanto o Brasil é bastante estável, acrescentou. O Chile, naturalmente, “a economia estrela da região”, continua em uma posição elevada. É um país que fez tudo muito bem, tem seu entorno macroeconômico estável, seus mercados financeiros, trabalhistas e de bens e serviços funcionam muito bem, descreveu.

Por outro lado, os indicadores do FEM mostram que o México parece ter conseguido aproveitar a proximidade com os Estados Unidos. A modernização do sistema produtivo mexicano é alta e a maioria de suas exportações é de manufaturados. Entretanto, no México subsistem problemas nas instituições, que deveriam melhorar quanto à transparência e eficácia, disse Mia. O auge econômico que a América Latina atravessa levou maior estabilidade macroeconômica, que era um dos graves problemas da região, acrescentou a especialista. Isso evitará a repetição de crises como as vividas por México, Argentina ou Brasil. Mas, ainda subsistem na região problemas estruturais, como a educação, a grande burocracia e as dificuldades para fazer negócios. Em síntese, “vejo coisas positivas, simplesmente é preciso fazer reformas estruturais”, aconselhou Mia. (IPS/Envolverde)

(Envolverde/ IPS)

Gustavo Capdevila

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *