POLITICA-CUBA: Fidel Castro eleito deputado

Havana, 23/01/2008 – Todas as pessoas propostas para formar o parlamento unicameral cubano pelos próximos cinco anos foram eleitas nas eleições gerais, entre elas o presidente Fidel Castro, afastado do governo desde 31 de julho de 2006 por razões de saúde. São “os 614 candidatos a deputados do parlamento (Assembléia Nacional do Poder Popular) os 1.201delegados das assembléias provinciais” desse órgão de governo, afirmou ontem a presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Maria Esther Réus, sm mencionar nenhum nome em especial.

Sempre citando dados preliminares, a também ministra da Justiça garantiu, na primeira entrevista coletiva depois do fechamento dos colégios eleitorais do domingo, que 8.230.832 pessoas votaram, em um total de 8.687.229 eleitores. Caso sejam mantidos os números preliminares, teriam votado 94,74% dos eleitores. Nas eleições para o parlamento, 95,24% dos votos foram validos, 3,73% votaram em branco e pouco mais de 1% foi anulado.

A existência de cédulas em branco e anuladas foi considerada por Réus uma demonstração de democracia. “É a liberdade de que gozam nossos eleitores. A possibilidade de exercer o direito que lhes concede a lei de votar de uma forma ou de outra”, disse a ministra. No entanto, o voto unido, uma opção de apoiar toda a candidatura promovida pelas autoridades como demonstração de coesão ao redor do projeto revolucionário cubano, teve 91% dos votos, pouco mais do que os 90,88% registrados em 2003. “Fiz uso do voto unido por questão de consciência”, disse o presidente Castro em uma mensagem enviada à televisão estatal.

Agora a incógnita se desloca para a formação da Assembléia Nacional, dia 24 de fevereiro. Nesse dia a assembléia deverá eleger o Conselho de Estado, máximo órgão de governo durante o recesso parlamentar; o presidente do país; o primeiro vice-presidente; cinco vice-presidentes e o secretário. Analistas locais estimam que, após vários meses de incerteza, tudo parece indicar que Castro novamente será designado à frente do Conselho de Estado, cargo que ocupa desde que surgiu o atual modelo institucional em 1976. No entanto, o atual presidente em exercício, seu irmão Raúl, continuará em seu cargo de primeiro-vice-presidente.

Um vídeo de apenas dois minutos, transmitido pela televisão nacional na quarta-feira passada, mostrou o mandatário de 81 anos visivelmente recuperado, em seu melhor estado desde que se submeteu à primeira de varias cirurgias, provocadas inicialmente por uma doença intestinal. Nesse mesmo dia Fidel Castro admitiu que ainda tem limitações de saúde. “Não desfruto da capacidade física necessária para falar diretamente aos moradores do município onde me apresentaram candidato para as eleições de domingo. Faço o que posso: escrevo”, afirmou em uma coluna publicada pela imprensa nacional.

Em todo caso, sua permanência à frente dos destinos de cuba parece ser vista pelo governo como uma garantia importante de continuidade em um momento em que o país deverá enfrentar importantes transformações, a pedido de uma parte importante de seus 11,2 milhões de habitantes. O novo parlamento deverá enfrentar “uma fase complexa e grandes decisões”, reconheceu à imprensa Raúl Castro, pouco depois de ter votado. Segundo dados da Comissão Eleitoral Nacional, o parlamento eleito foi renovado em 63,29% de seus membros. As mulheres ocupam 43,15% das cadeiras, a média de idade é de 49 anos, 28% dos deputados são operários e camponeses e 99,2% formados no ensino médio e superior.

“Esta sétima legislatura deverá enfrentar os novos desafios apresentados prioritariamente pela realidade cubana atual e pelo novo cenário político latino-americano”, disse à IPS o reverendo Raúl Suárez, um dos 224 deputados ratificados nas eleições. “Do meu ponto de vista político, e não sou especialista no assunto, creio que todas as instâncias do Poder Popular devem reimpulsionar a participação popular”, acrescentou o pastor batista e dirtor desde 1987 do Centro Memoral Dr. Martin Luther King, que foi eleito deputado do parlamento nas eleições de 1993, 1998 e 2003. (IPS/Envolverde)

Dalia Acosta

Dalia Acosta ha sido corresponsal de IPS en Cuba por muchos años. Se graduó en 1987 de la licenciatura en periodismo internacional en el Instituto Estatal de Relaciones Internacionales de Moscú. Trabajó un año en el diario cubano Granma y otros seis en Juventud Rebelde, donde incursionó en el periodismo de investigación sobre mujer, minorías, sida y derechos sexuales. En 1990 recibió el Premio de Periodismo Tina Modotti, y en 1992 el Premio Nacional de Periodismo por un reportaje sobre la comunidad rockera de su país. Empezó a colaborar con IPS en 1990 como parte de un proyecto de comunicación con el Fondo de Población de las Naciones Unidas (UNFPA). Desde 1995 se desempeña como corresponsal en La Habana, y entre 1991 y 2010 trabajó también para el Servicio de Noticias de la Mujer de Latinoamérica y el Caribe (SEMLac).

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *