INFÃNCIA: Morrem menos crianças, mas ainda são muitas

Nações Unidas, 23/01/2008 – Embora a acentuada redução na mortalidade infantil no mundo seja um dos “grandes êxitos na historia da saúde pública no último século”, a prevalência de falecimentos de crianças ainda é “inaceitável”, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância. O número de mortes de menores por ano caiu praticamente pela metade desde 1960, quando foram registrados 20 milhões. Mas, um olhar mais atento às estatísticas revela que os avanços foram distribuídos desigualmente, afirma o estudo do Unicef. “Não há espaço para a complacência. A morte de 9,7 milhões de crianças em 2006 é intolerável”, disse a diretora-executiva do Fundo, Ann Veneman.

Apesar dos progressos, o mundo não está no caminho de atingir a redução de dois terços na taxa de mortalidade infantil, como estabelece um dos compromisso que os governantes adotaram em 200 na Organização das Nações Unidas no contexto dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, com prazo-limite em 2015. Dos 62 países que não mostram um avanço suficiente rumo a essa meta, quase 75% deles são da África. Além disso, apenas três das 46 nações da África subsaariana aparecem em condições de chegar à meta: Cabo Verde, Eritréia e Ilhas Seychelles.

Na África austral aumentou a mortalidade infantil, em especial a de meninos e meninas menores de 5 anos. A pandemia de aids reduz a expectativa de vida e aumenta o número de mortes devido a infecções, tuberculose, malaria e desnutrição, destaca o estudo do Unicef. Além disso, a mortalidade de mulheres durante o parto “se mantém inaceitavelmente alta”, tanto na África quanto no sul da Ásia, onde foram registrados muito poucos progressos nas ultimas décadas.

Em média – diz o Unicef – mais de 27 mil menores de 5 anos morrem a cada dia, a maioria por causas que poderiam ser prevenidas. Mais de 80% desses falecimentos ocorreram em 2006 na África subsaariana e no sul da Ásia. “Quanto vale uma vida? A maioria de nós sacrificaria muito para salvar uma única criança. Mas, em escala global, nossas prioridades aparecem nebulosas”, diz o estudo desta agência da ONU.

Praticamente, as 27 mil crianças que morrem diariamente vivem nos países pobres ou em vias de desenvolvimento. Mais de um terço falecem durante o primeiro mês de vida, normalmente em suas casas e sem ter acesso a serviços básicos de saúde que poderiam ter garantido sua sobrevivência. As principais causas de mortalidade para crianças com menos de 5 anos são as complicações neonatais (36% do total), pneumonia (19%), diarréia (17%), malária (8%), sarampo (4%) e aids (3%).

Nos 11 países onde morrem 20% ou mais das crianças menores de 5 anos, mais da metade sofreu conflitos armados internos desde 1989: Afeganistão, Angola, Burkina Faso, Chade, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Libéria, Malí, Níger, República Democrática do Congo e Serra Leoa. Segundo o Unicef, Estados falidos, caracterizados por instituições débeis, altos níveis de corrupção, instabilidade política e baixo respeito às leis são, frequentemente, incapazes de fornecer serviços básicos aos seus habitantes. Os fatores institucionais e ambientais são, às vezes, a chave para garantir a sobrevivência de uma criança, diz o informe do Unicef. “Nos países onde a Aids se converteu em epidemia, combater esta enfermidade é o maior desafio para evitar a mortalidade”, acrescenta o documento. A natureza e difusão da Aids é de tal magnitude que qualquer ação será ineficaz se primeiro não se tratar a epidemia, alertou. O estudo também destaca que os países que sofrem insegurança alimentar ou são “candidatos” a temporadas de seca enfrentam o risco de uma taxa maior de mortalidade infantil. A impossibilidade de diversificar a dieta leva à desnutrição crônica das crianças, que as expõe à doença e, em última instancia, à morte.

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, afirmou que um aumento no gasto de saúde será a chave para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio nesta área. De todo modo, alertou que mesmo em nações com sistemas de saúde débeis pode haver avanços. “Programas inovadores mostram que um enfoque integrado, sob o qual cada criança recebe um “pacote” de intervenções, pode proporcionar benefícios imediatos”, acrescentou.

Segundo Veneman, pode-se salvar vidas quando as crianças têm acesso a serviços de saúde comunitários, apoiados por um sólido sistema de derivações a especialistas. A adoção de programas primários de saúde, que incluam a amamentação, a imunização, suplementos de vitamina A e o uso de mosquiteiros tratados com inseticidas para prevenir a malária são essenciais para obter progressos, especialmente na África subsaariana, acrescentou. (IPS/Envolverde)

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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