Ambiente: Avistar aves para salvar o habitat

Bangalore, 08/02/2008 – O Banco de Hong Kong e Xangai (HSBC) adotou um caminho incomum em matéria de responsabilidade corporativa ambiental mediante um concurso de avistamento de aves. O HSBC, que há três anos realiza as “Corridas de pássaros na Índia”, agora informou que o programa será ampliado para nove cidades. A iniciativa – inspirada na corrida anual de aves da Sociedade de Observação de Aves de Hong Kong, embora a versão indiana não tenha fins de conservação ou arrecadação de fundos – partiu do cientista Sunjoy Monga, que levou a idéia ao HSBC que a recebeu com entusiasmo.

A primeira corrida realizada na cidade de Mumbai em 2005, reuniu cem pessoas, desde observadores experientes até novatos. Foram avistados, do entardecer até a manhã do dia seguinte, 277 espécies de aves em 12 horas, quase um quarto das variedades da Ásia meridional. No ano passado, a quantidade de entusiastas duplicou. Os observadores acrescentaram uma sétima espécie às já avistadas e identificadas. Quase 150 pessoas, agrupadas em quatro grupos tendo um líder experiente como capital, identificaram 250 espécies de aves em um raio de 50 quilômetros nos arredores da cidade de Bangalore, em janeiro.

As corridas de aves começaram em um bom momento, segundo Monga e o professor S. Subramanya, da Universidade de Ciências Agrícolas, de Bangalore, quando a maioria das cidades indianas, especialmente esta, tem um desenvolvimento imobiliário acelerado e se perde o habitat natural. “Desapareceram áreas importantes devido ao holocausto urbano”, disse Monga. “Agora reunimos informações apreciadas para estudar quais espécies têm possibilidades de sobreviver”, acrescentou. “As corridas de aves não são competições, mas diversão”, explicou Subramanya, que tem esperanças de que a iniciativa contribua para criar um órgão de apoio e conservação do habitat natural de Bangalore e outras partes.

Mas as regras são rígidas. As observações dos avistados e a localização precisa devem ser anotadas em um caderno de campo. Todos os integrantes do grupo devem permanecer juntos e identificar cada ave encontrada. Um painel ornitológico reúne todos os cadernos ao entardecer e analisa as estatísticas encontradas. O testemunho mais realista, com base no que foi avistado em lugares relevantes é o vencedor. O interesse dos “amantes das aves” é impressionante. Shresh Mohalik, de 10 anos, um dos mais experientes observadores, disse ter visto “novos” pássaros. “inclusive a equipe que ficou em primeiro lugar não viu nem identificou o pássaro carpinteiro de pescoço branco”, disse cheio de orgulho M. B. Krishna. O apoio logístico e demais ficam a cargo de entusiastas voluntários. “No momento é uma iniciativa para reunir interessados e coletar dados”, disse Monga. Krishna acredita que o programa ajudará a minimizar a falta de controle permanente de espécies de aves na Índia e, assim, contribuirá para avaliar a disponibilidade de um contingente de voluntários capacitados.

“Precisamos de muito mais gente para nosso trabalho cientifico. Esta força de trabalho amador pode não ter rigor cientifico, mas é um começo”, explicou Krishna. “Outro elemento muito interessante é o site www.indiabirdraces.com, onde podem ser encontrados documentos e registros ordenados por ano. É uma rica fonte de informação para um censo de aves”, afirmou Malini Thadani, chefe de comunicações e sustentabilidade corporativa do HSBC em Mumbai. Este grupo, que começou suas operações na Índia em 1853, se interessa por iniciativas ambientais e comunitárias como política empresarial muito antes de a responsabilidade social das empresas virar moda, disse Thadani.

O HSBC criou uma força de trabalho em 2005 encarregada de controlar a redução de suas emissões de dióxido de carbono m 5% em todas suas operações no mundo até 2007. O objetivo foi alcançado, segundo Thadani, e a companhia vendeu seus créditos por meio de uma oferta global. (IPS/Envolverde)

Keya Acharya

A journalist with over 20 years of experience in in-depth writing and researching environment and development issues in Asia, Africa, Europe and Latin America. Keya has travelled widely, covering assignments in various areas of the world. Her research has included climate change, urban solid waste management, rural alternative energy systems, implementation of laws on industrial hazardous wastes, human rights, ecotourism, wildlife issues, transgenic cotton, corruption and environment, population and gender, e-governance, agribiotech and forests and encroachments, among other topics. Keya is vice chair of the Forum of Environmental Journalists of India, and has organised several media-training workshops, convened international media meetings and undertaken media study tours. Keya has won several research and media fellowships and is the recipient of the Press Institute’s award for Excellence in Human Development Reporting; the Prem Bhatia Award for Environmental Reporting, and the Green Globe Foundation award for Outstanding Media Contribution by a Media Individual. Keya has also conducted development journalism studies as visiting faculty, chaired media and international conference panels, and edited ‘The Green Pen’, an anthology of essays on environmental journalism, the first of its kind in South Asia, featuring the region's most prominent and respected environmental journalists.

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