Direitos Humanos: Crianças sofrem assédio em várias frentes

Nações Unidas, 14/02/2008 – Os 2,2 bilhões de meninos e meninas do mundo estão cercados pela pobreza, fome, alistamento militar forçado, violência sexual, exploração no trabalho e pela aids, alertou a Organização das Nações Unidas. A ONU estima que cerca de 600 milhões de crianças vivem na pobreza absoluta, aproximadamente 218 milhões sofrem as piores formas de trabalho infantil, em torno de 2,5 milhões estão infectadas com aids e cerca de 300 mil são obrigados a entrar no serviço militar como soldados.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) disse que quase a metade dos 3,6 milhões de mortos em conflitos militares desde 1990 foi de crianças. “Apesar dos contínuos esforços de governos, organizações não-governamentais e humanitárias em todos os níveis, ainda há muitas crianças que sofrem pobreza e degradação ambiental, exploração, violência e enfermidades”, disse Samuel Koo, embaixador da Coréia do Sul para a cooperação cultural e ex-alto funcionário das Nações Unidas e do Unicef.

Koo acrescentou que continuam sendo negados os direitos básicos consagrados na Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, de 1990, primeiro instrumento internacional legalmente vinculante na matéria. “Os avanços, onde quer que ocorram, frequentemente são muito lentos e pouquíssimos”, afirmou Koo, que também preside o comitê organizador de um próximo fórum internacional organizado pela Rede Global de Religiões da favor da Infância, com sede em Tóquio, criada pela Fundação Arigatou do Japão.

O tema do fórum, que acontecerá entre 24 e 26de maio na cidade japonesa de Hiroxima, é “Aprender a compartilhar: Valores, ação, esperança”. O fórum é o terceiro de uma série. O primeiro aconteceu em maio de 2000 em Tóquio e o segundo nesse mesmo mês de 2004 em Genebra. “Os organizadores do fórum estão convencidos de que chegou o momento de as instituições religiosas do mundo e todos aqueles que professam alguma fé se dêem as mãos nesta luta mundial para aliviar o sofrimento das crianças e promover seu bem-estar”, disse Koo à IPS.

O objetivo é gerar consciência sobre os severos problemas que enfrentam meninos e meninas em todas as partes, e exigir uma ação concentrada por parte de pessoas e entidades religiosas em nível da sociedade civil, acrescentou Koo. Pretende-se “ajudar a aliviar a terrível situação das crianças e reunir um apoio maior das autoridades civis e governamentais, bem como nações doadoras e organizações internacionais”, prosseguiu. O fórum lançará uma iniciativa mundial para promover a educação ética introduzindo um novo manual, provisoriamente intitulado “Aprendendo a viver juntos”, para ser usado por professores e líderes juvenis em todo o mundo.

Produto de dois anos de investigação por parte de um seleto grupo de teólogos que representam diferentes religiões, o manual utiliza um novo processo de aprendizagem não religioso para que crianças e jovens desenvolvam um forte sentido de ética, destacou Koo. “Esta projetado para ajudar os jovens a compreenderem melhor e respeitar as pessoas de outras culturas e religiões e alimentar um sentimento de comunidade global e comportamentos não violentos, bem como dar poder a meninos e meninas para que se convertam em agentes da mudança social”, explicou.

Segundo a Rede Global de Religiões a favor da Infância, apesar de uma prosperidade econômica sem precedentes, principalmente nos países industrializados do Norte, mais do que nunca hoje há crianças em um contexto de pobreza. A Rede, com base em uma série de estatísticas, disse que 130 milhões de crianças em idade escolar, mais de dois terços delas meninas, crescem no mundo em desenvolvimento, privadas do direito à educação, o que limita suas possibilidades de assumirem os papeis que escolhem na sociedade.

Desde sua fundação em maio de 2000, a Rede surgiu como uma importante aliança mundial de organizações e pessoas religiosas comprometidas com o diálogo inter-religioso e com a ação que aspira melhorar a vida das crianças. Com nas instâncias anteriores, o fórum de Hiroxima será outra ocasião para que os membros da Rede avaliam os progressos, compartilhem as melhores práticas e tracem novos cursos de ação para aliviar o sofrimento das crianças. Segundo Koo, a sessão especial da ONU sobre a infância, realizada em 2002 em Nova York, constituiu um marco no impulso do desenvolvimento da Rede e suas iniciativas.

Na sessão especial, da qual participaram 180 líderes mundiais, foi adotado um plano de ação intitulado “Um mundo adequado para a infância”, que incluía 21 objetivos para a próxima década. As quatro prioridades-chave foram: garantir vidas saudáveis para todas as crianças, dar educação de qualidade para todos, proteger a infância contra o abuso, a exploração e a violência e combater o HIV/aids. A agenda do fórum de Hiroxima incluirá “o imperativo ético de por fim à violência contra a criança”, bem como “garantir que nenhuma criança viva na pobreza” e “proteger a Terra”. (IPS/Envolverde)

Thalif Deen

Thalif Deen, IPS United Nations bureau chief and North America regional director, has been covering the U.N. since the late 1970s. A former deputy news editor of the Sri Lanka Daily News, he was also a senior editorial writer for Hong Kong-based The Standard. He has been runner-up and cited twice for “excellence in U.N. reporting” at the annual awards presentation of the U.N. Correspondents’ Association. A former information officer at the U.N. Secretariat, and a one-time member of the Sri Lanka delegation to the U.N. General Assembly sessions, Thalif is currently editor in chief of the IPS U.N. Terra Viva journal. Since the Earth Summit in Rio de Janeiro in 1992, he has covered virtually every single major U.N. conference on population, human rights, environment, social development, globalisation and the Millennium Development Goals. A former Middle East military editor at Jane’s Information Group in the U.S, he is a Fulbright-Hayes scholar with a master’s degree in journalism from Columbia University, New York.

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