Beirute, 04/03/2005 – A crise no Líbano, desencadeada pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, permitiu a eclosão de um poderoso grupo social até agora sem presença no cenário político local: os jovens. Milhares de estudantes acampam na central Praça dos Mártires de Beirute desde 14 de fevereiro – quando Hariri morreu em um atentado cometido com um carro-bomba – para protestar contra a presença militar síria em território libanês e contra o governo do primeiro-ministro Omar Karami, a quem responsabilizam pelo assassinato. A pressão dos manifestantes foi tamanha que o próprio Karami se viu obrigado a renunciar esta semana, afundando o país na incerteza política. O presideente do Líbano, Emil Lahoud, exigiu do parlamento a designação urgente de um novo chefe de governo.
Os governos dos Estados Unidos e da França, apesar de suas diferenças em outros assuntos internacionais, concordam que a ocupação síria do Líbano deve terminar. A Síria ajudou a por fim à guerra civil libanesa (1975-1990), mas deixou nesse país milhares de soldados depois de finalizado o conflito. Os legisladores de oposição insistem para que os jovens continuem com as manifestações. "A principal razão pela qual este movimento não pode falhar é o poder dos jovens que protestam dia e noite na Praça do Mártires de Beirute", disse à IPS a líder oposicionista Nayla Moawad. "Nós, os políticos, não podemos trair estas pessoas. Teremos de pagar um preço muito alto se falharmos com eles ou com nós mesmos", acrescentou.
Os jovens, com idade média de 20 anos, instalaram um acampamento na praça, bem próximo do lugar onde está o túmulo de Hariri e a mesquita Mohammed Al Amim. "Eu sou de Beirute. Sou libanês. O que fizeram matou algo dentro de nós. Chamei alguns amigos e todos decidimos vir e ficar até conhecermos toda a verdade", disse à IPS Liz Nasrallah, uma estudante de 20 anos. Mas não são apenas jovens os que vão à praça. Durante a noite a eles somam-se adultos, que protestam em suas horas livres. todos portam a bandeira libanesa e entoam cânticos sem alusões partidárias, mas com duras críticas á Síria. A cada dia são ouvidos discursos nos quais se reclama a "independência" e, também, festas espontâneas e danças."Definitivamente, são os jovens que levam a maior carga, porque somos a próxima geração. Somos os únicos que viveremos o futuro aqui", disse Rami Kadi, um estudante de 25 anos. Entretanto, lembrou que muitos idosos também se solidarizam com os protestos, embora não participem de forma direta, na realidade é porque querem limitar a participação. Acrescentou. A multidão que pernoita na praça é heterogênea em sua composição religioso e étnica, embora os católicos sejam maioria. "Não esqueçamos que muitas das demandas da oposição foram feitas pelos cristãos há muitos anos", disse à IPS o ex-presidente libanês Amin Gamayel (1982-1988).
Os cristão lideram o movimento anti-Síria há muito tempo, foram os principais incentivadores das manifestações depois do assassinato de Hariri. "Os cristãos sempre foram mais rebeldes do que os muçulmanos. O bom agora é que este já não é um movimento cristão, mas verdadeiramente libanês, e assim continuará", disse um estudante que preferiu não se identificar. No entanto, nos últimos dias constatou-se uma redução no número de manifestantes, embora a oposição garanta que é algo temporário. "Foram para suas casas por estarem exaustos. Mas, se o governo não investigar o assassinato e se os sírios não partirem, o povo tomará as ruas novamente", disse Moawadh. (IPS/Envolverde)
Líbano: O poder da juventude
Por Peyman Pejman
Beirute, 04/03/2005 – A crise no Líbano, desencadeada pelo assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik Hariri, permitiu a eclosão de um poderoso grupo social até agora sem presença no cenário político local: os jovens. Milhares de estudantes acampam na central Praça dos Mártires de Beirute desde 14 de fevereiro – quando Hariri morreu em um atentado cometido com um carro-bomba – para protestar contra a presença militar síria em território libanês e contra o governo do primeiro-ministro Omar Karami, a quem responsabilizam pelo assassinato. A pressão dos manifestantes foi tamanha que o próprio Karami se viu obrigado a renunciar esta semana, afundando o país na incerteza política. O presideente do Líbano, Emil Lahoud, exigiu do parlamento a designação urgente de um novo chefe de governo.
Os governos dos Estados Unidos e da França, apesar de suas diferenças em outros assuntos internacionais, concordam que a ocupação síria do Líbano deve terminar. A Síria ajudou a por fim à guerra civil libanesa (1975-1990), mas deixou nesse país milhares de soldados depois de finalizado o conflito. Os legisladores de oposição insistem para que os jovens continuem com as manifestações. "A principal razão pela qual este movimento não pode falhar é o poder dos jovens que protestam dia e noite na Praça do Mártires de Beirute", disse à IPS a líder oposicionista Nayla Moawad. "Nós, os políticos, não podemos trair estas pessoas. Teremos de pagar um preço muito alto se falharmos com eles ou com nós mesmos", acrescentou.
Os jovens, com idade média de 20 anos, instalaram um acampamento na praça, bem próximo do lugar onde está o túmulo de Hariri e a mesquita Mohammed Al Amim. "Eu sou de Beirute. Sou libanês. O que fizeram matou algo dentro de nós. Chamei alguns amigos e todos decidimos vir e ficar até conhecermos toda a verdade", disse à IPS Liz Nasrallah, uma estudante de 20 anos. Mas não são apenas jovens os que vão à praça. Durante a noite a eles somam-se adultos, que protestam em suas horas livres. todos portam a bandeira libanesa e entoam cânticos sem alusões partidárias, mas com duras críticas á Síria. A cada dia são ouvidos discursos nos quais se reclama a "independência" e, também, festas espontâneas e danças."Definitivamente, são os jovens que levam a maior carga, porque somos a próxima geração. Somos os únicos que viveremos o futuro aqui", disse Rami Kadi, um estudante de 25 anos. Entretanto, lembrou que muitos idosos também se solidarizam com os protestos, embora não participem de forma direta, na realidade é porque querem limitar a participação. Acrescentou. A multidão que pernoita na praça é heterogênea em sua composição religioso e étnica, embora os católicos sejam maioria. "Não esqueçamos que muitas das demandas da oposição foram feitas pelos cristãos há muitos anos", disse à IPS o ex-presidente libanês Amin Gamayel (1982-1988).
Os cristão lideram o movimento anti-Síria há muito tempo, foram os principais incentivadores das manifestações depois do assassinato de Hariri. "Os cristãos sempre foram mais rebeldes do que os muçulmanos. O bom agora é que este já não é um movimento cristão, mas verdadeiramente libanês, e assim continuará", disse um estudante que preferiu não se identificar. No entanto, nos últimos dias constatou-se uma redução no número de manifestantes, embora a oposição garanta que é algo temporário. "Foram para suas casas por estarem exaustos. Mas, se o governo não investigar o assassinato e se os sírios não partirem, o povo tomará as ruas novamente", disse Moawadh. (IPS/Envolverde)

