EUA: Lobistas distribuem dinheiro à mão cheia

Washington, 11/04/2008 – A velha anedota segundo a qual os Estados Unidos têm a melhor democracia que o dinheiro pode comprar se confirmou dramaticamente ontem, quando a organização não-governamental Centro para uma Política Sensível (Center for Responsive Politics – CRP) informou sobre a influência do poder econômico na política deste país. Para cada dia que o Congresso esteve em sessão no ano passado os lobistas gastaram, em média, US$ 17 milhões para ganhar o favor dos legisladores e de outros funcionários, afirmou o CRP.

Empresas sindicatos, governos estrangeiros e outros grupos de pressão investiram no ano passado a quantia sem precedentes de US$ 2,790 bilhões (7,7% mais do que em 2006) para influir sobre as decisões políticas. “Quando nossa economia está à beira da recessão, a indústria do lobby encontra-se em expansão”, disse a diretora-executiva do CRP, Sheila Krumholz. “Os grupos de pressão são resistentes à recessão. Em alguns aspectos, inclusive, buscam mais (favores) do governo quando a economia desacelera”, acrescentou.

Porém, é difícil “quantificar quanto os lobistas obtêm como retorno de seus investimentos. Geralmente, o dinheiro gasto é relativamente pouco comparado com os ganhos que seus clientes conseguem”, disse o porta-voz do CRP, Massie Ritsch. No caso dos contratos governamentais, “os retornos são astronômicos. Licitações são ganhas por valores multimilionários em troca de US$ 100 mil investidos no lobby”, acrescentou. O setor da saúde foi o que mais dinheiro dedicou no ano passado: US$ 444,7 milhões, disse o CRP. As instituições financeiras, de seguros e imobiliárias ficaram em segundo lugar, com desembolso de US$ 418,7 milhões, enquanto os laboratórios farmacêuticos pagaram aos lobistas US$ 227 milhões.

O CRP destacou que a indústria farmacêutica investiu em lobby US$ 1,3 bilhão na ultima década, o que a coloca no topo das estatísticas. As empresas de seguros gastaram, em 2007, US$ 138 milhões, seguidas pelas companhias de eletricidade (US$ 112,7 milhões) e as de computação e internet (US$ 110,6 milhões). O setor da bolsa de valores e dos bancos de investimento repartiram US$ 87,3 milhões, 40% mais do que em 2006.

Entre as empresas ou organizações individuais, a Câmara de comércio dos Estados Unidos figura no topo da lista. Embora a quantia de dinheiro dedicada ao lobby tenha caído 27% em 2007, após atingir um recorde no ano anterior, a organização e suas entidades-membro gastaram US$ 52,8 milhões, segundo o estudo. Entre as 20 empresas mais generosas figuram General Electric (US$ 23,6 milhões), General Motors, o gigante do petróleo Exxon Móbil, AT&T e as fabricantes de armas Northrop Grumman e Lockheed Martin.

O estudo do CRP diz que o aumento do gasto com lobistas durante o ano passado está em linha com o incremento que vem sendo registrado desde o final da década de 90, em torno de 8% ao ano. Entre as organizações que se dedicam a fazer lobby, Patton Boggs foi a que obteve maiores lucros pelo quinto ano consecutivo: US$ 41,9 milhões, 20% mais do que em 2006. Entre seus clientes mais habituais estão corretores da bolsa de valores, produtores de alimentos para animais domésticos e laboratórios como Bristol-Myers Squibb e Roche. (IPS/Envolverde)

Abid Aslam

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