ENERGIA-ÁFRICA: Eletricidade por fora da velha rede

Washington, 07/05/2008 – Uma campanha internacional para levar eletricidade à quarta parte dos habitantes da África entra em uma nova fase esta semana, com uma reunião em Accra entre representantes de agências internacionais, empresários do setor e a sociedade civil. O objetivo da conferência, que começou ontem e terminará amanhã na capital de Gana, é desenvolver mecanismos para atrair investidores ao mercado africano de energia, mas, sem apelar para a obsoleta rede elétrica da África. Trata-se de uma instância que faz parte da campanha “Iluminar África”, lançada em setembro pelo Banco Mundial e seu bramo de empréstimos brandos para o setor privado, a Corporação Financeira Internacional (CFI).

Além de estimular o interesse de investidores em pequenos empreendimentos de produção e distribuição de energia, que aliviariam o congestionamento da velha rede elétrica, as agências pretendem ajudar as empresas a concretizarem negócios estratégicos e associações financeiras. A falta de eletricidade é considerada por todas as agências da comunidade internacional um impedimento importante para o desenvolvimento econômico e social. As interrupções no fornecimento afugentam os investidores, além de prejudicar diversas iniciativas de saúde e educação, pois, por exemplo, deixam sem luz as escolas e as vacinas ficam sem refrigeração. “Iluminar a África “tenta fazer com que 250 milhões de pessoas fiquem livres, até 2030, da velha rede elétrica e da dependência de combustíveis caros e perigosos.

Os elevados preços da energia ressaltam a urgência desta missão, disseram os organizadores da conferência em Gana. “Aumentar o acesso à iluminação limpa e a um preço accessível é essencial para o desenvolvimento da África. Esperar a expansão da rede elétrica não é uma opção, dadas as preocupações energéticas de hoje”, disse Anil Cabral, especialista em energia do Banco Mundial. Mesmo antes do atual ciclo de aumento de preços energéticos, apenas 26% dos africanos têm acesso à eletricidade. Em alguns países, a proporção é de apenas 5%. A rede convencional conta com uma infra-estrutura e tecnologia antigas, além da corrupção de seus operadores.

Os africanos gastam US$ 40 bilhões por ano em produtos para iluminação qualificados pelo Banco Mundial de “caros, ineficientes, de má qualidade e contaminastes”, entre eles a querosene, que, segundo o Banco, consomem os gastos das famílias na Ásia subsaariana. Os esforços para melhorar a quantidade e confiabilidade do fornecimento de energia do continente – que incluíram grandes projetos de infra-estrutura financiados pelo CFI e executadas por empresas nacionais e internacionais – tiveram pouco efeito. Um em cada seis seres humanos vive na África, mas produz cerca de 4% de eletricidade do mundo. O Banco Mundial e a CFI promovem alternativas com lâmpadas de diodo (ED) e lâmpadas fluorescentes compactas. Ambas tecnologias produzem mais luz por unidade de energia e são mais duráveis, embora seu custo inicial, com freqüência, seja maior. Além disso, as agências tentam reduzir as barreiras políticas que, a seu ver, intervêm com os esforços do setor privado para entrar no mercado africano. “Ao construir uma coalizão entre todas as partes da indústria, confiamos em reduzir as dificuldades e incertezas que acompanham o desenvolvimento de um mercado tão virgem como este”, disse Monika Weber-Fahr, gerente do Grupo de Negócios Sustentáveis e Inovadores da CFI. Nas negociações em Gana, o Banco e a CFI prevêem anunciar os ganhadores de uma competição para o projeto e concretização de produtos de iluminação inovadores.

Estas agências ajudarão a converter estes projetos em realidades que beneficiem os africanos de baixa renda e que dêem lucro às empresas. Também serão conhecidas as conclusões de uma pesquisa sobre demanda, comportamento e preferências dos consumidores de energia de Gana e do Quênia. Outras avaliações de mercado são feitas na Etiópia, Tanzânia e Zâmbia. Trata-se da primeira exploração detalhada do que o Banco Mundial considera um mercado potencialmente enorme para produtos seguros e confiáveis de iluminação que sejam competitivos em custos com as lamparinas de querosene e que se alimentem de fontes renováveis ou mecânicas de energia.

Entre os participantes da conferência estão o Programa de Assistência ao Setor Energético do Banco Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), o Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF, sigla em inglês) e o Fundo Público-Privado de Assessoramento em Infra-estrutura criado pelos governos britânico e japonês, entre outras agências. (IPS/Envolverde)

Abid Aslam

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