Washington, 16/05/2008 – O Banco Mundial recalibra o financiamento que oferece esforços para combater a Aids na áfrica, onde vivem mais de dois terços dos afetados em todo o planeta por esta doença. Cerca de 22,5 milhoes de africanos são portadores do HIV, o vírus que causa a Aids (síndrome de imunodeficiência adquirida), que é a principal causa de morte prematura no continente, segundo o Banco. Os mais atingidos pelo vírus são os jovens e as mulheres. Muitas empresas privadas chegaram a contratar dois trabalhadores para cada posto, antecipando-se à perda de horas de trabalho e às mortes devido à doença.
O Banco destinou a maior parte do dinheiro para programas sobre HIV e Aids ate agora (US$ 1,5 bilhão desde 2000) ao que qualifica de “resposta à emergência”. Isto inclui a distribuição de medicamentos anti-retrovirais em mais de 30 paises africanos. Como conseqüência, salvou milhões de vidas, e em alguns destes países a incidência do HIV/Aids na população diminuiu. Mesmo assim, milhões morrem. Inclusive agora, para cada novo paciente que recebe terapia anti-retroviral entre quatro e seis são infectados pela primeira vez, diz o estudo “O compromisso do Banco Mundial com o HIV/Aids na áfrica: Nossa agenda para a ação, 2007-2011”, apresentado esta semana.
Mais de 22 milhões de africanos morreram por culpa da Aids e quase a mesma quantidade está atualmente infectada. Somente no ano passado foram registradas 1,7 milhões de novas infecções. A proporção de HIV/Aids parece estar diminuindo no Quênia e em partes de Botswana, Costa do Marfim, Malawi e Zimbábue. Entretanto, superou 15% da população em pelo menos oito países: Botswana, Lesoto, Moçambique, Namíbia, África do Sul, Suazilândia, Zâmbia e Zimbábue. Segundo algumas previsões, 40% dos africanos que hoje têm 15 anos acabarão se infectando.
As terapias anti-retrovirais são administradas a cerca de um milhão de pessoas na região, ou seja, apenas 23% dos que delas necessitam, devido ao custo, mas também o estigma da doença, as dificuldades para atuar em áreas remotas e a severa falta de pessoal medico qualificado. Neste contexto, o Banco anunciou que mudará seu enfoque e recomendará aos países que criem estratégias preventivas que reduzam o ritmo de infecções por HIV. “Sendo a Aids a maior causa de morte prematura na África, não podemos falar de um desenvolvimento melhor e duradouro ali sem também nos comprometermos a continuar até o fim na luta de longo prazo contra esse mal”, disse am uma declaração escrita Elizabeth Lule, gerente da equipe do Banco que trabalha sobre a Aids na áfrica.
No plano mundial, a instituição vai aconselhar os países como administrar melhor seu financiamento internacional que, diz, se caracteriza por sua “complexidade”. Esta palavra é um eufemismo que se refere à caixa de Pandora de diferentes condições políticas, administrativas e práticas que acompanha a maré de dinheiro procedente de diversas fontes multilaterais, bilaterais e privadas para combater a epidemia. Em parte, os novos critérios têm o objetivo de ajudar os países africanos a aproveitar dezenas de milhares de milhões de dólares do Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio da Aids (Pepfar) e do Fundo Mundial de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária, com sede na Suíça, entre outras fontes.
No plano nacional, o Banco disse que ajudará os paises a acelerar a implementação e adoção de um enfoque de desenvolvimento sustentável de longo prazo para o HIV/Aids. Além disso, procurará fortalecer a capacidade dos paises para controlar a eficiência, efetividade e transparência de sua resposta à doença, e construir sistemas sanitários e fiduciários mais fortes. No plano local, o Banco buscará amalgamar os serviços dedicados ao HIV/Aids com aqueles sobre saúde materna e reprodutiva, nutrição e cuidados com doenças como malária e tuberculose. Isto remediará um defeito de longa data em muitos programas nacionais sobre HIV/Aids, segundo a instituição.
“A feminização da epidemia e seus vínculos com a saúde sexual e reprodutiva, bem como a freqüência de co-infecção com a tuberculose (e sua variedade resistente ao tratamento farmacológico) e outras enfermidades oportunistas, amplificam a importância de dar às pessoas serviços integrados de saúde”, segundo o Banco. De acordo com o informe, mais de 60% dos que vivem com HIV na África são mulheres, e as mulheres jovens têm mais probabilidades de serem portadoras do HIV do que os homens jovens. Como conseqüência da epidemia, calcula-se que 11,4 milhões de menores de 18 anos perderam pelo menos um dos pais.
O Banco Mundial se comprometeu a proporcionar pelo menos US$ 250 milhões ao ano para iniciativas sobre HIV/Aids e estabelecer um fundo de incentivo econômico de US$ 5 milhões anuais para promover o desenvolvimento de infra-estrutura, a análise e os componentes de projetos em setores-chave com saúde, educação, transporte e manejo do setor público. (IPS/Envolverde)

