Nova York, 10/03/2005 – O autor dissidente iraniano Taqi Rahmani, que se encontra na prisão há mais de 17 anos por causa de suas críticas à repressiva fusão entre religião e política em seu país, ganhou na semana passada um prêmio da organização de direitos humanos Human Rights Watch, que tem sede em Nova York. A HRW concedeu o prêmio Hellman/Hammett a esse jornalista e autor de uma dezena de livros por seus audazes escritos, em um regime autoritário e notoriamente intolerante com a dissidentes. Rahmani, de 45 anos, é autor de 26 livros e monografias e já trabalhou para vários jornais e revistas reformistas. No Irã foram realizadas eleições presidenciais e legislativas democráticas, mas, governo e parlamento estão sempre à sombra do poderoso clero islâmico conservador, que também controla o sistema judicial.
"Taqi Rahmani passou mais de um terço de sua vida atrás das grades, apenas por expressar suas opiniões", destaco Joe Stork, diretor da divisão para o Oriente Médio da HRW, na cerimônia de entrega do prêmio, segunda-feira. Hadi Ghaemi, pesquisador da mesma divisão, disse à IPS que o escritor se destacou entre outros candidatos por sua audaz perseverança e porque passou a maior parte de sua vida adulta na prisão. "Cada vez que era solto continuava defendendo suas opiniões. Foi uma forte voz da oposição pacífica no Irã", destacou Ghaemi. Rahamani foi preso pela primeira vez em 1981, por seus escritos críticos ao regime do aiatolá Khomeini em uma publicação clandestina chamada Pishaz. Foi libertado depois de três anos, apenas para ser preso novamente em 1986, quando foi condenado a 11 anos de prisão.
Há 22 meses, as autoridades voltaram a prender Rahamani e outros dissidentes, que são acusados de "tentar derrubar o governo, agir contra a segurança nacional e manter reuniões secretas com estudantes". Em uma declaração a HRW pediu sua urgente libertação "imediata e incondicional". Por outro lado, a Anistia Internacional, com sede em Londres, advertiu que Rahamani e outros dissidentes podem ser torturados, uma prática corrente nas prisões do Irã. O caso de Rahamani não isolado. "Sua experiência é um cruel testemunho da situação de muitos de nossos escritores, dissidentes e críticos pacíficos no Irã de hoje", afirmou Stark.
O regime iraniano é criticado por muitas organizações de direitos humanos por deter, prender e torturar um número desconhecido de opositores políticos, entre eles estudantes e jornalistas. Especialmente nos últimos anos, as autoridades reprimiram órgãos de imprensa e diversas vozes dissidentes. A HRW destacou que os juízes autoritários gozam de uma incrível impunidade, e nenhum foi investigado nem punido por violações dos direitos humanos. "As autoridades iranianas conseguiram, em quatro anos, silenciar a oposição política através do uso sistemático de confinamento solitário de presos de consciência, da tortura contra ativistas estudantis e a negação do devido processo a todos os detidos por expressarem opiniões dissidentes", diz o informe da organização referente a 2004.
Em 2003, cerca de quatro mil estudantes que se manifestavam pacificamente em Teerã foram detidos por policiais á paisana porque protestavam contra a possível privatização de universidades, recordou a Anistia. Tais abusos são freqüentes e permanecem impunes, acrescentou. Desde 1990, a HRW entrega o prêmio Hellman/Hammett a mais de 80 escritores e jornalistas perseguidos por suas opiniões políticas. Entre os premiados figuram Mark Grigorian, da Armênia; Jaing Mar Kyaw Zaw, da Birmânia; Njaru Philip, de Camarões; Taoufik Bem Brik, de Túnis, e Mamadali Majmudov, do Uzbequistão. Ghaemi espera que este novo reconhecimento a Rahmani pressione o governo iraniano a libertá-lo. "Esperamos que este prêmio dê notoriedade ao caso, em particular pelo longo tempo que está na prisão", afirmou. (IPS/Envolverde)

