ECONOMÍA-EUA: Especialistas recomendam comprar menos munição

Washington, 26/09/2008 – Enquanto os Estados Unidos enfrentam a maior crise financeira das últimas décadas, especialistas cobram mudanças substanciais na forma como Washington gasta dinheiro para proteger sua segurança nacional.

 - Depto. de Defensa de EEUU

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Os especialistas, convocados pelo Instituto para Estudos de Políticas (IPS, de centro-esquerda) e pelo centro de estudos Política Exterior em Foco (FPIF), reiteraram esta semana que seja adotado um “orçamento de segurança unificado”. Através deles, se incrementaria o gasto destinado à diplomacia internacional e à segurança interna, ao mesmo tempo em que se reduziria o atual orçamento do Departamento de Defesa, que gira em torno do meio bilhão de dólares.

Essa quantia, que não inclui os US$ 15 bilhões mensais gastos nas guerras do Afeganistão e Iraque, aumentará no próximo ano em cerca de US$ 40 bilhões, mais do que o destinado anualmente para o funcionamento do Departamento de Estado. O informe dos especialistas destaca que atualmente os Estados Unidos gastam em programas militares US$ 16 para cada dólar destinado a iniciativas diplomáticas. Essa proporção aumentará para 18 por um em 2009, quando o orçamento da defesa chegará a quase US$ 540 bilhões.

Ao mesmo tempo, os recursos do Departamento de Estado ficarão algo abaixo dos US$ 40 bilhões e sendo que 20% desse total serão destinados à assistência militar e de segurança ao exterior. Paradoxalmente, altos funcionários do governo, como o secretário de Defesa, Robert Gates, criticam esse crescente desequilíbrio, embora, ao mesmo tempo, apóiem o aumento do gasto militar. “É necessário um dramático aumento no gasto destinado aos instrumentos civis da segurança nacional”, disse Gates em novembro do ano passado.

Porém, o governo do presidente George W. Bush não incluiu no orçamento nacional par 2009 um aumento significativo de recursos para o Departamento de Estado. “Gates piorou as coisas no último orçamento pelo qual será oficialmente responsável”, disse Miriam Pemberton, do IPS, co-autora do informe junto com Lawrence Kob, associado do não-governamental Centro para o Progresso Norte-americano. Devido à grave crise financeira, e ao plano governamental de resgate de bancos que exigirá US$ 700 bilhões, é improvável que o Congresso aumente os fundos para ações diplomáticas ou de ajuda ao exterior se não encontrar formas de reduzir os gastos em outras áreas.

A idéia do “orçamento unificado” é facilitar essas realocações de recursos, incorporando em um único instrumento os fundos para gasto militar, segurança interna, diplomacia, ajuda ao exterior e ações de manutenção da paz. Historicamente, os recursos para os orçamentos dos departamentos de Defesa, Estado e Segurança Interna tramitavam separadamente no Congresso, o que permitiu aos lobbies das forças armadas e das indústrias militares exercer sua desproporcional influência. A idéia de que o orçamento unificado pode ser útil para a realocação de recursos entre as três áreas ganhou apoio nos últimos anos.

Um grupo de 50 generais e almirantes da reserva cobrou “uma modificação na ênfase da política externa norte-americana, de um enfoque baseado fortemente no poder militar para outro que privilegie o valor da diplomacia e o desenvolvimento”. Além disso, uma comissão nomeada por Bush para formular recomendações sobre ajuda externa reclamou em dezembro a criação de um “orçamento de segurança nacional”, combinando os recursos dos departamentos de Defesa e de Estado, sendo que os deste último deveriam aumentar 10%, enquanto os níveis de ajuda ao exterior duplicariam. O analista de inteligência alertou este mês que o poder militar norte-americano será o ativo “menos significativo” para estender a influência de Washington no mundo.

O informe do grupo de especialistas propõe redução de US$ 61 bilhões nos programas militares em 2009, incluindo US$ 25 bilhões que seriam economizados diminuindo o arsenal nuclear norte-americano. Também recomenda limitar o programa de defesa com mísseis aos seus aspectos de pesquisa, em lugar de instalar essas armas, e interromper as iniciativas que possam contribuir para uma corrida armamentista no espaço.

Outros US$ 24 bilhões seriam reduzidos diminuindo ou abandonando a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de algumas armas de alta tecnologia, como os submarinos classe Virginia e os mísseis nucleares Trident II, que receberam críticas inclusive dos militares. Esse dinheiro poderia ser destinado a programas defensivos ou preventivos, como a ajuda ao exterior e as missões de paz. O informe diz que se for cancelada a construção dos submarinos classe Virginia, os US$ 850 milhões previstos para esse fim serviriam para pagar as dividas dos Estados Unidos com a Organização das Nações Unidas e outras instituições internacionais. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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