Kochi, Índia, 30/09/2008 – Enquanto o grupo integrado por Índia, Brasil e África do Sul (IBSA) dá passos formais para promover o turismo, representantes da indústria insistem na necessidade de um “trabalho real” para impulsionarem juntos uma iniciativa efetiva. O que o grupo tem a seu favor é a vontade política, já articulada através do Fórum de Diálogo do IBSA, e o fato de os três países oferecerem alguns dos melhores destinos turísticos do mundo, afirmaram representantes do setor. Funcionários dos três governos já trabalham para superar obstáculos em matéria de procedimentos e infra-estrutura nas áreas-chave identificadas: energia, mineração e turismo.
Na semana passada, o grupo de trabalho conjunto do IBSA sobre turismo, reunido da pitoresca cidade portuária indiana de Kochi, assinou um rascunho de acordo tripartite sobre cooperação, se espera ver formalmente adotado por seus líderes durante a cúpula que acontecerá agora em outubro em Nova Déli. Altos funcionários governamentais dos três países se mostraram otimistas quanto ao turismo poder fomentar seu objetivo declarado de estender a cooperação Sul-Sul, gerando ganhos e maiores contatos entre povos.
Por um lado, o acordo aspirar criar programas de intercâmbio entre os estudantes e as faculdades das principais instituições de capacitação profissional no setor turístico. Também, com suas enormes biodiversidades, os três podem compartilhar melhores práticas ecoturísticas. A secretária-adjunta do Ministério do Turismo da Índia, Leena Nandan; o diplomata brasileiro Carlos Ribeiro, e a subdiretora de Turismo da África do Sul, Zukiswa Nkherianya, concordaram que o setor tem um grande potencial para aproximar mais os três sócios.
Desde sua formação após o fracasso da Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio realizada em Cancun em 2003, o valor combinado do comércio do IBSA atingiu cerca de US$ 10 bilhões. “Isto significa que nosso objetivo de US$ 15 bilhões até 2010 pode ser facilmente alcançado”, disse Nandan. Para a representante indiana, o potencial do mercado de seu país pode ser calculado a partir do fato de que em 2007 aproximadamente 8,34 milhões de indianos viajaram ao exterior, contra cinco milhões de visitantes estrangeiros que a Índia recebeu.
Citando estimativas da Organização Mundial do Turismo, Nandan disse que se espera que o tráfego para fora da Índia chegue a 50 milhões até 2020, devido à rápida ascensão da classe média indiana e seu crescente poder aquisitivo. Como turistas que gastam muito, os indianos são bastante atraentes para qualquer país que os receber, acrescentou. Embora nos últimos anos a Índia tenha assinado acordos de promoção turística bilaterais com Brasil e África do Sul, espera-se que o acordo tripartite fortaleça os esforços das três nações. Nkherianya sugeriu que a África do Sul, localizada no centro da tríade, possa agir como ponte entre Ásia austral e América do Sul.
Apoiando a idéia, o ministro das Finanças do Estado indiano de Kerala, Thomas Issac, foi um passo além e sugeriu que os operadores turísticos poderiam oferecer pacotes “tricontinentais”, que cubram os três países. “Não há apenas diversidade cultural entre as três nações, mas também experiência comum de dar forma aos nossos destinos como nações em desenvolvimento. Toda cooperação só pode nos enriquecer”, disse Issac. Embora concordem que o potencial para a cooperação é enorme, representantes das indústrias que falaram à IPS disseram que os três países terão de começar do zero por causa do mínimo contato existente.
O presidente da Associação Indiana de Operadores Turísticos, Vijay Thakur, disse que os 10 mil brasileiros visitaram a Índia em 2007, enquanto apenas 1.700 indianos viajaram ao Brasil. Com a África do Sul, as coisas estão em alta já com quase 50 mil visitantes cruzando o ar ou o oceano Índico nas duas direções. “A ligação aérea é claramente o problema principal. Não há vôos diretos entre a Índia e estes países. No caso do Brasil, a distância claramente serve para dissuadir”, disse à IPS o operador turístico Richard Taamy. De fato, no Brasil há pouco conhecimento sobre a Índia, e vice-versa. “Para nós, a Índia é um país distante. No Brasil não há muita informação sobre a cultura indiana”, acrescentou.
As coisas estão melhores em relação à África do Sul, especialmente desde o lançamento de um vôo semanal direto entre este país e o Brasil, que está que tem 80% de lotação na maioria das vezes, acrescentou. Ebrahim Vadachia, diretor-gerente da firma Avoca Travels, com sede em Durban, acredita que a África do Sul pode atuar como ligação entre Brasil e Índia. Normas mais simples para obtenção de vistos podem ajudar, disse Thakur. A demanda pendente da indústria turística indiana de que este país introduza um sistema de vistos na chegada permitiria um aumento de 15% a 20% na chegada de turistas estrangeiros, acrescentou.
Enfatizando a necessidade de uma integração regular entre os operadores turísticos e os funcionários dos três países para identificar áreas de interesse, Vadachia disse que o acordo proposto centrou-se na área-chave de promover intercâmbios entre profissionais da indústria. Há esperanças de que o comércio e o turismo se ajudem entre si. “As pessoas que viajam a negócio já formam uma parte importante dos brasileiros e sul-africanos que visitam a Índia”, afirmaram funcionários do governo indiano. Vadachia sugeriu que Copa do Mundo de futebol de 2010, que acontecerá em nove cidades sul-africanas, pode ser usada como trampolim, e disse esperar conseguir que “muitos brasileiros e indianos loucos por futebol” participem desse acontecimento esportivo. (IPS/Envolverde)

