AMBIENTE-EUA: Sorgo doce, uma aposta num futuro limpo

Tampa, Estados Unidos,, 14/10/2008 – No caso de prosperar a experiência de cultivo de sorgo doce no Estado norte-americano da Flórida, para produzir etanol, se estará diante de uma mudança positiva fundamental na maneira como este e outros países crêem usam a bioenergia, afirmam pesquisadores. Os biocombustíveis, como o etanol, são culpados, em geral, pelo aumento dos preços dos alimentos. Pelo menos 25% do milho cultivado nos Estados Unidos são destinados à elaboração de biocombustíveis e grandes áreas do Brasil, da China, Indonésia e Malásia também estão dedicadas mais a plantações de insumos para a bioenergia do que para a alimentação.

Entretanto, com o sorgo doce somente os talos são usados para produzir biocombustível, enquanto o grão é usado como alimento ou para dar de comer aos animais. Este produto não é muito procurado no mercado mundial de alimentos, daí ter pouco impacto nos preços e na segurança alimentar. A primeira fazenda de energia sustentável da Flórida começou a funcionar em agosto em Destiny, no centro do Estado. Trata-se de um esforço de colaboração que envolve empresas, indivíduos e instituições de pesquisa acadêmica que vão desde a empresa de consultoria Green Technologies LLC até a Universidade de Florida.

A primeira experiência agrícola da Fazenda de Energia Destiny é a semeadura de sorgo doce, um cultivo resistente às secas que se parece com o milho e que frequentemente também é usado de maneira semelhante. Os dois produtos derivados mais comuns do sorgo doce são xarope e melaço. “Em última instância, o objetivo é tirar o máximo de açúcar do sorgo doce e ver se é comercialmente viável para elaborar etanol”, explicou BenScheffres, do Global Renewable Energy, principal engenheiro do projeto. “De algum modo isso é aplicável às pessoas não apenas aqui, na Flórida, mas em todo o país e no mundo inteiro”, afirmou.

Destilar açúcar do sorgo doce como método para fabricar etanol é algo que já se fez antes, mas em escala muito menor. Zane Helsel, professor visitante da Universidade da Florida, está envolvido com o projeto desde o começo deste ano. “Reviso o ritmo de semeadura e coisas com qual tipo de fertilizante é preciso usar e qual a altura da cova para plantar as sementes”, explicou. “O Departamento de Energia e Agricultura dos Estados Unidos identificou o sorgo doce como alguns dos cultivos mais simples usados para produzir etanol, mas no âmbito local se pesquisa muito pouco, por isso realmente tínhamos que fazê-lo”, disse Helsen à IPS.

“Nosso objetivo é poder fornecer fontes renováveis de energia para estes cultivos (de sorgo doce). Damos-lhes parte de nossa perícia sobre assuntos agronômicos, como quando alguém deseja planta para produzir alimentos em lugar de combustível”, disse Amir Varshovi, presidente da Green Technologies. Embora os futuros cultivos experimentais na Fazenda de Energia Destiny incluam as algas e a jatrofa, uma planta tropical que produz uma noz que contém óleo, a experiência do sorgo doce agora é o principal objetivo dos engenheiros agrícolas.

A idéia é fazer com que a Fazenda Destiny seja completamente sustentável. Por exemplo, os motores ali utilizados poderiam ser lubrificados com o óleo obtido da noz da jatrofa. Já foram plantadas oito variedades de sorgo doce, sendo que a colheita ocorre em diferentes momentos do ano. “Uma vez que esteja suficientemente maduro, colhemos uma amostra do açúcar no talo da planta. As variedades deste cultivo amadurecem em diferentes níveis”, explicou Scheffres.

Helsel disse que “quando se tem uma temporada de cultivo de 365 dias ao ano, que é o que em boa parte temos aqui, isto dá mais oportunidades e tempo para experimentar com o sorgo doce”. O que “torna o sorgo doce viável para o estabelecimento energético é que pode ser racionado, isto é, quando cortado cresce a partir de novos talos a partir da base da planta”, acrescentou. O principal problema da planta de Destiny foi o longo processo burocrático para fazer com que o projeto tivesse luz verde. Há construtores que pretendem construir nessa área o primeiro protótipo de cidade “ecosustentavel” da nação, com ciclovias e caminhos para excursões, fontes de energia renováveis limpas e um mínimo impacto sobre o meio ambiente.

“Nossa terra (quase 17 mil hectares que Destiny possui no centro da Florida) é usada principalmente para preservação e também para agricultura e desenvolvimento sustentáveis”, afirmou Roz Gatewood, a vice-presidente de desenvolvimento empresarial no estabelecimento da Destiny. “O processo legal não será completado até 2011, quando todas as diferentes agências dos governos estaduais e federais o aprovarão”, acrescentou. “Como alguns empresários estão interessados em atrair para cá suas unidades de produção, precisamos manter estes proprietários interessados na fazenda energética e assegurarmos que sejam continuamente informados sobre o que estamos fazendo”, disse Gatewood.

Os dois candidatos presidenciais norte-americanos elogiaram as virtudes dos cultivos amigáveis com o meio ambiente para ajudar os Estados Unidos a se afastar do petróleo importado, mas Scheffres acredita que o trabalho está sendo feito na fazenda Destiny sobre diferentes tipos de tecnologias energéticas limpas continuará independente de quem for eleito na votação do dia 4 de novembro. “Parte das razões para falar sobre tudo isto, estou certo, se deve às eleições presidenciais”, admitiu Scheffres. “Mas o preço do combustível faz com que as pessoas se voltem ao tema, e isso é uma coisa que todo mundo tem em comum”, concluiu. (IPS/Envolverde)

Mark Weisenmiller

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