COMÉRCIO-ÁFRICA ORIENTAL: Situação Difícil na Luta contra a Pobreza e a Fome

MOMBASSA, 22/10/2008 – (picture As bananas podem ser uma cultura de exportação valiosa. Crédito: Busani Bafana/IPS Discutivelment uma das frutas mais populares do mundo, as bananas estão a ser mal comercializadas como cultura comercial de mais-valia em África. Mas essa situação está prestes a mudar, visto que se está a conceber um plano que vai transformar a forma como África produz e vende bananas. Uma conferência de cinco dias organizada pelo Instituto Internacional de Agricultura Tropical (IITA) e pela Bioversidade Internacional, centrando-se na investigação sobre banana e banana plátano em toda a África, realizou-se na semana passada em Mombassa, segunda maior cidade do Quénia. As banana plátano são uma espécie de banana.

A conferência contou com a participação de mais de 400 delegados, incluindo produtores de banana, compradores, cientistas, funcionários governamentais, organizações de doadores e legisladores. Espera-se que elaborem um plano de 10 anos tendo por objectivo transformar a produção da banana em África. O plano abordará temas como cooperativas agrícolas; processamento e mais-valias; e sistemas de financiamento inicial.

As variedades feculentas de banana e banana plátano são um alimento de base em África, onde a maioria dos produtos é vendida nos mercados locais. Devido a limitações de marketing, é exportada uma quantidade muito pequena. As bananas proporcionam rendimentos, empregos e nutrição aos pequenos agricultores.

O Director-Geral do IITA, Peter Hartmann, afirmou que a conferência se realizava no contexto de uma crise alimentar global, representando uma oportunidade para que África contribubísse para o sistema alimentar mundial através de alternativas ao cereal, incluindo a banana, leguminosas, inhame e mandioca. São estas algumas das culturas distintas cultivadas em África.

"Devemos pegar neste problema e dar-lhe a volta para chegarmos a um resultado positivo,’’ disse Hartmann na conferência, acrescentando que, "o que esta crise significa é que o actual sistema alimentar que há décadas tem funcionado muito bem está a chegar ao fim. Não antevejo um mundo sem pobreza. Contudo, podemos reduzir os níveis de pobreza extrema. As bananas não vão resolver o problema mas podem contribuir para reduzi-lo substancialmente.’’

Citando a Zâmbia, os Camarões e o Gana como exemplos de regiões com sistemas de culturas alimentares variadas, Hartman declarou ser pouco provável que esses países conheçam a fome. A banana é uma cultura importante nestas zonas.

Embora as bananas rendam cerca de cinco mil milhões de dólares anualmente, apenas 13 por cento da produção mundial de cerca de 104 milhões de toneladas são comercializados, indicando que existe o potencial para que África expanda o comércio das bananas.

A África Oriental é uma das maiores regiões produtoras e consumidoras de banana no mundo, sendo o Uganda o segundo maior produtor depois da Índia.

"Os agricultores africanos produzem um volume e uma variedade incríveis de bananas, mas apenas uma pequena percentagem das bananas comercializadas em todo o mundo provêm de África,’’ referiu Steffen Abele, um economista junto do IITA. "O desafio consiste em determinar como é que África pode reivindicar uma porção maior do mercado de modo a canalizar dinheiro para os pequenos agricultores do continente.’’

Os participantes na conferência realçaram que a banana e a banana plátano são culturas importantes com grande potencial para alterar formas de sustento em África mediante melhores métodos de marketing, técnicas de gestão e mais-valias.

A inexistência de mercados, as mais-valias limitadas e as elevadas perdas pós-colheita são alguns dos principais factores que têm impedido o continente de aproveitar ao máximo as suas bananas e bananas plátano. A água e a nutrição do solo também têm constituído fortes limitações à produção da banana em todo o continente.

Alguns dos resultados da investigação apresentados durante as sessões temáticas na conferência da Banana 2008 revelam falta de capital, transportes inadequados, impostos e preços inconsistentes. Estes problemas limitam de forma significativa a possibilidade de os pequenos agricultores beneficiarem do crescente comércio transfronteiriço da banana entre países como o Ruanda, o Burundi e a República Democrática do Congo.

Os cientistas e agricultores que participaram na conferência estão também a discutir novos métodos de produção e técnicas de agricultura orgânicas, que irão ajudar os pequenos agricultores a ultrapassar as actuais e emergentes ameaças à produção, incluindo doenças das plantas, solo improdutivo e alterações climáticas.

Entre os desafios mais graves que a produção da banana em África enfrenta encontram-se doenças que provocam perdas de rendimento até 50 por cento. As xantomonas da banana atacam todas as variedades de banana, causando prejuízos anuais que ascendem a mais de 500 milhões de dólares na região da África Oriental e Central.

Uma rede mundial de produtores agrícolas está a desenvolver novas variedades de banana, destinadas aos agricultores africanos, que podem oferecer resistância às doenças e rendimentos mais elevados, ao mesmo tempo que satisfazem as preferências dos consumidores.

"A noção que as bananas representam uma fonte de riqueza importante, mas inexplorada, para os Africanos produziu na realidade uma resposta positiva,’’ asseverou Thomas Dubois do IITA e presidente da comissão organizadora da conferência.

Os debates também se têm centrado na forma como os investimentos no processamento da banana podem expandir as oportunidades de rendimento para os produtores de banana. Em África, os produtos feitos de banana incluem cerveja, vinho, molhos, esteiras, malas, envelopes, postais, farinha, sopa e cereais para o pequeno-almoço.

"A variedade incrível de conhecimentos técnicos e ideias partilhadas em Mombassa indica que existe um grande empenho em mudar a forma como as bananas são produzidas e comercializadas em África,’’ disse Richard Markham, director do programa mercadorias para sustento na Bioversidade Internacional.

"Estamos confiantes que desta conferência vai sair um plano de acção para 10 anos que permitirá aos produtores de banana em África utilizarem as suas culturas não só como forma de alimentarem as famílias mas também para saírem da pobreza.’’

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Busani Bafana

Busani Bafana is a multiple award-winning correspondent based in Bulawayo, Zimbabwe with over 10 years of experience, specialising in environmental and business journalism and online reporting.

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