ARCATA, Califórnia, 15/04/2009 – (Tierramérica)- O pacote de estímulo econômico norte-americano inclui US$ 500 milhões para criar milhares de “empregos verdes”, destinados a combater a contaminação, relata neste artigo exclusivo Mark Sommer.
O mantra dos “trabalhos verdes” agora aparece todo o tempo nos discursos do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e, recentemente, do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que fez um chamado para a criação de milhões destes empregos. Além disso, o pacote de estímulo econômico norte-americano contém US$ 500 milhões para a criação de milhares de empregos verdes. E a Casa Branca anunciou, no início de março, a nomeação de Jones como assessor em assuntos de “trabalho verde, iniciativas e inovação”. Ainda que Jones seja um dos mais eloquentes de seus defensores, a idéia de combinar renovação ambiental urbana com a erradicação da pobreza tem várias experiências em pequena escala desde há mais de uma década.
Na cidade de Chicago, dois programas do início da década de 90 prosperaram com objetivos semelhantes: Greencorps, patrocinado pelo governo da cidade, proporciona instrução em horticultura e empregos para jovens dos bairros pobres, enquanto Growing Home, uma organização sem fins lucrativos, dirige uma rede de fazendas que serve a uma clientela de baixa renda. Majora Carter, uma ativista que cresceu em uma favela de South Bronx, em Nova York, conseguiu sair desse lugar para se formar em uma escola de arte, mas depois retornou às suas raízes. Um dia, quando passeava com seu cachorro, descobriu que por trás de alguns prédios em ruínas ainda havia o Rio Bronx.
Com visão e determinação fundou a organização Sustainable South Bronx. Junto com uma equipe de ativistas do bairro conseguiu criar um parque com mais de meio hectare, o Hunts Point Riverside Park, o primeiro do que, ela espera, será um conjunto de áreas verdes nas áreas ribeirinhas. Este e outros projetos oferecem o que os analistas chamam de “prova de conceito” para uma estratégia que, se for amplamente aplicada, pode transformar não apenas os bairros com moradores de baixa renda, mas toda a economia norte-americana. Porém, levar essa estratégia a projetos de grande escala é outra coisa. A proposta de Jones é elegantemente simples: “Façamos a ponte entre as pessoas que mais precisam e os trabalhos mais necessários”. Entretanto, sua implementação apresenta muitas complicações.
Em uma economia em recessão, que deixou sem emprego milhões de profissionais especializados, o argumento de que deveríamos gastar preciosos fundos para fomentar a ocupação de jovens cronicamente desempregados e inexperientes não parece muito convincente. Mas Jones não se sente abalado por essas complicações. “É por isso que gosto do termo trabalhos verdes, já que serve para começar a discussão”, afirma. Embora a proposta possa ser eficaz para aliviar a pobreza e a contaminação ao mesmo tempo, é preciso otimizar os dois objetivos em uma única iniciativa política.
Jones compara a criação de uma série de projetos de economia verde que incluam marginalizados crônicos com a construção, décadas atrás, do sistema de auto-estradas interestaduais e com Internet. É verdade que essas foram inovações que favoreceram mudanças no sistema. Mas na época não foram apresentadas como iniciativas de justiça social e ambiental, mas como estratégias de segurança nacional, um argumento provavelmente vencedor, mesmo quando seus verdadeiros benefícios fossem, em grande parte, outros.
Em um nível mais profundo, Jones insiste que, como a economia, se o meio ambiente não servir igualmente a ricos e obres, não só materializa uma bancarrota moral como também semeia ira e amargura nos bairros degradados das cidades, com consequências mortais para a segurança dos cidadãos, como já ocorre em outros países. E este é um verdadeiro assunto de segurança nacional. “Algumas pessoas dizem que não podemos nos permitir a criação de trabalhos verdes, mas digo que não podemos nos permitir não fazê-lo”, afirma.
* O autor é colunista e diretor do premiado programa de rádio A World of Possibilities. Direitos reservados IPS.


