DESENVOLVIMENTO: Banco Mundial aumentará investimentos sociais

Washington, 23/04/2009 – O Banco Mundial planeja triplicar este ano e no próximo os fundos destinados a redes de segurança social em países pobres A soma de US$ 12 bilhões estará destinada aos mais vulneráveis à depressão econômica mundial. A iniciativa reflete a preocupação porque a atual crise está afundando na pobreza mais gente do mundo em desenvolvimento, revertendo êxitos obtidos na renda de mais de 1,4 bilhão de pessoas que vivem com o equivalente a US$ 1,25 por dia. O anúncio foi feito terça-feira às vésperas das reuniões anuais do Conselho de Governadores do Banco e do Fundo Monetário Internacional, que acontecem no próximo final de semana.

“Um mundo que não aprende a história está condenado a repeti-la”, disse o presidente do Banco Roberto Zoellick. “Embora à reunião do G-20 tenha se centrado em questões financeiras, precisamos aprender com a história de crises passadas, quando os governos faziam cortes nos programas sociais, frequentemente com impactos devastadores sobre os pobres”, acrescentou. “A maior parte da atenção na atual crise se centra nos países industrializados, onde a população enfrenta perda de suas casas, seus bens e seu trabalho. Estas são dificuldades reais. Mas, os habitantes dos países em desenvolvimento têm muito menos que um colchão: nenhuma economia, nenhum seguro, nenhum benefício pelo desemprego e normalmente nenhum alimento”, disse Zoellick.

Como parte da nova iniciativa, o Conselho Executivo do Banco aprovou elevar de US$ 1,2 bilhão para US$ 2 bilhões o fundo de seu mecanismo de financiamento rápido para alimentos. Há menos de um ano a instituição abriu essa via como parte de um Programa de Reposta à Crise Mundial dos Alimentos, criado para enfrentar o grave aumento nos preços da comida entre 2007 e meados de 2008. Até agora, o Banco comprometeu US$ 1,180 bilhão em projetos em 36 países dentro desse fundo de via rápida.

“O cenário econômico de risco, combinado com a contínua volatilidade dos preços dos alimentos, significa para os pobres que a crise alimentar está longe de ter acabado”, disse a diretora-gerente do Banco, Ngozi Okonjo-Iweala. “Muitos países pobres não se beneficiaram de certa moderação nos aumentos dos preços da comida nos mercados mundiais. A decisão de expandir o mecanismo ajudará a garantir a implementação de medidas rápidas para ajudar os países”, acrescentou.

No mês passado, o Banco Mundial divulgou suas últimas projeções sobre a profundidade e duração da crise econômica. No documento prevê que em 2009 o produto bruto mundial se contrairá em 1,9%, pela primeira em décadas, e que 2010 não oferecerá muita melhora. A maior parte da contração econômica deste ano será nas nações industrializadas, cujo produto interno bruto deverá cair 3%, segundo a última edição de Perspectivas Econômicas Mundiais” divulgada pela instituição em março.

Mas os países pobres também serão muito prejudicados. Seu crescimento geral cairá de quase 6% em 2008 para apenas 2% neste ano. Globalmente, estima-se que mais 53 milhões de pessoas deverão subsistir com menos de US$ 1,25 por dia, disse o Banco. A produção industrial já caiu 15% desde o início da crise, enquanto o comércio de bens e serviços cairá 6,1% em 2009, afirmou Hans Timmer, diretor de Tendências Mundiais no Grupo de Análises das Perspectivas de Desenvolvimento, do Banco Mundial. Embora as economias especializadas na produção de bens de capital – principalmente, Japão, Alemanha e Taiwan – tenham sido muito golpeadas, os paises que dependem das exportações de matérias-primas, que inclui muitos dos mais pobres, também sofreram muito e é improvável que tenham uma rápida recuperação. É provável que o preço do petróleo se mantenha em algo acima de 50% de seus valores de 2008, com média de US$ 47 o barril em 2009, enquanto para os preços de matérias-primas não-petroleiras se prevê uma queda superior a 30% em comparação com o ano passado.

A contração econômica dos países em desenvolvimento será particularmente severa na Europa e Ásia Central, onde o crescimento do PIB passaria de 42% em 2008 para menos de 2% neste ano. América Latina e Caribe também terão crescimento reduzido, de apenas 0,6% este ano, contra 4,2% em 2008, com México e Argentina entre os mais afetados, segundo o informe. Oriente Médio e África do Norte serão os menos afetados pela crise, pois as projeções de crescimento para 2009 se ajustarão em apenas três décimos, passando de 3,3% para 3%. Na África subsaariana, o crescimento do PIB, que foi de quase 5% em 2008, cairia para 2,4% este ano, o que não acompanhará o crescimento demográfico. “Se a economia mundial continuar se deteriorando, a pressão sobre os países africanos será enorme”, disse Justin Yifu Lin, economista-chefe do Banco Mundial.

Para o período 2009-1020, os investimentos em segurança social do Banco aumentarão para US$ 12 bilhões, quando foram mais de US$ 4 bilhões no biênio anterior à crise. A quantia inclui programas de resposta social rápida e transferências condicionadas de dinheiro, sob a forma de subvenções às famílias que enviarem seus filhos à escola e os submeterem a controles médicos regulares. Segundo Zoellick, o aumento de investimentos nos programas de segurança social é efetivo tanto no estímulo do gasto como na proteção dos pobres a um custo relativamente baixo, normalmente inferior a 1% do PIB de um país.

A organização humanitária Oxfam Internacional apóia a medida do Banco, mas expressou sua preocupação pelos fundos que forem desviados de outros programas importantes, ou que o Banco imponha condições para seu desembolso. “Damos as boas-vindas ao anúncio, mas queremos garantias de que seja dinheiro novo, não um desvio de compromissos existentes. Também gostaríamos que essa assistência não incluísse condições econômicas prejudiciais”, disse Marita Jutjes, assessora política da Oxfam. O dinheiro deveria ser entregue em termos especiais, para que os empréstimos “não se somem à carga de dívida dos países”, acrescentou. IPS/Envolverde

Marina Litvinsky

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