SRI LANKA: Cresce a condenação internacional à guerra

Nova York, 18/05/2009 – Enquanto a crise humanitária no Sri Lanka se agrava, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, enviou um de seus mais altos funcionários para avaliar a situação na zona de guerra, onde centenas de civis são assassinados pelas forças rebeldes e do governo. O chefe de gabinete de Ban, Vijay Nambiar, prevê realizar sua segunda visita ao país para convencer o governo da necessidade de resgatar os estimados 50 mil civis usados com escudos humanos pelo grupo rebelde Tigres para a Libertação da Pátria Tamil-Eelam (LTTE), considerado terrorista por vários países, incluindo os Estados Unidos. O proscrito grupo rebelde lutou por um Estado tamil independente nas conflitivas províncias do norte e leste desde o final da década de 70, no que foi um dos mais longos conflitos armados da Ásia.

Enquanto isso, na quarta-feira, os 15 membros do Conselho de Segurança se reuniram pela terceira vez (as duas últimas reuniões foram informais) para discutir a crise, desta vez divulgando a primeira “declaração oficial e escrita” (não vinculante) condenando a violência e os assassinatos no Sri Lanka. O presidente do Conselho, o embaixador russo Vitaly Churkin, denunciou as ações violentas tanto dos rebeldes quanto do governo nacional, exigindo de “todas as partes respeito de suas obrigações sob o direito humanitário internacional”.

A declaração de imprensa especificamente exige que o “LTTE abandone as armas e permita que partam dezenas de milhares de civis que ainda estão na zona de conflito”. Além disso, exorta o governo do Sri Lanka a “dar os passos necessários para facilitar a retirada dos civis e o urgente envio de ajuda humanitária”. Centenas de civis foram assassinados no último fim de semana, incluindo mais de cem crianças, segundo Gordon Weiss, porta-voz da ONU no Sri Lanka, e pelo menos outras 50 pessoas ficaram feridas quarta-feira no ataque a um hospital lotado.

Algumas agências informaram que foi usada artilharia pesada no nordeste, e na Zona de Exclusão de Disparos (zona segura), onde 50 mil civis estariam encurralados. Segundo a Anistia Internacional, cerca de sete mil civis morreram e 13 mil ficaram feridos desde o começo deste ano. A Anistia desatacou a dificuldade para obter informações sobre a atual situação no Sri Lanka, descrevendo-a como “uma guerra sem testemunhas. O governo impede os jornalistas de chegarem à região de conflito e intimidou os editores ou críticos que informam sobre a crise humanitária”, disse Yolanda Foster, pesquisadora da Anistia no Sri Lanka.

Na segunda-feira, oito membros do Conselho de Segurança reuniram-se para a primeira entrevista informal entre funcionários da ONU e organizações não-governamentais para discutir o agravamento da violência no final de semana. Os ministros de Assuntos Exteriores da Áustria, Michael Spindelegger; Bernard Kouchner, da França, e David Miliband, da Grã-Bretanha, participaram da reunião após voltarem de Sri Lanka sem nenhum resultado positivo para reduzir a violência. Depois do encontro, Spindelegger destacou três pontos principais: libertar as pessoas da atual pequena área onde estão encurralados e preparar possíveis negociações.

Os três ministros expressaram o apoio de seus países ao governo do Sri Lanka e ao seu povo para alcançar um acordo de paz. “Temos claro que este é um tema que o Conselho de Segurança da ONU deve enfrentar. Envolve uma grande perda de civis”, disse Miliband. Apesar da ênfase dos chanceleres na importância de colocar a questão na agenda do Conselho de Segurança, algumas nações, como China e Rússia, se opõem a ações firmes por causa de seus interesses econômicos e militares com o governo do Sri Lanka, impedindo a ONU de tomar qualquer atitude significativa além de apoio humanitário.

Pelo menos outros dois países, Líbia e Vietnã, também tomaram a posição de que o conflito é interno e não requer a intervenção do Conselho de Segurança. A Anistia divulgou uma carta dirigida ao Conselho e ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, exortando-os a tomarem ações imediatas e “falar contra o indiscriminado assassinato de civis”. O Conselho de Segurança “deve se reunir sem demora para discutir os últimos acontecimentos perturbadores e imediatamente exigir que sejam detidos os ataques do exército e do LTTE”, bem como demandar que esse grupo rebelde “permita aos civis deixarem a área e que o governo forneça um acesso imediato aos supervisores internacionais e às agências humanitárias”, diz a carta.

Tratando o tema pela primeira vez em entrevista coletiva, na quarta-feira, o presidente Obama alertou que, “sem uma ação urgente, esta crise humanitária pode se converter em uma catástrofe”. O presidente norte-americano exortou os Tigres a “deporem as armas e deixar os civis partirem”, mas acrescentou que “o governo deveria deter os disparos indiscriminados que ceifaram centenas de vidas inocentes, e afetaram vários hospitais, e cumprir sua promessa de não usar armas pesadas na zona de conflito”. Obama também chamou o governo a permitir acesso aos equipamentos humanitários da ONU para que cheguem aos civis cercados e, ainda, que permita aos trabalhadores da Cruz Vermelha atender os quase 190 mil refugiados. IPS/Envolverde

Correspondentes da IPS

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