DESENVOLVIMENTO: Mais do que uma frente comum para o Sul

Johannesburgo, 24/09/2009 – Os grandes países em desenvolvimento se preparam novamente para demonstrar unidade em questões-chave perante os líderes do Grupo dos 20 países industrializados e emergentes, que se reunirão amanhã e depois na cidade norte-americana de Pittsburgh. Mas a solidariedade Sul-Sul parece precisar mais do que somente uma frente comum nas cúpulas internacionais. O desafio é conseguir um fortalecimento real de seus vínculos comerciais e políticos. Uma grande prova para isto é o grupo IBSA, que reúne Índia, Brasil e África do Sul, que são as maiores democracias do Sul.

Muitos acreditam que este grupo tem melhores probabilidades de consolidação real do que o BRIC, que reúne Brasil, Rússia, Índia e China, e que é visto mais como uma coalizão estratégica de negociação do que como um bloco sólido de economias rapidamente emergentes. “Creio que o IBSA é uma associação de países construída sobre uma realidade muito sólida”, disse à IPS o ministro de Comércio e Indústria da África do Sul, Ron Davies.

“Somos os maiores países em desenvolvimento em diferentes continentes, e temos uma serie de acordos de cooperação, o que, pelo menos para a África do Sul, tem um significado real”, acrescentou Davies. Mas, em meio ao seu entusiasmo por novos vínculos Sul-Sul, reconhece que isto apenas está começando. “Creio que há muito trabalho pela frente para consolidar e aprofundar o IBSA. E essa é uma de nossas verdadeiramente significativas prioridades aqui na África do Sul”, ressaltou.

No momento, o sentimento imediato de apresentar um único rosto de negociação é mais claro do que as futuras dimensões da iniciativa trilateral “Até certo ponto, creio que o IBSA é um espécie de ideia romântica, no sentido de que para aproximar os três países através de vínculos aéreos e marítimos comuns existe um longo caminho”, afirmou o professor Stephen Gelb, diretor-executivo do The Edge Institute, centro independente de políticas econômicas com sede em Johannesburgo.

“Creio que há uma grande perspectiva de alianças políticas em fóruns multilaterais como a Organização Mundial do Comércio ou a Organização das Nações Unidas, mas os vínculos de fato entre os três países são mais para o futuro”, acrescentou Gelb. E essa aproximação, segundo Gelb, não acontecerá em reuniões políticas, mas nas salas de direção das empresas. Os vínculos empresariais “ajudarão a construir o ideal do IBSA mais do que qualquer outra coisa”, afirmou. “Os negócios se encontram quando necessário. Descobrem mercados que ajudam a criar vínculos e que depois se traduzem em uma expressão política”, ressaltou. Os três países precisam de mais comércio entre si, e atividades conjuntas em terceiros mercados, disse Gelb.

Uma instância ideal para isto pode ser o acordo de fusão que é negociado entre as duas grandes companhias de telecomunicações Bharti, da Índia, e MTN, da África do Sul, com o qual buscam criar um conglomerado de aproximadamente U$ 23 bilhões com 200 milhões de usuários. A empresa que surgir forneceria seus serviços na África, no mundo árabe e na Ásia, e já se fala em também estendê-la à América Latina, onde o Brasil, o terceiro pilar do IBSA, tem potencial para se converter em grande mercado. Mas, há outros vários acordos em preparação entre companhias dos três países, e o comércio trilateral cresce rapidamente.

A quarta cúpula do IBSA foi realizada no começo deste mês em Brasília. Em dias anteriores ao encontro, o chanceler indiano, S. M. Krishna, destacou as oportunidades comuns dos três países, bem como as ameaças que enfrentam diante da crise financeira internacional. A crise condenará à pobreza por mais uma geração milhões de pessoas no Sul, disse o ministro.

O grupo IBSA agora examina vias para abrir oportunidades para alem das três nações. Funcionários governamentais exploram vínculos comerciais entre Índia e Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai), bem como com a União Aduaneira da África do Sul Austral. Os três países têm um produto interno bruto de aproximadamente US$$ 3,2 trilhões, segundo funcionários de governo. Uma forma de vencer a crise é que estas três nações venderem mais entre si. O chanceler Krishna e seu colega Celso Amorim, e Maite Nkoana-Mashabane, da África do Sul, estabeleceram como meta que o comércio entre os três países chegue aos US$ 25 bilhões até 2015. No ano passado, o intercâmbio trilateral foi de US$ 10 bilhões. IPS/Envolverde

Sanjay Suri

Sanjay Suri has been chief editor since December 2009. He was earlier editor for the Europe and Mediterranean region since 2002. His responsibilities through this period included coverage of the Iraq invasion and the conditions there since. Some other major developments he has covered include the Lebanon war and continuing conflicts in the Middle East. He has also written for IPS through the period on issues of rights and development. Prior to joining IPS, Sanjay was Europe editor for the Indo-Asian News Service, covering developments in Europe of interest to South Asian readers, and correspondent for the Outlook weekly magazine. Assignments included coverage of the 9/11 attacks from New York and Washington. Before taking on that assignment in 1990, he was with the Indian Express newspaper in Delhi, as sub-editor, chief sub-editor, crime correspondent, chief reporter and then political correspondent. Reporting assignments through this period included coverage of terrorism and rights in Punjab and Delhi, including Operation Bluestar in Amritsar, the assassination of Indira Gandhi and the rioting that followed. This led to legal challenge to several ruling party leaders and depositions in inquiry commissions. Other assignments have included reporting on cases of blindings in Rajasthan, and the abuse of children in Tihar jail in Delhi, one of the biggest prisons in India. That report was taken as a petition by the Supreme Court, which then ordered lasting reforms in the prison system. Sanjay has an M.A. in English literature from the University of Delhi, followed by a second master’s degree in social and organisational psychology from the London School of Economics and Political Science. He has also completed media studies at Stanford University in California. Sanjay is author of ‘Brideless in Wembley’, an account of the immigration experiences of Indians in Britain.

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