MUDANÇA CLIMÁTICA: Especialistas exigem liderança dos Estados Unidos

Washington, 13/10/2009 – Um grupo de especialistas dos Estados Unidos cobrou que a luta contra o desmatamento seja prioridade nas políticas sobre mudança climática e pediu ao governo do Presidente Barack Obama que assuma a liderança. A bipartidária Comissão sobre Clima e Florestas Tropicais, integrada por representantes do governo, do setor privado, da ciência e da sociedade civil, apresentou seu informe intitulado “Proteger as florestas climáticas: Porque reduzir o desmatamento tropical é de vital interesse nacional para os Estados Unidos”. O trabalho enumera as mudanças que devem ser incorporadas à política norte-americana para impedir ocatastrófico aquecimento global.

A Comissão propõe um amplo plano inicial para reduzir as emissões derivadas do desmatamento e da degradação, através de associações internacionais e incentivos de preservação para as nações em desenvolvimento. O plano sugere destinar US$ 1 bilhão até 2012 para reduzir o desmatamento nos países pobres, e mais US$ 14 bilhões anuais até 2020. Pelo menos dois terços deste financiamento proposto procederão de fontes privadas.

“Reduzir o desmatamento é a opção mais rentável de todas as ações para diminuir as emissões de carbono. Precisamos proteger nossas florestas. Nosso futuro comum depende disso”, afirmou John Podesta, copresidente da Comissão e presidente do Centro para o Progresso Norte-americano. O informe apresentado na quarta-feira é o último de uma série de esforços para influenciar os políticos de Washington antes da 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que acontecerá de 7 a 18 de dezembro em Copenhague.

O Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC), vinculado à Organização das Nações Unidas, disse que o desmatamento responde por 17% das emissões anuais de carbono, quase o mesmo que as emissões do setor de transporte no mundo. A Comissão concluiu que deter o desmatamento será mais efetivo e menos caro do que transformar o transporte mundial. “Se não agirmos agora, e de maneira efetiva, reduziremos a demanda de uma ação mais cara em uma data posterior”, disse Thomas Pickering, ex-embaixador dos Estados Unidos na ONU.

No documento consta como fundamental a recomendação para a criação de um programa interno de comercialização de créditos de carbono que estenda permissões de emissão de gases contaminantes em troca de investimento em programas internacionais de redução de emissões. A Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovou um programa interno deste tipo e um projeto semelhante espera por aprovação no Senado, mas seus defensores não estão certos de que isso será conseguido antes da reunião na capital da Dinamarca. “Precisamos ir às negociações internacionais com uma posição forte, mas, o que é mais importante, necessitamos agir agora”, afirmou Podesta.

Os compromissos internos são vistos como passos cruciais para criar apoio para um contexto global sobre mudança climática. Em Washington esta sendo gerado um impulso para uma implementação das políticas climáticas. Barack Obama assinou na segunda-feira uma ordem executiva para que as agências federais controlem as emissões de gás de efeito estufa e estabeleçam objetivos para reduzir suas emissões até 2020. À ordem executiva da Casa Branca seguiu-se a divulgação de um estudo, na terça-feira, indicando que uma maior eficiência energética, o aproveitamento das energias renováveis, a conservação florestal e o uso sustentável da terra em todo o mundo podem conseguir até 75% da redução necessária para as emissões mundiais até 2020, permitindo economizar US$ 14 bilhões.

Após décadas de marginalização no cenário político dos Estados Unidos, o ambientalismo agora é reconhecido como um aspecto importante da segurança nacional, bem como uma oportunidade para que Washington recupere a iniciativa de fixar prioridades para a comunidade internacional. As empresas norte-americanas participam com intensidade no cada vez mais lucrativo mercado da “economia verde”. Os principais emissores de gás estufa, como as companhias aéreas, as empresas de energia e os fabricantes de caminhões, competem para se mostrarem respeitosos do meio ambiente.

Mas, as iniciativas políticas ficaram relegadas em relação aos esforços da sociedade civil. A resistência do lobby industrial e da Câmara Norte-americana de Comércio frequentemente é um obstáculo à adoção de normas ambientais. As críticas mais duras a este tipo de regulamentação procedem de quem está preocupado com seu eventual impacto econômico. Segundo os críticos, os programas de crédito de carbono inibiriam a recuperação econômica. Entretanto, o informe da Comissão trata diretamente dessas preocupações.

“Está muito claro que este é um grupo conservador no tocante ao setor fiscal”, disse Nigel Purvis, diretor-executivo da Comissão e presidente da Climate Advisors. Ao considerar as recomendações do relatório, “a rentabilidade foi chave”, acrescentou. As florestas são importantes fontes de captura de carbono. As árvores absorvem dióxido de carbono na medida em que crescem e o liberam quando morrem. Estima-se que as florestas do mundo contenham 283 gigatoneladas de carbono, mais do que a atmosfera terrestre. Os cientistas calculam que por ano são perdidos 3% da área florestal de todo o planeta. IPS/Envolverde

Zach Rosenberg

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