ENERGÍA-ESPANHA: Energia eólica vai de vento em popa

Madri, 10/11/2009 – A produção energética por turbinas eólicas marcou no último domingo um novo destaque na Espanha, ao atender o recorde de 53% da demanda de eletricidade no país em parte do dia, segundo dados oficiais divulgados ontem. O recorde se manteve durante cinco horas e meia, um registro semelhante ao constatado na quarta-feira e quinta-feira da semana passada, quando se manteve nesse lapso de tempo em cada dia atendendo mais de 40% da demanda. José Donoso, presidente da Associação Empresarial Eólica, recordou aos jornalistas que em 2004 lhe diziam que essa energia não iria superar 14% das necessidades, mas, agora, diante do ocorrido, acredita que em 2020 poderá estar em torno dos 40 mil megawatts, ou seja, quase quatro vezes o registrado no domingo. Curiosamente, o fato de essa grande quantidade de energia ser produzida em domingos não é muito positivo, já que a produção pode estar acima da demanda e, nesse caso, como ocorreu em novembro de 2008, as empresas elétricas são obrigadas a desligar os moinhos eólicos. Mas, atualmente deve-se destacar que a maior produção de energia eólica se manteve durante os cinco primeiros dias de novembro, chegando a 913.251 gigawatts/hora, superando a produzida pelo ciclo combinado de gás, que foi de 907.894 GW/h, e a nuclear, de 593.553 GW/h. Uma questão muito interessante, mas que a Espanha não está à frente, é a transmissão de energia excedente de um país a outro. Um exemplo é a Dinamarca, que, se um dia produz mais do que precisa, pode exportar o excedente para sua vizinha Alemanha, a qual, ao contrário, pode receber desse país a energia que vai consumir. A Espanha, porém, tem apenas uma capacidade de interconexão de 3% com a França, de onde provém a maior demanda. Além disso, possui dois cabos submarinos que a conectam com Marrocos e um por terra que a liga com Portugal, de intensidade muito baixa. Este país prevê há anos aumentar sua interligação com a França antes de 2014, mas as obras não começaram e é difícil começarem, já que as organizações ecológicas se opõem a elas por considerá-las prejudiciais para o meio ambiente. O presidente da empresarial Rede Elétrica da Espanha, Luis Atienza, disse que “as pessoas sabem que sem trilhos não se pode ter trem de alta velocidade, mas não se dão conta de que sem linhas elétricas não pode haver energias renováveis e que essas linhas são o mal menor e a forma de cumprirmos nossos compromissos ambientais e nossa política energética”. Nesse contexto estão sendo organizados atos para comemorar nesta quarta (11/11) o Dia Eólico, os quais acontecerão em Castilla e León, uma das 17 comunidades autônomas que integram a Espanha. Essa comunidade está na primeira linha na produção de energia eólica no país, seguido por Castilla-La Mancha e Galicia. Castilla e León conta atualmente com 161 parques eólicos, depois de ter investido na instalação mais de cinco bilhões de euros (US$ 7.500 bilhões). O ato desta quarta será realizado sob o lema “Rumo a um novo modelo energético”, incluindo uma série de debates e mesas de trabalho para analisar não somente a atualidade eólica dessa comunidade, mas também a de toda a Espanha. Em Castilla e Leon há 450 empresas vinculadas à energia eólica que empregam cinco mil pessoas. Fontes governamentais espanholas confirmaram que colocarão em marcha um plano para desenvolver mais projetos de energias renováveis, que incluiria dois mil megawatts para as termosolares e de três a quatro mil para as eólicas. Porém, também foi informado que o Ministério da Indústria manterá as subvenções para uma parte dos pedidos que forem apresentados para ajudar a financiar essas instalações, mas que está sendo elaborado um projeto de lei que reduzirá essa ajuda a partir de 2010. Fontes ministeriais consultadas pela IPS não confirmam nem desmentem essas previsões. Uma das comunidades autônomas que marca rumos em energias renováveis é a Galicia, cujo governo é presidido por Alberto Núñez Feijóo, do Partido Popular, de centro-direita. Atualmente, 64% da energia consumida nessa comunidade procedem de energias renováveis. O governo local aprovou orçamento de 26 milhões de euros (cerca de US$ 40 milhões) para que até 2015 95% da eletricidade consumida nessa comunidade sejam gerados em fontes limpas. Esse dinheiro vai subsidiar até 40% do custo das novas instalações. A Espanha impulsiona também a produção energética limpa em outras nações, podendo-se destacar a Venezuela, país conhecido por seu grande papel na indústria do petróleo. Nesse país, empresas espanholas construirão quatro parques eólicos que estarão localizados em La Guajira, Isla de Coche, Isla Margarita e Chacopata, com investimento de 90 milhões de euros (US$ 135 milhões). (IPS/Envolverde)

Tito Drago

Tito Drago es corresponsal de IPS en Madrid. Periodista y consultor especializado en relaciones internacionales, nació en Argentina y vive en España desde 1977, tras su paso por varios países latinoamericanos y europeos. En 1977 abrió la primera corresponsalía de IPS en España y en 1978 se trasladó a la sede mundial de la agencia en Roma para reestructurar la jefatura de redacción. Es escritor y conferencista. Fue presidente del Club Internacional de Prensa de España, del que es presidente honorario desde 1999. También presidió la Asociación de Corresponsales de Prensa Extranjera (ACPE). Entre 1989 y 2008 fue director general de la agencia de comunicación y editora Comunica, de la revista Mercosur y de los libros y los sitios web de las Cumbres Iberoamericanas de Jefes de Estado y de Gobierno. Desde 1992 dirige el portal sobre la Actualidad del Español en el Mundo.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *