JORNALISMO-EUA: Afeganistão foi a principal noticia de 2009

Wsas, 11/01/2010 – O Afeganistão foi o assunto que dominou a cobertura internacional nas três principais redes de televisão dos Estados Unidos em 2009, segundo a edição anual do Informe Tyndall. Apesar da contínua presença de mais de cem mil soldados norte-americanos no Iraque, o Afeganistão recebeu cobertura quatro vezes maior (um total de 735 minutos) nos noticiários noturnos de 30 minutos das redes de TV abertas ABC, CBS e NBC, principais fontes de noticias nacionais e internacionais para a maioria dos habitantes dos Estados Unidos.

Além disso, apesar de sua importância para a economia norte-americana e sua posição estratégica mundial, Europa e Ásia Pacífico, com exceção da Coreia do Norte, estiveram praticamente ausentes em 2009 da pauta de notícias dessas redes, bem com América Latina e África, segundo o informe. E apesar da expectativa pela 15ª Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-15), realizada no mês passado em Copenhague, as três emissoras dedicaram apenas 76 minutos ao problema do aquecimento global.

O informe conclui que as notícias internacionais transmitidas por essas redes (cerca de 3.750 minutos, no total) constituíram um quarto dos aproximadamente 15 mil minutos de toda a cobertura no ano. Cada noticiário de meia hora, interrompido várias vezes por comerciais, na realidade tem 22 minutos de notícias. Por pequena que seja a porcentagem, representa um crescimento em relação aos 18% que os noticiários dedicaram a assuntos internacionais em 2008. Esse ano foi dominado pela campanha presidencial, que recebeu 25% de toda a cobertura, e pela crise financeira que estourou em setembro.

A porcentagem de 2008 foi a menor desde que o informe foi divulgado pela primeira vez em 1988, e é parte de uma tendência para baixo na cobertura de notícias internacionais que começou com o fim da Guerra Fria e que foi, brevemente, interrompida entre os atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington e a invasão do Iraque em 2003. A agenda de notícias em 2009 “esteve completamente dominada pela economia interna, o que não surpreende, devido à gravidade da recessão”, disse à IPS o editor do informe, Andrey Tyndall. “Por outro lado, havia um espaço vazio de cobertura que antes era dedicado às eleições de 2008 e que ficou disponível para outras notícias, mas apenas uma minoria desse vazio foi dedicada à cobertura internacional”, acrescentou.

Estima-se em cerca de 23 milhões os norte-americanos que veem as notícias da noite. Embora as redes por cabo, especialmente CNN, Fox News e MSNBC, tenham aumentado sua audiência de forma importante, o número de pessoas que assistem os telejornais na TV aberta é cerca de 10 vezes maior. Uma pesquisa de setembro de 2008, elaborada pelo Centro de Pesquisas Pew para o Público e a Imprensa, concluiu que aproximadamente 71% dos norte-americanos dependeram da televisão como principal fonte de informação, mais do que o dobro dos que se voltaram para os jornais e 30% a mais do que os que usaram a Internet.

Em 2008, a economia foi a principal notícia, com quase 2.800 minutos, ou cerca de 20% de toda a cobertura. Em seguida estiveram os temas médicos, desde o debate no Congresso sobre a reforma do sistema de saúde até a gripe A/H1N1, com um total de 1.900 minutos, ou 13% do total. Nos dois casos houve aproximadamente o dobro de atenção em 2009 do que na média entre 1988 e 2008, segundo o informe. Nos assuntos internacionais, o Afeganistão dominou a lista no ano passado com 735 minutos, ou 5% de toda a cobertura de notícias. Em seguida esteve o Irã com quase 250 minutos, com cerca de dois terços dedicados às eleições de junho e à posterior crise, e o restante à controvérsia sobre o programa nuclear de Teerã.

O Iraque, que já foi de longe a principal notícia internacional na última década, segundo um estudo de 10 anos divulgado por Tyndall, caiu para terceiro lugar em 2009 com 159 minutos no total. O conflito israelense-palestino ficou em quarto com 132 minutos, 102 deles dedicados à operação Chumbo Derretido contra Gaza. O Paquistão, incluindo suas relações com o Afeganistão e os esforços para deter os líderes da rede Al Qaeda, recebeu quase a mesma quantidade de cobertura. Os piratas do litoral da Somália ficaram em sexto lugar com 112 minutos, bem acima de outra notícia relacionada à África: a limpeza étnica na região sudanesa de Darfur, que recebeu apenas 15 minutos.

A Coreia do Norte teve 99 minutos de cobertura, sendo 50 deles dedicados à crise das duas jornalistas presas na fronteira coma China e libertadas após a visita a Pyongyang do ex-presidente Bill Clinton. A guerra contra o narcotráfico no México, a principal notícia relacionada com a América Latina, ficou em oitavo lugar com 84 minutos. A devastação causada pelo furacão Ida em El Saslvador foi a segunda notícia latino-americana com maior cobertura, com 14 minutos. Em nono lugar ficou a mudança climática, com 76 minutos, dobro da medida de cobertura anual que este assunto recebeu na última década. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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