Economia: Governo chinês freia exportação maciça de aço

Pequim, 17/05/2005 – Após impulsionar por longos anos o mercado mundial do aço com suas volumosas importações, a China se prepara para um novo papel como exportador de aço, que pode converter a escassez do produto em excesso de oferta e deprimir seus preços regionais e mundiais. A produção de artigos de aço chineses este ano vai superar o consumo, o que aumentará as exportações e causará o acúmulo de reservas, alertam observadores. Planejadores econômicos chineses temem que os produtores nacionais sejam culpados pela depressão dos preços e quebra de empresas na medida em que esses produtos começarem a fluir no mercado internacional.

Por esta razão, lançaram medidas para frear essas exportações e esfriar a superaquecida economia nacional, preparando-se para um super estoque de aço no mercado mundial até o fim do ano. A partir do próximo dia 19, o governo proibirá que fábricas nacionais elaboram produtos de aço para clientes estrangeiros com mineral de ferro importado. "A medida está de acordo com os controles macroeconômicos e as políticas de desenvolvimento industrial relacionadas", explicou o Ministério do Comércio. Atualmente, o comércio de ferro e aço processados na China está livre de tarifas alfandegárias e impostos sobre valor agregado.

A proibição do processamento de ferro e aço é a terceira medida consecutiva adotada por Pequim em menos de dois meses para frear as exportações de aço, comentou o jornal The China Daily. No dia 1º de abril, a China eliminou uma redução de impostos de 13% sobre as exportações de barras de aço, e também reduziu taxas sobre as exportações de certos produtos de aço de 13% para 11%, em 1º de maio. Executivos da indústria também pretendem impedir que pequenos produtores e importadores comprem no exterior mineral de ferro, aparentemente para fortalecer sua posição negociadora junto a exportadores estrangeiros que se aproveitam da enorme demanda chinesa dessa matéria-prima e aumentam seus preços.

A China, que na última década registrou um impressionante crescimento econômico, depende fortemente das importações de ferro, por isso o aumento dos preços das importações fez crescer a pressão financeira sobre as siderúrgicas. Em 2004, o país substituiu o Japão como o maior importador de ferro do mundo, ao comprar 208 milhões de toneladas, contra 70 milhões em 2000. As três maiores exportadoras mundiais de ferro (BHP Billiton, Rio tinto e Vale do Rio Doce) aumentaram os preços de suas vendas para a China em 715%. A Baoesteel, maior fábrica chinesa de aço, que também negocia representando outras empresas, aceitou o aumento ainda que isso implique pagar tanto quanto os fabricantes japoneses.

Especialistas da indústria estimam que existem atualmente 40 milhões de toneladas de ferro acumuladas em portos chineses, por não haver meios de transporte disponíveis para levá-las continente adentro. "Devemos reverter a atual tendência de aumentar as exportações de aço, porque os únicos beneficiados são os exportadores (estrangeiros) de ferro", afirmou Mei Xinyu, funcionário do instituto de pesquisa do Ministério do Comércio. No futuro, somente as empresas de aço com capacidade superior a um milhão de toneladas e as firmas comerciais com capital registrado de 10 milhões de yuans (US$ 1,2 milhão) poderão importar ferro. Prevê-se que as novas normas reduzirão o número de importadores de ferro de 523 para umas poucas dezenas. Diante da forte competição interna, as fábricas menores não poderão comprar o mineral e se verão de fora do negócio. (IPS/Envolverde)

Antoaneta Bezlova

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