Haiti: Ninguém esperava que “fosse dos grandes”

Porto Príncipe, 20/01/2010 – Marjorie Louis estava sentada em sua cozinha jantando quando sentiu sua casa balançar, mas não se levantou. “Não pensei que seria tão forte e fiquei esperando que parasse. Mas me dei conta de que não passaria, e finalmente decidi deixar a mesa, mas simplesmente não conseguia”, contou Marjorie, uma vendedora que vive em Delmas. “Olhei pela janela e vi uma enorme nuvem de poeira e comecei a ouvir meus filhos gritarem”, acrescentou. Apesar de tudo, ela está entre as pessoas de sorte, pois sobreviveu a um terremoto que matou dezenas de milhares de haitianos. Poucos dias depois de finalizados os tremores, as histórias de sobrevivência, morte e destruição começam a percorrer este país caribenho e montanhoso de aproximadamente nove milhões de habitantes. Sua história é semelhante à de outros milhões, depois que Porto Príncipe foi açoitada por um terremoto de sete graus na escala Richtern no dia 12 deste mês. Milhares de pessoas morreram e ficaram presas sob os escombros pela mesma razão: no momento não pensaram que o tremor fosse tão intenso. Para os haitianos, os pequenos tremores se tornaram comuns nos últimos anos. Nunca imaginaram uma catástrofe como esta.

“Agora sei que não sair de casa e fazer minha família sair correndo foi um erro. Me sinto tão vazia e impotente”, disse Marjorie. Outras seis pessoas da mesma casa estão salvas. Felizmente puderam sair. Segundo um médico haitiano, “existe uma regra dos cinco segundos. Se você contar até cinco e continuar tremendo, a coisa é séria”, explicou. Lamentavelmente, este terremoto durou mais do que cinco segundos e, quando uma pessoa terminou a contagem já era muito tarde para escapar.

Lyvee Memon acabava de chegar em casa de um funeral na igreja do Sagrado Coração, prédio histórico que ficaria completamente destruído. Ela estava na sala da sua casa quando o terremoto começou. Não podia acreditar que fosse real, e preferiu esperar que passasse, até que as paredes da casa caíram em volta dela, que sobreviveu, mas ficou presa entre os escombros. “Consegui encontrar um pequeno buraco por onde só podia passar uma criança”, contou dias depois.

Herold Guillaume dirigia seu sedan Toyota verde pela rua Nazon quando começou o tremor. Seu primeiro pensamento foi que outro carro colidira com o seu. Olhou os prédios e viu que escombros caíam ao seu redor. O céu logo ficou escondido por uma espessa poeira. “Saí do carro e fui caminhando para casa, o tempo todo pensando em meu pai, que ficara sozinho”, contou Guillaume.

Emmanuel Jean estava no último dos três andares de sua casa, e seu pai no estúdio do primeiro. O robusto edifício desmoronou e Jean conseguiu apenas escapar. “Corri para o andar de baixo, procurei meu pai e o tirei de lá”, contou Jean, engenheiro elétrico. Desde então vive em seu quintal, enquanto faz os acertos para se encontrar com sua mãe e as irmãs em Nova York. “Ainda estou comovido. Nunca esperei por isso. Agora temos de recomeçar nossas vidas do nada. Não sei o que

Garry Pierre-Pierre

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