PETRÓLEO-EQUADOR: Chevron pode se salvar mesmo sendo condenada

Quito, 16/03/2010 – Após 16 anos de obstáculos judiciais entre Equador e a empresa norte-americana Chevron, que adiam uma e outra vez a sentença, esta multinacional do petróleo obteve uma vitória que pode permitir que se salve, mesmo no caso de ser condenada no processo em que é ré, no valor de US$ 27 bilhões. O juiz principal do Tribunal Federal do distrito de Nova York, Leonard B. Sand, se pronunciou a favor da Chevron Corporation, ao desconsiderar os argumentos de Quito e dos advogados dos queixosos no caso da contaminação petrolífera e determinar que é procedente o processo de arbitragem aberto pela empresa contra o Estado equatoriano.

A arbitragem no Tribunal Internacional de Justiça de Haia foi apresentada pela Chevron em setembro do ano passado, e busca que a estatal Petroecuador seja a empresa a pagar a reparação ambiental e os danos à saúde dos moradores da região noroeste da Amazônia equatoriana, pelos quais a multinacional é processada. O governo de Quito se opôs à pretensão de arbitragem, não só por considerar que o julgamento determinará a quem cabe reparar os danos, mas porque a Chevron se comprometeu junto ao próprio Tribunal de Apelações de Nova York a submeter-se à decisão da justiça equatoriana.

O compromisso foi assumido em 2002, quando esse tribunal determinou que, como os fatos aconteceram no Equador e por ser a justiça equatoriana capaz de conhecer o caso e julgar, o processo deveria seguir nesse país andino, apesar dos protestos da Chevron. O Tribunal, nessa sentença, ordenou à empresa não alegar prescrição e submeter-se à justiça equatoriana. Os demandantes dizem que este é um caso histórico, pois não há precedentes de uma multinacional do petróleo ser obrigada a submeter-se à jurisdição de um país em desenvolvimento, em um processo aberto por particulares. O juiz Sand, entretanto, não considerou o compromisso assumido pela Chevron em 2002, e em sua sentença, dada no dia 11 deste mês, diz que, de acordo com a Convenção de Arbitragem de Nova York, nunca houve um caso em que uma parte solicitasse uma arbitragem que este já não tivesse concedido.

A multinacional enfrenta um processo coletivo de 30 mil indígenas e colonos mestiços de 80 comunidades para que seja obrigada a reparar os danos ambientais e de saúde pública causados por sua filial Texaco durante sete anos de prospecção e 18 de exploração de petróleo na zona noroeste do Equador. A Texaco foi adquirida pela Chevron em 2001. Mas, desde muito antes, esta última já operava na região equatoriana afetada como sócia da Petroecuador, após a saída da Texaco. O julgamento começou em 3 de novembro de 1993 e sofreu todo tipo de atraso. Depois de nove anos nos Estados Unidos, foi reiniciado no Equador em outubro de 2003, e é considerado por ecologistas e juristas como “o julgamento ambiental do século” desde seu início, enquanto alguns grupos qualificam o desastre como “Chernobil da Chevron na Amazônia”.

Em 2008, um estudo ordenado dentro do processo determinou que os danos chegam a US$ 27 bilhões, pois a Texaco deixou vazar mais de 17 milhões de galões (64,34 milhões de litros) de petróleo cru que contaminou rios, lagoas, solo e subsolo, afetando o meio ambiente e a saúde dos moradores dessa região da Amazônia. A peritagem estabeleceu que, durante os anos de exploração e prospecção, de 1964 a 1990, a Texaco, além do petróleo, deixou vazar no ambiente, sem nenhum tratamento, cerca de 18 bilhões de galões (68,13 milhões de litros) de águas de formação, isto é, águas que surgem da terra com o petróleo, contaminadas com hidrocarbonos tóxicos.

Os demandantes, e o informe do perito judicial, dizem que, além de acabar com a fauna e a flora do entorno dos poços, os vazamentos se estenderam a dezenas de quilômetros de distância, levados pelos cursos de água. As funestas consequências da contaminação recaíram na população, que apresentou no julgamento casos de má-formação congênita, câncer e doenças da pele. A estratégia da Chevron não deixa de ser audaciosa: agora que se aproxima a sentença que pode determinar que pague somas milionárias, quer levar o Equador ao Tribunal de Haia para que este país seja obrigado a pagar as indenizações.

O Equador considera apelar da decisão judicial norte-americana, informou, no mesmo dia 11, em um comunicado Diego García, procurador-geral do Estado. Para isso tem prazo de 30 dias. García disse que tem claro que a decisão do juiz Sand “não afeta a defesa do Equador no processo arbitral nem implica um pronunciamento sobre o fundo da controvérsia”. Por seu lado, James Craig, porta-voz da Chevron para a América Latina, explicou no domingo, em visita à Amazônia Equatoriana, que, se houver apelação, sua empresa recorrerá ao Tribunal de Apelações dos Estados Unidos, “argumentando nosso caso novamente”, após o êxito obtido no tribunal de Nova York.

Craig, que percorreu com alguns jornalistas os poços que a Chevron havia remediado, disse que a arbitragem é necessária porque no tribunal equatoriano foi negado o devido processo à empresa, “já que o Estado interferiu inapropriadamente” no caso. Já antes, em comunicado escrito, Craig explicara que a decisão de recorrer à arbitragem se devia ao fato de “a independência e integridade do sistema judicial equatoriano ter se reduzido substancialmente”. A este duro julgamento acrescenta-se que, para a multinacional, existe uma “clara intenção do governo de usar o processo legal contra a Chevron em Lago Agrio para não assumir suas próprias obrigações ambientais”.

Segundo Craig, a intenção da empresa é que “o Estado e a Petroecuador assumam a remediação que não foi feita e todo pagamento que for estabelecido em razão da sentença em Sucumbíos”. Sucumbíos é a província equatoriana em cuja capital Nueva Loja (cidade à qual a Chevron sempre se refere com o nome de Lago Agrio, colocado pela Texaco) ocorre o julgamento. O procurador García explicou que o governo “não interveio nem intervirá” no julgamento e disse estar convencido de que a empresa “continuará perdendo no futuro qualquer alegação de conduta imprópria da República, em qualquer fórum que escolher para apresentar suas pretensões”. IPS/Envolverde

Gonzalo Ortiz

Escritor ecuatoriano, se ha destacado también en los campos la docencia universitaria y el servicio público. Nació en Quito el 18 de octubre de 1944, hijo de Luis Alfonso Ortiz Bilbao (Quito, 1903-1988) y Lola Crespo Toral (Cuenca, 1927). Está casado, tiene una hija y dos nietas. Vicealcade de Quito (2009), fue Concejal de la ciudad por elección popular por siete años (2003-2009), siendo el candidato más votado en las dos elecciones que participó. Años antes, fue uno de los más estrechos colaboradores del Presidente Rodrigo Borja, en cuyo gobierno fue Secretario General de la Administración (1990-92), Secretario Nacional de Comunicación Social (1988-1989) y Secretario de la Presidencia (1989- 1990). Como periodista es actualmente, y desde hace 16 años, Editor General de la revista Gestión; y desde inicios de 2010 corresponsal en el Ecuador de la agencia Inter Press Service (IPS). Se inició en la carrera periodística como cronista del diario El Tiempo, a los 22 años de edad, y ha ocupado todos los cargos de medios escritos y audiovisuales desde reportero hasta director. Fue editor cultural de la revista Mensajero (1968-1975); fundador, columnista, editor económico y subdirector del diario Hoy (1981-1988); director para América Latina de la agencia de noticias Inter Pres Service (1992-1996); gerente nacional de noticias de Ecuavisa (1997-1998); director de noticias de Telesistema (1988-2000); panelista semanal de Gamavisión (2000-2001); columnista de El Comercio (1996-2001). Ha colaborado en las estrategias de comunicación de las campañas presidenciales de Rodrigo Borja (1984, 1988, 2002) y Freddy Ehlers (1998) y en las campañas para alcalde de Quito de Paco Moncayo (2000, 2004) y para alcalde de Cuenca de Fernando Cordero (1998). Ha elaborado estrategias de comunicación para organizaciones no gubernamentales y entidades privadas. Ortiz suma más de un cuarto de siglo de docencia universitaria, como profesor de pregrado de las universidades Católica del Ecuador y de las Américas y de posgrado en la Andina Simón Bolívar. Es autor de ocho libros, en temas de historia y crónica periodística, coautor de 20 libros, editor de otros seis y traductor de dos. Entre sus obras se incluye una novela, Los hijos de Daisy (Alfaguara, 2009) y un libro de ensayos Quito, historia y destino (Trama, 2006). Es Miembro Correspondiente de la Academia Nacional de Historia del Ecuador y ha recibido premios y distinciones nacionales e internacionales.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *