Madri, 17/05/2010 – Os vínculos entre União Europeia e América Latina e o Caribe, no contexto da crise econômica global, foram o centro do encontro realizado na capital espanhola, do qual participaram governantes das duas regiões, funcionários internacionais e diretores de meios de comunicação.
O encontro “Europa e América Latina aliados na estratégia do debate global?” foi organizado pela agência internacional de notícias Inter Press Service (IPS) e a Secretaria Ibero-Americana do Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha. O fórum da mídia, realizado no dia 14, na sede madrilenha da Secretaria Geral Ibero-Americana (Segib), foi coordenado pelo jornalista Tito Drago, e pelo diretor para a América Latina, Joaquín Constanzo, ambos da IPS, com vistas à VI Cúpula União Europeia-América Latina.
A Cúpula de Madri reunirá, no dia 18, governantes, responsáveis por órgãos internacionais e jornalistas especializados das duas regiões. “Estamos diante de outra Europa e outra América Latina e o diálogo da cúpula deve situar-se nesse contexto”, disse Enrique Iglesias, secretário-geral da Segib, no início do encontro, após ser apresentado à centena de presentes pelo diretor-geral da IPS, Mario Lubetkin. “Estamos em meio a uma crise, sabemos que a saída será lenta e em diferentes velocidades e que o ponto de chegada não será o de partida”, afirmou Iglesias.
“A nova sociedade dará mais espaço para a ciência e a inovação, e a economia terá maior potência nos países emergentes. Nesta situação, a América Latina está mais madura econômica, política e socialmente”, concluiu o secretário-geral da Segib. Por sua vez, o vice-ministro para Assuntos Exteriores e de Cooperação da Espanha, Juan Pablo de Laiglesia, disse que as 75 mil pessoas que nos últimos dias acompanharam pela Internet informações sobre a cúpula UE-América Latina são um reflexo do interesse que a mesma gera.
“Para a Espanha, a América Latina não é apenas uma prioridade. É algo natural, que tem a ver com nossa identidade”, afirmou Laiglesia, em alusão à presidência da UE exercida pela Espanha neste primeiro semestre. O primeiro-ministro espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero “fez todo o possível para que nossa presidência tenha um viés latino-americano”, acrescentou. “Devemos ter em conta que construímos a relação a partir de uma base sólida, que começa na Cúpula do Brasil (1999). Longe de nos afastarmos, nos aproximamos da América Latina, sócia natural da UE na construção de um mundo multipolar, sem hegemonias”, concluiu Laiglesia.
O diretor de relações com a América Latina da Comissão Europeia – órgão executivo da UE –, Gustavo Martí Prada, mostrou-se convencido de que será uma cúpula histórica para a relação da UE com a América Latina. O chanceler da Costa Rica, René Castro, por sua vez, destacou a importância do programa Euroclima, iniciativa conjunta sobre mudança climática, lançada na Declaração de Lima em 2008. A cúpula deste ano incita a uma reflexão sobre a associação estratégica entre as duas regiões, acrescentou.
“Para a América hispânica, este ano está cheio de lembranças históricas, já que muitos de seus países comemoram o bicentenário das lutas pela independência”, recordou Castro. “Também comemoramos o bicentenário da reunião das Cortes de Cádiz. É um aniversário especialmente inspirador porque significaram a primeira associação estratégica forjada entre Espanha e América e, por conseguinte, entre os chamados Velho e Novo Mundo”, afirmou Castro. Foi “uma aliança que se sustentou em princípios de liberdade, democracia e respeito aos direitos humanos, e que abriu importantes horizontes para as futuras nações hispano-americanas”, concluiu o chanceler.
Também participaram Carlos Vergara, da secretaria executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), e Mario Pezzini, diretor interino do Centro de Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Também estiveram presentes 30 diretores de meios de comunicação de Brasil, Alemanha, Argentina, Bélgica, Chile, Colômbia, Espanha, França, Grã-Bretanha, Itália, México, Panamá, Peru, Portugal e Venezuela. IPS/Envolverde


