SAÚDE-QUÉNIA: Tentativas de modernização de ritos de circuncisão

NAIROBI, 30/08/2010 – Todos os anos que terminam em números pares, o mês de Agosto é uma ocasião especial para os rapazes da província do Quénia Ocidental. Durante este mês, milhares de rapazes entre os 10 e 18 anos submetem-se à circuncisão masculina – algo que é visto como importante ritual de passagem que demonstra a entrada na vida adulta nas suas comunidades. Mas é também um período em que perto de metade dos jovens que são circuncidados terá que lutar pela vida.

Na comunidade de Bukusu, no Distrito de Bungoma, na Província Ocidental, a prática tem feito parte das tradições da comunidade desde 1800.

De acordo com o Dr. Nicholas Muraguri, director do Programa Nacional de Controlo da SIDA/DST no Quénia, este ano a comunidade de Bukusu planeia circuncidar perto de 20.000 jovens em cerimónias tradicionais – sem a assistência de pessoal médico qualificado ou mesmo equipamento adequadamente esterilizado.

Muraguri afirma que, do total de jovens a serem circuncidados, as estatísticas indicam que 40 por cento acabam por ter complicações, algumas das quais podem pôr em perigo a própria vida e levar à morte.

Embora a circuncisão masculina voluntária segura constitua uma estratégia-chave para a prevenção do VIH, Muraguri diz que é provável que algumas práticas invertam os potenciais benefícios. Isto inclui as ocasiões em que uma faca é usada para circuncidar vários rapazes ou quando os rapazes são encorajados a terem relações sexuais pouco depois de serem circuncidados.

Segundo David Alnwick, assessor superior no âmbito do VIH/SIDA junto do Fundo das Nações Unidas Para a Infância, tem-se focado o encorajamento da circuncisão masculina nas comunidades que anteriomente não estavam habituadas a essa prática. No entanto, os pais são encorajados a circuncidar os filhos pouco depois do nascimento.

Quando a circuncisão neonatal é feita por médicos, é raro e invulgar haver complicações. Mas a circuncisão masculina nos adultos executada por indivíduos não qualificados em condições pouco higiénicas e sem um acompanhamento apropriado pode causar um elevado número de complicações. Muraguri diz que há preocupações sobre a segurança das práticas realizadas por circuncisores tradicionais que não têm nenhuma formação.

Dennis Kuloba é circuncisor tradicional na comunidade de Bukusu. Para ele é simples. Se um homem não for circuncidado, não é um verdadeiro homem. “Os homens não circuncidados não são respeitados na comunidade e não são autorizados a comer à mesma mesa que os circuncidados,” afirma Kuloba.

A comunidade de Bukusu não usa pessoal médico qualificado durante as circuncisões. Em vez disso, os circuncisores tradicionais como Kuloba adquirem experiência de circuncisões através da aprendizagem prática.

Kuloba afirma que usa uma mistura especial de pó de argila e cinzas para esterilizar a faca que usa. Os rapazes não recebem anestesia local e, em vez disso, espera-se que sejam corajosos e não mostrem qualquer sinal de dor quando Kuloba lhes tira o prepúcio.

Mas Muraguri e a sua equipa estão a tentar encontrar um método que permita que os jovens mantenham a sua cultura sem porem a vida em perigo. É por isso que o governo oferece agora este serviço a um preço drasticamente reduzido na Província Ocidental.

No Quénia, o custo da circuncisão em estabelecimento hospitalar varia entre os seis e os 12 dólares. Este custo é proibitivo para muitos pais em zonas rurais que estão desempregados e que tentam sobreviver com a venda dos produtos que plantam.

“Reduzimos o custo para 200 xelins quenianos (dois dólares e cinquenta cêntimos) nos distritos de Bungoma e Kakamega durante o período de circuncisão. Para aqueles que vivem em áreas remotas longe de estabelecimentos hospitalares, realizamos campos médicos durante o período de circuncisão. Aí o procedimento é feito sem custo algum,” disse Muraguri.

Acrescentou que a sua equipa tinha tido sucesso em persuadir os pais que era mais seguro que os filhos fossem circuncidados por profissionais médicos em ambiente estéril. Portanto, agora alguns jovens que deviam submeter-se ao rito de iniciação estão a ser circuncidados naqueles estabelecimentos. Mais tarde, serão educados sobre o seu processso de iniciação pelos tios ou avôs.

Susan Anyangu-Amu

Susan Anyangu-Amu is an advocacy communication and marketing officer for the Child Health Now Campaign, World Vision Kenya. Susan is a seasoned journalist who cut her niche writing about child and maternal health. She lives with her family in Nairobi, Kenya and aside from working in the advocacy development sector, still finds time to write on maternal and child health.

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