ÁFRICA DO SUL: Filtro de ‘saqueta de chá’ proporciona água potável

JOANESBURGO, 10/09/2010 – Embora pareça uma saqueta de chá, coar a água por este filtro recentemente criado poderá representar uma fonte barata de água potável facilmente reposta para aqueles que mais precisam dela. Este dispositivo especial, criado na Universidade de Stellenbosch, não é uma saqueta de chá normal, mas um sofisticado filtro de água barato que se encaixa no gargalo da garrafa e pode rapidamente purificar a água para beber.

Especialistas em assuntos hídricos dizem que este filtro pode constituir uma solução a curto prazo para as pessoas que não têm acesso a água potável. Os especialistas dizem, porém, que não é uma substituição da infraestrutura de purificação de água.

Embora o filtro não seja ainda produzido em larga escala, poderá desempenhar um papel no combate às doenças causadas pelo recurso a água imprópria para consumo. De acordo com as Nações Unidas, mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo não têm acesso a água potável e mais de dois milhões de pessoas, a maior parte em países em vias de desenvolvimento, morrem todos os anos devido a doenças associadas a condições sanitárias impróprias e à deficiente qualidade da água.

O filtro é composto por três partes, o que o torna único entre os filtros existentes, segundo o reitor da Faculdade de Ciências na Universidade de Stellenbosch, o professor Eugene Cloete, inventor do filtro.

Semelhante similar a outros dispositivos de purificação, possui uma rede de nano-fibras e carvão activado que capturam as bactérias na água, explicou Cloete.

Mas que o que faz deste filtro um instrumento especial é a inclusão de um químico biocida no próprio filtro que mata qualquer agente patogénico que ali fica preso.

“As bactérias e os vírus não conseguem movimentar-se e então procede-se à sua eliminação para que não haja uma concentração dentro do filtro,” disse Cloete. “Não há nada no mundo como este dispositivo.”

Na África do Sul os esforços no sentido de levar água potável às comunidades rurais ou comunidades pobres têm sido dificultados pela falta de engenheiros nas municipalidades, assim como pela desigualdade entre as infraestruturas urbanas e rurais, de acordo com Sharon Pollard, gestora de programas da ONG Associação Para o Desenvolvimento Hídrico e Rural, sediada na África do Sul.

“Das 351 municipalidades, só seis têm engenheiros nos seus quadros de pessoal,” disse Pollard. “Por exemplo, a infraestrutura nos antigos bantustões é muito pior que nos bairros de Joanesburgo.”

Pollard disse ainda que, nas áreas sem saneamento apropriado, as pessoas estavam dependentes de vendedores de água informais que cobram preços excessivos ou de algumas canalizações públicas que forneciam água potável.

Uma das vantagens do filtro de água da “saqueta de chá” é o facto de ser portátil, podendo ser usado por pessoas que viajam para zonas sem água potável ou por aqueles que não têm acesso a um abastecimento regular de água potável. O desafio é como levar o filtro àqueles que mais precisam dele, disse Thomas Levine, economista na Sociedade de Tecnologia Alemã, um grupo de reflexão sobre problemas de desenvolvimento.

Embora as ONG normalmente possam prestar ajuda às comunidades de forma mais célere, os governos oferecem vantagens, afirmou LEvina.

Segundo ele, esta nova tecnologia de filtragem seria melhor usada como solução provisória em áreas onde não há infraestruturas de purificação de água. “A longo prazo, a questão é como estabilizar o abastecimento de água”. “Entretanto, são necessárias tecnologias como esta.”

Algumas zonas, como a cidade de Juba no sul do Sudão, estão dependentes dos doadores internacionais para obterem água potável, explicou Stephen Maxwell Kwame Donkor, Director dos Recursos Hídricos/África das Nações Unidas. Embora os doadores salvem vidas, Donkor afirmou que, em última análise, a sua contribuição não é sustentável, visto que as comunidades que servem não são auto-suficientes em termos das suas necessidades básicas.

Os filtros são melhor usados em situações de emergência, declarou Donkor.

Até agora, o dispositivo tem atraído a atenção dos retalhistas, ONG e filantropos, disse Cloete. Ainda não foi tomada nenhuma decisão sobre a forma como o filtro irá ser distribuído.

Cloete afirma que espera começar a produção dos filtros no final de 2010.

Chris Stein

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