WINDHOEK, 14/09/2010 – O agricultor suazi Obed Dlamini, tal como muitos outros agricultores suazis, tem dificuldade em encontrar sementes de milho de qualidade durante a época de plantação. As sementes não apenas são caras, muitas vezes não estão disponíveis. “Os agricultores na Suazilândia trabalham com base em suposições porque os fornecedores frequentemente introduzem novas sementes, algumas das quais não têm necessariamente grande utilidade para nós,” disse Dlamini.
Dlamini está optimista que um projecto-piloto para harmonizar a regulamentação das sementes em quatro países da África Austral melhore a situação. A Rede Para a Análise das Políticas sobre Alimentação, Agricultura e Recursos Naturais, (FANRPAN) orienta o Projecto de Segurança de Sementes Harmonizadas (HaSSP) no Malawi, Zâmbia, Zimbabué e Suazilândia.
“Na Suazilândia nem produzimos as nossas próprias sementes. Compramo-las noutros lugares, se bem que a entrada das sementes seja limitada, o que as torna inacessíveis aos agricultores porque, quando chega uma nova semente híbrida, ela tem de ser submetida a testes durante quatro anos antes de ser aceite,” relata Dlamini.
Dlamini é um ancião do HaSSP, um dos elementos de um grupo composto por agricultores mais velhos com muita experiência que trabalham como consultores no projecto. É responsável pela coordenação do projecto na Suazilândia. De acordo com a Drª. Bellah Mpofu, consultora do HaSSP junto da Rede Para a Análise das Políticas sobre Alimentação, Agricultura e Recursos Naturais (FANRPAN), as restrições impostas à movimentação de sementes na região da SADC contribuem para a insegurança alimentar. “O objectivo do HaSSP é introduzir e implementar o Sistema Regulador de Sementes Harmonizadas na SADC, que visa contribuir para uma maior segurança alimentar dos pequenos agricultores na região da SADC através de uma maior disponibilidade e acesso a variedades de sementes melhoradas,” disse Mpofu.
A ideia é simples: as sementes que ficam aprovadas nos testes em qualquer dos quatro países serão autorizadas a ser vendidas e usadas nesses países. Mpofu disse que o protocolo da SADC não cobre as sementes geneticamente modificadas, que só são aceites na África do Sul. “Os países tarão ainda de realizar os seus testes individuais para terem a certeza daquilo que estão a receber,” acrescentou.
Thabile Gooday, outra anciã do HaSSP, e agricultora suazi de sucesso, planeia trabalhar com o Centro de Investigação do Ministério da Agricultura para informar os agricultores, especialmente as mulheres, sobre a importância do projecto.
“Precisamos de convencer os agricultores a interessarem-se e a compreenderem claramente o que é que o HaSSP significa e como é que a harmonização das políticas de sementes na região lhes podem trazer benefícios,” disse Gooday. A preservação das sementes indígenas também consta das prioridades de Gooday, porque, segundo ela, embora a maior parte dos agricultores use agora sementes híbridas, também é importante preservar as variedades indígenas. “As mulheres nas parcelas familiares queixam-se dos dispendiosos insumos agrícolas – e as sementes fazem parte deles. Se tivessem conhecimento sobre as variedades produzidas por polinização cruzada, podiam reduzir os seus custos e produzir o suficiente, pelo menos para as suas famílias,” afirmou Gooday.
As sementes híbridas só podem ser plantadas uma vez; as sementes conservadas depois das culturas não produzem os mesmos resultados. Gooday disse que algumas pessoas também continuam a depender das sementes indígenas porque preferem o gosto destas variedades. Mpofu concordou com Gooday, acrescentando que o HaSSP irá apoiar a utilização de sementes indígenas através de projectos comunitários de produção de sementes que encorajem os agricultores a continuar a usar as sementes indígenas sempre que estas forem bem sucedidas.
“Compreendemos que alguns agricultores preferem sementes indígenas devido a preferências relacionadas com o gosto e a dieta,” disse Mpofu. “Não estamos a deitar nada fora.”

