Nações Unidas, 04/10/2010 – O poderoso Grupo dos 20, criticado por sua exclusividade, convidou Espanha, Etiópia, Malaui, Cingapura e Vietnã, que não o integram, para a cúpula que realizará em novembro, em Seul. Malaui foi convidado por presidir a União Africana, a Etiópia por presidir a Nova Associação para o Desenvolvimento da África, o Vietnã por estar à frente da Associação de Nações do Sudeste Asiático, Cingapura por liderar o Grupo de Governança Global (3G), e Espanha como “uma das dez maiores economias do mundo e participante das quatro últimas cúpulas do G-20”. O embaixador Vanu Gopala Menon, de Cingapura, disse à IPS que a decisão da Coréia do Sul, de convidar Estados que não integram o bloco, “parece indicar que o G-20 está avançando para uma geometria variável”. Isto é, a ideia de que todos os países têm de coincidir em todas as políticas, mas alguns podem cooperar mais estreitamente. O 3G promove este conceito.
Entretanto, o diplomata disse que o 3G não tem uma posição formal. “Assim, não podemos dizer que representamos o 3G, embora o faremos, em linha com o espírito de inclusão e transparência do 3G”, disse. Vanu acrescentou que Cingapura fará todo o possível para representar “os pontos de vista e as preocupações do 3G” nas reuniões do G-20 e em outros fóruns.
Para estar no mesmo tom das práticas prévias do G-20, a Coréia do Sul também convidou várias organizações internacionais para a cúpula, que acontecerá nos dias 11 e 12 de novembro em Seul. Entre elas a Organização das Nações Unidas, Organização Internacional do Trabalho, Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional, Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, Organização Mundial do Comércio e Conselho de Estabilidade Financeira.
O G-20 formou-se a partir do Grupo dos oito (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) e inclui Austrália, Coréia do Sul, México e Turquia, e sete países em desenvolvimento: Brasil, Argentina, Arábia Saudita, China, Índia, Indonésia e África do Sul, além da União Europeia.
Ao dirigir-se, há pouco mais de uma semana, à Assembleia Geral da ONU, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, criticou o fato de o G-20 ter apenas uma nação africana. Também disse que a “relevância e legitimidade” do G-20 só podem ser preservadas se o bloco mantiver um diálogo franco e permanente com os 192 Estados representados na Assembleia Geral.
Joseph Deiss, presidente da Assembleia Geral, alertou que “a ONU está em risco de ser marginalizada pelo surgimento de outros atores no cenário internacional”. Considera-se que “uma decisão a respeito de uma ação urgente pode ser tomada com maior facilidade e rapidez em um fórum menor”, afirmou Joseph referindo-se ao G-20.
O G-20 ganhou destaque com o começo da crise financeira mundial, há dois anos. Isto gerou temores de que, cedo ou tarde, o bloco tentasse ocupar o lugar da ONU nas tomadas de decisões importantes. Em consequência, alguns dos países menores e médios das Nações Unidas, não dispostos a serem excluídos dos debates, criaram uma coalizão informal de 23 membros, conhecidos como o Grupo de Governança Global, o 3G.
Este grupo inclui Bahamas, Barein, Barbados, Botsuana, Brunei, Chile, Costa Rica, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, Guatemala, Jamaica, Liechtenstein, Malásia, Mônaco, Nova Zelândia, Panamá, Catar, Ruanda, San Marino, Senegal, Cingapura, Suíça e Uruguai. Em uma reunião ministerial realizada há poucos dias, o 3G reafirmou o papel fundamental da ONU na governança global, “devido à sua universalidade e legitimidade únicas”.
Ali também foi proposto que o Grupo de Trabalho sobre o Desenvolvimento, do G-20, poderia apoiar iniciativas destinadas a manter abertos os mercados mundiais, criando novas oportunidades e dando assistência aos países pobres, especialmente os menos adiantados, para que as aproveitem. O G-20, cujos membros representam no total cerca de 85% do produto interno bruto mundial, é vital na comunidade internacional, o que ficou claro quando agiu coordenadamente diante da crise econômica desatada em 2008, afirmou o chanceler de Cingapura, George Yeo, ao falar na Assembleia Geral. IPS/Envolverde

