“Sinais de mudança”, diz Evo Morales na abertura do Fórum Social Mundial

Dacar, Senegal, 08/02/2011 – Dezenas de milhares de pessoas marchavam pelas ruas de Dacar no dia 6, para marcar o início do Fórum Social Mundial de 2011.

Marcha de abertura do Fórum Social Mundial em Dacar. - Abdullah Vawda/IPS

Marcha de abertura do Fórum Social Mundial em Dacar. - Abdullah Vawda/IPS

Ativistas carregam cartazes coloridos denunciando a grilagem de terras, as leis de imigração restritivas, os subsídios da agricultura na Europa e nos Estados Unidos, entre muitas outras questões.

Outros entoam gritos de liberdade e tocam tambores enquanto seguem pacificamente por um caminho que começa perto do escritório da emissora pública do Senegal, a RTS, e termina na Universidade de Cheikh Anta Diop, o centro desse encontro de uma semana.

O presidente boliviano Evo Morales, que esteve na marcha, convidou seus contemporâneos dos países pobres para fazer parte desse evento.

“Precisa haver uma conscientização e mobilização para colocar um ponto final no capitalismo e vencer os invasores, neocolonialistas e imperialistas […]. Apoio o levante popular na Tunísia e no Egito. São sinais de mudança.”, disse Morales, um antigo líder sindical que é participante regular dos encontros que envolvem movimentos antiglobalização.

“Precisamos resistir e conscientizar. Precisa haver um programa de luta social para construir um novo mundo,” disse ele.

“Nós precisamos salvar a humanidade e, para conseguir isto, precisamos conhecer nossos inimigos. Os inimigos do povo são os neocolonialistas e imperialistas. Nós devemos acabar com o modelo capitalista e colocar outro no lugar. É necessário dar um basta nos ricos e mudar o mundo.”

O prefeito de Dacar recepcionou os participantes, mas outros membros mais importantes do governo senegalês estavam ausentes. O presidente Abdoulaye Wade está fora do país, mas é esperado para tomar parte em um evento ao lado da presidente do Brasil ainda essa semana.

O Fórum Social Mundial se define como um espaço aberto, onde aqueles que são “opositores do neoliberalismo e de um mundo dominado pelo capital ou por qualquer outra forma de imperialismo se juntam para perseguir suas ideias”.

Como o evento desse ano foi levado para o Senegal, muitas das discussões devem girar em torno do que os organizadores chamam de crise da civilização e do capitalismo que atinge a África e o resto do mundo.

“Esta edição do Fórum deve contribuir para mudar o mundo. É uma chance para que os oprimidos deste mundo tenham uma voz própria”, disse o historiador senegalês, Boubacar Diop Buuba, professor da Universidade Cheikh Anta Diop.

Philip Kumah, um assistente social de Gana que trabalha para a Anistia Internacional, declarou que “nós estamos clamando por um fim às injustiças no nosso país, onde o governo rouba a terra das comunidades. Este Fórum é uma chance de o nosso governo ouvir nossas queixas”.

Para o ativista Beverley Keene, de Buenos Aires, realizar o Fórum na África é um marco muito importante. “É nossa vez de trocar experiências e avaliar o impacto que a crise financeira e a exploração dos minerais têm sobre os meios de subsistência das pessoas.”

A crise financeira se destaca dentre os temas dos debates a serem realizados no sexto dia, que procuram alternativas para “a crise do sistema capitalista”.

A feminista italiana, Sabrina Viche, disse que o evento é também uma oportunidade para ouvir as mulheres africanas. “Eu vim para Dacar dar meu apoio a todas as mulheres da África, que lutam para garantir que suas vozes sejam ouvidas, e eu quero ouvir o que elas têm a dizer, quais são suas lutas e como nós, do norte, podemos ajudá-las.”

No entanto, não é o suficiente conhecer. Canet Raphael, um sociólogo de Montreal, Canadá, disse à IPS que “as pessoas precisam saber para que serve um fórum social. O espírito do Fórum Social Mundial tem suas raízes nos movimentos sociais”.

Thierry Tulasne, que trabalha com assuntos de imigração para uma organização canadense, afirmou: “Eu não tenho certeza que os movimentos sociais possam mudar o mundo tão rapidamente. Mas estou certo de que pequenas gotas de água podem, eventualmente, se transformar em rios”. Envolverde/IPS

*Ebrima Sillah e Koffigan Adigbli, em Dacar, contribuíram para essa reportagem.

Souleymane Faye

Je suis Souleymane Faye, 32 ans, marié (monogame) et père d’une fille. Je suis de nationalité sénégalaise. J’ai fait des études supérieures d’anglais, de niveau Baccalauréat + deux ans, depuis Août 2003, à l’Université Cheikh Anta Diop de Dakar (UCAD), au Sénégal. Depuis Octobre 2006, je suis titulaire du Diplôme supérieur de journalisme (DSJ) du Centre d’études des sciences et techniques de l’information (CESTI) de l’UCAD. Au CESTI, je me suis spécialisé en Presse écrite et en Economie politique. Je suis entré, en Février 2007, à l’Agence de presse sénégalaise (APS, publique), où j’ai été embauché en Janvier 2009. Je me suis spécialisé dans le traitement de l’information économique. En même temps, depuis Juin 2009, je collabore avec Inter Press Service (IPS).

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