População: Aumentam os casamentos inter-raciais nos EUA

Washington, 11/07/2005 – O número de casamentos inter-raciais nos Estados Unidos aumentou mais de 10 vezes entre 1970 e 2000, como conseqüência de uma mudança radical na atitude da sociedade em relação a essas uniões, de acordo com um estudo do Population Reference Bureau (PRB, Escritório de Referência sobre População), com sede em Washington. Devido em parte ao aumento da imigração e das pessoas que recebem educação terciária, a porcentagem de casais com cônjuges de diferentes etnias cresceu de 1% em 1970 para mais de 5% em 2000, afirma o PRB. Os casais inter-raciais aumentaram de aproximadamente 300 mil em 1970 para 1,5 milhão em 1999 e mais de três milhões em 2000, diz o informe de 36 páginas intitulado "Novos casamentos, novas famílias: O casamento inter-racial e inter-hispânico nos Estados Unidos".

Esta tendência, que não dá sinais de redução, sugere que os Estados Unidos estão passando de uma "saladeira" (onde cada grupo racial mantém sua identidade separada e resiste a casamentos com outros grupos) para um "crisol", um cadinho, muito mais aberto às relações, inclusive aos casamentos inter-raciais. Por sua vez, este tipo de casamento implica o nascimento de mais crianças bi-raciais ou multirraciais. Dos 281 milhões de norte-americanos registrados no censo de 2000, mais de 2,4%, ou sete milhões de pessoas, se declararam "multiétnicos". O PRB sugeriu que provavelmente essa cifra seja maior. O censo de 2000 foi o primeiro a incluir a categoria "multiétnica", junto com outras 15 categorias raciais, 11 delas da Ásia e do Pacífico.

A metáfora do crisol começou a se formar há cerca de 10 anos, quando executivos de publicidade modificaram a imagem de Betty Crocker, uma marca da empresa de alimentos General Mills Inc, explicou Rochelle Stanfield no The National Journal. "O retrato de Betty está em sua oitava encarnação desde o primeiro, em 1936, com pele muito branca e olhos azuis", escreveu Stanfield em 2000. "Agora, seus olhos são castanhos e o cabelo escuro. Tem a pele mais morena do que suas sete antecessoras e representa uma mulher de origem branca, hispânica, indígena, africana e asiática. Um computador criou a nova Betty em meados da década de 90 mesclando fotos de 75 mulheres diferentes", explicou.

No final de seu estudo, o PRB considera os seguintes grupos étnicos: branco (75% do total da população), negros (12%), ilhéus da Ásia e do Pacífico (4%), indígenas norte-americanos (1%), outras raças (6%, quase todos hispânicos) ou de múltiplas raças (2%). Também inclui a categoria "inter-hispânicos", aplicável a indivíduos de origem hispânica que se casaram com não-hispânicos. Os que se identificaram como hispânicos constituíram 13% do total. Além do notável aumento dos casais inter-raciais, o PRB concluiu que o típico casal desse modelo está formado por um integrante branco e outro não-branco, e que o casamento entre duas pessoas de diferentes grupos raciais minoritários é pouco freqüente.

Além disso, os homens negros são mais propensos a casar com pessoas de outras raças do que as mulheres negras, enquanto as asiáticas são mais propensas do que os homens asiáticos. Por outro lado, um quarto dos casais hispânicos são "inter-hispânicos", e os norte-americanos jovens e com alto nível de instrução são mais propensos ao casamento inter-racial do que os de mais idade e de menor instrução. Outro dado mostra que entre 1970 e 2000 o número de crianças que vivem em famílias inter-raciais se multiplicou por quase quatro, passando de 900 mil para mais de três milhões, enquanto os que vivem em famílias inter-hispânicas se multiplicaram por quase três, de 800 mil para dois milhões, concluiu o PRB.

A mudança nas atitudes raciais nos últimos 30 anos teve um papel fundamental no florescimento de uniões inter-raciais, que no final do século XIX eram ilegais na maioria dos Estados norte-americanos. Depois da Segunda Guerra Mundial, as leis começaram a mudar na medida em que soldados dos Estados Unidos se casavam com mulheres japonesas e que o movimento pelos direitos civis começava a questionar normas discriminatórias nos tribunais. Em 1967, a Suprema Corte determinou que todas essas leis eram inconstitucionais, embora o Alabama somente tenha revogado as suas em 2000. (IPS/Envolverde)

Jim Lobe

Jim Lobe joined IPS in 1979 and opened its Washington, D.C. bureau in 1980, serving as bureau chief for most of the years since. He founded his popular blog dedicated to United Stated foreign policy in 2007. Jim is best known for his coverage of U.S. foreign policy for IPS, particularly the neo–conservative influence in the former George W. Bush administration. He has also written for Foreign Policy In Focus, AlterNet, The American Prospect and Tompaine.com, among numerous other outlets; has been featured in on-air interviews for various television news stations around the world, including Al Jazeera English; and was featured in BBC and ABC television documentaries about motivations for the U.S. invasion of Iraq. Jim has also lectured on U.S. foreign policy, neo-conservative ideology, the Bush administration and foreign policy and the U.S. mainstream media at various colleges and universities around the United States and world. A proud native of Seattle, Washington, Jim received a B.A. degree with highest honours in history at Williams College and a J.D. degree from the University of California at Berkeley’s Boalt Hall School of Law.

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