Tóquio, Japão, 15/03/2011 – Uma segunda explosão ocorreu ontem na usina nuclear de Fukushima Daiichi, no Leste do Japão, gerando uma grande coluna de fumaça e despertando novos temores quanto a um vazamento de radioatividade.

O primeiro ministro Naoto Kan analisa a crise com uma equipe especial para atender o desastre. - Governo de Japão
A Tepco informou que investiga o impacto de materiais radioativos no ambiente externo. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) assegurou que os danos não são graves. Por sua vez, o chefe de gabinete do governo japonês, Yukio Edano, disse ser improvável um vazamento radioativo em grande escala. E acrescentou que a estrutura de proteção interna do reator se mantinha intacta.
Florence Looi, da rede de TV árabe Al Jazeera, informou que o sistema de refrigeração no reator número dois falhava, o que aumentava a pressão sobre essa estrutura protetora. Trata-se do mesmo problema que tiveram as unidades um e três antes de explodirem. Continua o trabalho para esfriar os reatores afetados com uma mistura de água do mar e ácido bórico, um método que não pôde ser testado antes, o que revela o desespero da situação.
A Agência de Segurança Industrial e Nuclear do Japão está convencida de que não existe “absolutamente nenhuma possibilidade de uma nova Chernobil” neste país, disse à agência Jiji Press o ministro de Estratégia Nacional, Koichiro Genba, referindo-se ao acidente atômico que foi registrado em 1986 em uma central nuclear no que agora é a Ucrânia. Apesar disso, um porta-aviões norte-americano enviado para apoiar os trabalhos de resgate teve que se afastar da costa após detectar baixos níveis de radiação procedentes da central nuclear, informou Washington em um comunicado.
As pessoas que vivem na área em torno da usina, já afetadas pelo terremoto e pelo tsunami, agora temem serem vítimas da radiação. “Vou dar à luz logo. Quero saber exatamente o que vai acontecer com a usina nuclear. Estou assustada”, disse uma mulher. Vinte pessoas já apresentaram nos testes índices de radiação, e provavelmente o número aumentará.
Ao mesmo tempo, a crise humanitária se aprofunda. Milhares de pessoas ainda permanecem desaparecidas devido ao terremoto do dia 11, de 8,9 graus na escala Richter, e do tsunami que atingiu a costa japonesa. A ajuda estrangeira começou a chegar, e cerca de 70 países ofereceram assistência, não apenas aliados como os Estados Unidos, mas também outros que mantêm relações diplomáticas tensas com Tóquio, como a China.
Segundo a imprensa, os trabalhadores de resgate encontraram ontem dois mil corpos na província de Miyagi, uma das mais afetadas, enquanto na cidade de Rikuzen-takata há 18 mil desaparecidos. Milhões de pessoas passaram a terceira noite sem água, comida e aquecimento, sob temperaturas congelantes em toda a costa Nordeste, devastada pelas ondas.
Em muitas áreas não há água potável nem energia, e é preciso esperar entre quatro e cinco horas para conseguir combustível. Os moradores são obrigados a conter a fome ou se manter com arroz, enquanto enfrentam a perda de suas casas e de seres queridos. “As pessoas sobrevivem com pouca comida e água. As coisas simplesmente não chegam”, disse Hajime Sato, funcionário da prefeitura de Iwate.
No campo econômico, a Bolsa de Tóquio, que funcionou pela primeira vez ontem desde o desastre, começou a desmoronar. As cotações caíram mais de 5% na primeira hora de operações. O Banco do Japão anunciou a injeção de US$ 183 bilhões para manter os mercados financeiros estáveis. Envolverde/IPS
* Publicado sob acordo com a Al Jazeera.

