ÁFRICA DO SUL: Enquanto os políticos discutem as alterações climáticas, outros adaptam-se

Cidade do Cabo, 30/09/2011 – Enquanto muitos cientistas, académicos e políticos continuam a avanaçr teorias sobre as alterações climáticas, uma organização da sociedade civil sul-africana lançou um projecto prático que mobiliza as comunidades no sentido de darem pequenos passos para a redução de emissões de carbono. Designado Projecto 90 até 2030, o projecto encoraja indivíduos, organizações e companhias a modificarem a forma como vivem e funcionam em 90 por cento até ao ano 2030. A ideia partiu da sugestão de George Monbiot, activista das causas ambientais, que referiu no seu livro “Calor” que os países industrializados precisam de reduzir as suas pegadas de carbono em 90 por cento até 2030.

“É uma abordagem com fins específicos e orientada para a práxis. É aliás muito simples,” afirmou a directora do Projecto 90 até 2030.

Ela explicou que o principal objectivo do projecto é desafiar os sul-africanos a modificarem a forma como vivem e como se relacionam com o meio ambiente. “Como maior emissor de carbono no continente, a África do Sul tem a maior responsabilidade em África no combate contra as alterações climáticas,” acrescentou Martin.

Com a firme convicção que todas as pessoas podem dar um pequeno contributo para um meio ambiente mais saudável, Martin sugere que as pessoas comecem por reduzir a sua pegada de carbono em 10 por cento por ano, “mantendo esse nível ao longo de vários anos até atingirem 90 por cento.” Acrescenta que se trata de estabelecer metas exequíveis.

Todavia, Martin tem plena consciência da urgência que existe para impedir alterações climáticas adicionais. “Se continuarmos a actuar tão lentamente como agora, esgotaremos o tempo para reduzir as emissões de carbono,” disse. “Mas penso que podemos modificar a situação. Há opções suficientes de fontes de energia limpa à nossa disposição.

Para dar o exemplo, a iniciativa do Projecto 90 até 2030 já construiu 15 centros de demonstração de energias renováveis nos últimos quatro anos. Estes centros apresentam soluções práticas e acessíveis, como digestores de biogás, painéis solares e sistemas solares de aquecimento de água. Desta forma, a organização quer desmistificar a produção de energias renováveis ao público e mostrar como elas podem fornecer energia barata, fiável e em quantidade suficiente de modo a não terem um impacto negativo nas actividades profissionais.

“Queremos mostrar às pessoas o que elas podem fazer para reduzir as alterações climáticas no dia a dia,” explica Martin. “Todos podem e devem fazer algo. Enquanto os decisores continuam a debater, nós já estamos a fazer algo.”

Um dos centros de demonstração é o Jardim Zoológico de Joanesburgo, onde foram instalados 15 grandes painéis solares no telhado do seu centro educacional para reduzir a pegada de carbono.

“Neste momento, a energia solar é transmitida à rede de electricidade mas, no futuro, esperamos tornar o centro totalmente neutro em carbono,” afirmou a directora da equipa verde do Jardim Zoológico, Lorna Fuller.

O Jardim Zoológico também explora o seu restaurante com a ajuda do digestor de biogás. “Deitamos os restos dos alimentos da cozinha e os resíduos animais para dentro do digestor para ser convertido em gás que usamos depois para cozinhar no restaurante,” explicou Fuller.

Participar na iniciativa não constituiu um problema para a direcção do Jardim Zoológico, relatou Fuller, visto que “nos preocupamos com o impacto que as alterações climáticas terão no meio ambiente e no habitat dos animais.”

Uma vez que o Jardim Zoológico tem meio milhão de visitantes por ano, Fuller espera que a exposição ambiental venha a ter muitos imitadores. “Mostramos aos visitantes como é que tudo funciona. Algumas pessoas visitam o Jardim Zoológico especificamente para verem as nossas instalações verdes,” disse.

O Projecto 90 até 2030 também gere 30 clubes escolares onde as crianças participam em projectos simples e práticos sobre alterações climáticas, como promoção da poupança de energia e projectos de reciclagem. A única condição é que estes projectos tenham um impacto mais alargado do que simplemente a escola. Necessitam de beneficiar toda a comunidade envolvente. “E assim que garantimos um amplo impacto em grandes grupos de pessoas,” explicou Martin.

Depois de os projectos estarem em funcionamento há várias semanas, os alunos aprendem a avaliar e a medir a quantidade de energia e de emissões de água e carbono poupada.

“Decidimos trabalhar com crianças em idade escolar para ajudar a criar uma geração mais consciente das alterações climáticas e daquilo que se pode fazer,” declarou Martin. “Queremos moldar os jovens e encorajá-los a criarem um mundo melhor.”

Na Escola Secundária do Convento de Springfield, na Cidade do Cabo, um grupo de alunos iniciou o seu envolvimento no Projecto 90 até 2030 com uma ‘auditoria verde’ para avaliar o consumo de electricidade e água na escola, e para avaliar a quantidade de lixo que é produzido.

O resultado foi preocupante e os alunos decidiram fazer algumas mudanças importantes na forma como a escola é gerida: instalaram chuveiros de caudal reduzido, protectores para esquentadores de água e ainda um contador de água para medir o rio que atravessa o parque da escola e que é usado para irrigar o jardim. Também começaram a reciclar o lixo e a usar menos papel.

“Realçámos as acções individuais que se transformam num estilo de vida e têm um impacto colectivo,” afirma a directora da cadeira de geografia na escola, Fiona Smith, que promove o clube escolar. Muitos alunos também começaram a implementar iniciativas semelhantes em casa.

Segundo Smith, “Esperamos que os nossos alunos cresçam e se tornem adultos que tratam o planeta com mais cuidado.”

Kristin Palitza

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