Saúde: Maior vigilância para evitar entrada da gripe aviária

Ho Chi Minh, 11/08/2005 – Guardas de fronteira do Vietnã endureceram a vigilância para impedir a entrada clandestina de frangos e ovos procedentes da China, como parte da campanha nacional contra a gripe do frango. Entretanto, o contrabando continua, para preocupação das autoridades sanitárias, que temem pelo sucesso de um plano de vacinação de todas as aves criadas em granjas do país, já iniciado em duas províncias. "A cada dia confiscamos pelo menos uma tonelada de frangos e milhares de ovos", afirmou Hoang Minh Truong, diretor do Departamento de Controle do Mercado da província de Lang Son. As aves e os ovos, que entram no país de contrabando vindas da China, são levados da província para feiras de todo o país.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre o começo da epidemia, em dezembro de 2003, e o dia 5 deste mês foram registrados 112 casos em humanos e 57 mortes pelo vírus da gripe aviária. Quarenta dessas mortes ocorreram no Vietnã, 12 na Tailândia, quatro no Camboja e uma na Indonésia. No Vietnã, de dezembro passado até hoje, foram registradas 63 infecções e 20 mortes. Das três pessoas infectadas entre 14 de julho e 1 de agosto nesse país do sudeste da Ásia, duas morreram. Inicialmente, acreditava-se que essa doença afetaria apenas as aves, até que em 1997 foram registrados os primeiros casos em humanos, contagiados pelo contato com os animais infectados.

As aves expelem o vírus através dos excrementos, que uma vez secos e pulverizados, podem ser inalados pelas pessoas. Os sintomas são semelhantes aos de outros tipos de gripe: febre, mal-estar, dor de garganta e tosse, e, em alguns casos, conjuntivite. Existem 15 cepas do vírus, mas a única que infecta humanos é a H5N1, que, por sua vez, apresenta vários subtipos. Especialistas em saúde advertiram que se alguma cepa desenvolver a capacidade de transmissão entre pessoas, haverá uma pandemia mundial. No momento, as autoridades sanitárias vietnamitas decidiram reforçar a prevenção entre os trabalhadores das granjas, inclusive através da vacinação.

"A gripe aviária está espalhada no delta do rio Vermelho, no norte, e no delta do Mekong, ao sul", explicou à IPS o diretor do Centro de Saúde da Província de Tien Giang, Nguyen Thi Viet Nga. Esta, juntamente com Nam Dinh, foram as primeiras províncias a lançar um programa de vacinação. Mas a presença em Hanói e Ho Chi Minh de alimentos derivados de frangos, ovos e porcos procedentes de países recentemente afetados por focos da enfermidade gera grande preocupação nas autoridades, bem como a escassez de inspetores.

Mais de 140 milhões de aves foram sacrificadas na Tailândia, Indonésia, China e Vietnã em um esforço para conter a doença. Especialistas internacionais advertiram que a enfermidade já é endêmica na China e no Vietnã, onde a maioria das aves é criada em ambiente doméstico, o que dificulta o controle. Os matadouros ilegais são outro problema que precisa de atenção urgente. Bui Quang Anh, diretor do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, admitiu que os governos locais "sacrificaram apenas 10% de um total de dez milhões de frangos, patos e gansos afetados".

Entretanto, esclareceu que "desde o surgimento da epidemia, o Vietnã sempre informou de forma transparente à OMS". Além da vacinação de frangos e patos em Tien Gang e Nam Dinh, considerada um teste para futuros planos nacionais de imunização, as autoridades sanitárias desenvolveram um programa paralelo de educação pública que exorta a população a se abster de comer esses animais até 30 dias depois de vacinados. Além disso, os criadores de frango deverão registrar sistematicamente os sintomas dos animais em formulários especiais.

Enquanto isso, na capital está em curso um "mês de ação" para conter a epidemia. O risco de uma propagação maior da enfermidade é alto porque, como no interior, muitas famílias criam aves em casa e existem numerosos matadouros e pontos de venda clandestinos. Anton Rychener, principal representante da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), acredita que a propagação da doença está contida porque ainda é verão no hemisfério norte. "Devemos estar preparados para a estação fria, que começa em outubro", alertou. (IPS/Envolverde)

Tran Dinh Thanh Lam

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