Mineração: Tribos indianas têm pavor das explorações

Nova Délhi, 10/08/2005 – Enquanto autoridades e empresas da Índia recebem com avidez investimentos estrangeiros em projetos de mineração, as tribos que vivem sobre ricos depósitos de ferro, bauxita e cobre, no Estado de Orissa, observam com pavor o repentino início de obras em suas terras. "Têm boas razões para ter medo, porque sua experiência com as companhias de mineração é muito infeliz, e agora há investimentos de multinacionais em uma escala sem precedentes", afirmou o especialista em assuntos indígenas Walter Fernandes, diretor do Centro de Pesquisas Sociais do Nordeste, com sede em Guwahati, no Estado de Assam.

Embora as comunidades tribais constituam cerca de 9% da população da Índia, de mais de um bilhão, estima-se que 40% de todas as pessoas quer perderam suas terras por decreto pertençam a essas comunidades, disse Fernandes à IPS. Segundo o censo de 2001, a população tribal da Índia supera os 90 milhões e se concentra nos Estados do leste e centro do país. "Até agora, sofreram com a construção de grandes represas em seus territórios tradicionais, porém, ultimamente, com o resultado da liberalização econômica, empresas multinacionais e também nacionais olham com avidez suas terras ricas em minerais, nas quais viveram em paz por séculos", acrescentou o especialista.

Nos últimos tempos, as multinacionais deixaram comprar terras, especialmente em Orissa, governado pelo partido liberal de direita Janata Dal, do ministro-chefe Naveen Patnaik. No dia 22 de junho, a gigantesca empresa de aço sul-coreana Pohang Steel Company (Posco) assinou um memorando de entendimento com o governo estadual para construir uma fábrica de aço ao custo sem precedentes de US$ 13 bilhões. "Através deste projeto, esperamos contribuir significativamente para o rápido desenvolvimento econômico da Índia e acelerar o progresso realizado por este país para a condição de superpotência econômica", afirmou o presidente da Posco, Ku Taek Lee, na cerimônia de assinatura do documento, em Bhubaneshwar, capital de Orissa.

Sem dúvida, a promessa de rápido desenvolvimento econômico cala fundo na população do Estado, o mais subdesenvolvido da Índia, onde as mortes por fome e o trabalho escravo são fatos cotidianos. A Posco foi o último conglomerado de empresas a se instalar em Orissa. No último ano, o governo de Patnaik recebeu cerca de 35 propostas para construir fábricas de aço ou explorar minas, num total superior a US$ 25 bilhões. Entre os proponentes figuram a australiana BHP-Billiton, maior companhia de mineração do mundo, e a Vedanta Group da Índia, proprieade do "marajá do metal", Anil Agarwal. O conglomerado japonês Mtsui, que já possui concessões de mineração em Orissa através de uma filial indiana, tem planos para realizar novos investimentos no valor de US$ 3 bilhões no Estado.

Entretanto, Fernandes acredita que a exploração de mineral de ferro e a fabricação de aço são apenas uma cortina de fumaça, e que o que as multinacionais buscam de verdade são os vastos depósitos de cobre de Orissa. "Apenas estão abrindo brechas no mercado e comprovando qual é a proteção legal das terras tribais, garantida pela Constituição", afirmou. As leis vigentes reconhecem a propriedade individual, mas não a comunitária. Como a maioria das terras ricas em minerais de Orissa pertence a tribos, gozam de escassa proteção, disse Fernandes. Uma preocupação imediata para ativistas é que, enquanto milhões de indígenas esperam sua reabilitação após serem deslocados por projetos de desenvolvimento anteriores, estão sendo criados novos deslocados em Orissa.

O Conselho Assessor Nacional, um grupo de acadêmicos e trabalhadores voluntários que informa o governo, estimou que o número de membros de tribos deslocadas de suas terras por projetos de desenvolvimento, nos últimos 50 anos, supera um milhão, e que apenas 60% deles se beneficiaram com algum tipo de reabilitação. "É um fato conhecido que o deslocamento tem profundas conseqüências sociais e econômicas, para não mencionar os distúrbios e o extremismo em bolsões tribais. O planejamento econômico não pode ignorar estas conseqüências", advertiu o Conselho. A Organização das Nações Unidas celebrou, nesta terça-feira, o Dia Internacional dos Povos Indígenas, chamando a atenção da comunidade internacional para as disputas pela soberania de terras ancestrais. (IPS/Envolverde)

Ranjit Devraj

Regional editor Ranjit Devraj, based in Delhi, takes care of the journalistic production from the Asia and Pacific region. He handles a group of influential writers based in places like Bangkok, Rangoon, Tehran, Dubai, Karachi, Colombo, Melbourne, Beijing and Tokyo, among many others. He coordinates with the editor in chief and forms part of the IPS editorial team. Ranjit Devraj has been an IPS correspondent in India since 1997. Prior to that he was a special correspondent with the United News of India news agency. Assignments for UNI included development of the agency’s overseas operations, particularly in the Gulf region. Devraj counts two years in the trenches (1989-1990) covering the violent Gorkha autonomy movement in the Darjeeling Hills as most valuable in a career of varied journalistic experience.

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