Nuclear: Irã reinicia enriquecimento de urânio

Bruxelas, 09/08/2005 – O Irã reiniciou seu programa de enriquecimento de urânio, depois de rejeitar um pacote de alternativas propostas pela União Européia (UE) para que abandone seu programa de desenvolvimento nuclear. Porta-vozes de Teerã confirmaram que, nesta segunda-feira, foi determinada a reabertura do complexo nuclear da localidade de Isfahan, centro do país, dedicado à transformação do urânio, passo prévio para o enriquecimento. O grupo de países europeus que negociam com o Irã sobre questões nucleares, integrado por Alemanha, França e Grã-Bretanha, conhecido como UE-3, ainda não tornou públicas suas propostas.

Porém, os detalhes do plano europeu que vazaram implicam o reconhecimento do direito do Irã de produzir energia nuclear com fins civis, sob determinadas condições que o governo islâmico considera inaceitáveis. O UE-3 também propôs uma série de incentivos comerciais e garantias de que o Irã receberá da Europa e da Rússia o combustível nuclear necessário para alimentar suas centrais de energia, o que livraria o país do Golfo de enriquecer urânio. A proposta levaria à suspensão permanente por parte de Teerã do programa de enriquecimento de urânio, bem como da construção de um reator que, segundo os Estados Unidos, poderia ser usado para fabricar insumos de armas atômicas.

O porta-voz da chancelaria iraniana, Hamid Reza Asefi, criticou as ofertas do UE-3. "As propostas européias são inaceitáveis para a República Islâmica do Irã. Não dão nenhuma garantia aos interesses iranianos e são contrárias ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP)", disse Asefi. "As propostas são inaceitáveis por não incluírem o direito de o Irã enriquecer urânio", acrescentou. Teerã havia se negado, na semana passada, a estender a suspensão de suas atividades nucleares, estabelecida em novembro passado, e que venceu dia 31 de julho, em troca da apresentação, por parte do UE-3, de alternativas concretas para seu plano de desenvolvimento nuclear.

O UE-3 convocou para esta terça-feira uma reunião urgente de representantes dos países que integram a junta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para pressionar Teerã e advertir o governo iraniano de que poderiam ser solicitadas sanções junto ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. O Iraque explicou que as operações nucleares se reiniciaram somente nas áreas do complexo de Isfhan, que não estão seladas pela AIEA, e prometeu que permtirá a supervisão geral dos inspetores desse órgão. Teerã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos, mas os Estados Unidos insistem em dizer que o objetivo é construir armas de destruição em massa.

O governo de George W. Bush incluiu o Irã no chamado "eixo do mal", junto com Coréia do Norte e o regime do Iraque deposto em 2003. Segundo Bush, esses governos pretendem consolidar seu poderio militar através do desenvolvimento de armas de destruição em massa. Há dois anos, a UE e os Estados Unidos pressionam de diferentes formas o Irã para que abandone seu programa nuclear. Enquanto Washington adota uma postura agressiva, Bruxelas procura dialogar com líderes iraquianos. O governo Bush também pressiona para que o Conselho de Segurança da ONU sancione o Irã por violar o TNP. Entretanto, estes esforços são bloqueados por outros países, incluindo os integrantes do UE-3, que preferem persuadir Teerã para que voluntariamente abandone seus projetos atômicos. (IPS/Envolverde)

Stefania Bianchi

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