St. Georges, Granada, 10/02/2012 – Trinta anos depois que Grã-Bretanha e Argentina protagonizaram uma guerra pelas Ilhas Malvinas, as tensões ressurgem. Entretanto, ao contrário de 1982, desta vez o principal ponto de controvérsia se encontra no petróleo, afirmam legisladores desse disputado território. Quatro empresas britânicas anunciaram planos de busca por petróleo em torno das Malvinas, que ficam a 480 quilômetros da costa continental argentina. Estas empresas suspeitam que sob este arquipélago do sul do Oceano Atlântico existem reservas de óleo que mais do que triplicam as da Grã-Bretanha.
As Ilhas Malvinas, ocupadas pelos britânicos desde 1833, foram invadidas militarmente em 2 de abril de 1982 por decisão do último governo da ditadura argentina (1976-1983), paÃs que reclama historicamente soberania sobre o arquipélago. A guerra durou até 10 de junho, quando as forças da Argentina se renderam diante do poderio bélico e tecnológico das tropas da Grã-Bretanha. "Tristemente, neste momento a Argentina torna a vida muito difÃcil, provavelmente porque estamos explorando em busca de petróleo em águas em volta das ilhas", disse Roger Edwards, presidente da Assembleia Legislativa das Falkland Islands, segundo a denominação britânica. Edwards, que esteve em Granada no começo de uma visita a várias ilhas do Caribe de lÃngua inglesa, declarou à IPS que a Argentina "praticamente submete as ilhas a um bloqueio econômico. Ameaçam interceptar navios que comercializam com as Ilhas".
Edwards acrescentou que Buenos Aires também procura fazer com que cada vez mais paÃses se alinhem com sua posição, para ampliar a proibição de entrada em portos da região dos navios com bandeira das Falklands Islands. Seu comentário se refere à decisão nesse sentido adotada em dezembro pelo Mercosul, integrado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai, e a Venezuela em processo de adesão plena.
Também afirmou que "a Argentina quer dominá-los e colonizá-los. Não cremos que isto seja certo, mas tampouco queremos que a Grã-Bretanha determine nosso futuro. Realmente queremos nós mesmos determinar nosso futuro". No entanto, Edwards não conseguiu todo apoio em sua viagem. Além de Granada, onde a delegação foi "bem recebida", segundo disse, no restante da região caribenha de lÃngua inglesa há dúvidas e posições ambivalentes.
Santa LucÃa, por exemplo, à qual foi concedido o status de "membro especial" da Alba, apoia o direito dos malvinenses à sua autodeterminação desde 1985, três anos após o fim do conflito entre Argentina e Grã-Bretanha. Porém, esse apoio fica sob exame enquanto esta ilha se prepara para integrar a Alba. San Vicente e Granadinas, que é membro pleno da Alba, já disse que seu apoio a uma resolução do bloco de proibir a entrada em seus portos de barcos com bandeira das Falkland Islands é "simbólico".
Ao regressar de Caracas, o primeiro-ministro da ilha, Ralph Gonsalves, disse no dia 8 aos jornalistas que a cúpula da Alba agregou apenas um parágrafo a uma resolução adotada em dezembro pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Recordou que a Celac havia dito que "apoiava a causa dos argentinos em princÃpio, mas que mais particularmente pedia que o assunto se resolvesse dentro do contexto do debate que acontece sobre a soberania destas ilhas mediante os mecanismos da ONU".
"E isso é basicamente o que se reformula com esta declaração: a adição real foi o parágrafo que diz "apoiar a decisão dos paÃses da região de proibir que embarcações com a bandeira colonial imposta à s Malvinas entrem em seus portos", acrescentou, lembrando que este gesto é "simbólico", pois em San Vicente e Granadinas não chegam navios das Malvinas. O governo de Antiga e Barbuda também manifestou que apoiaria "uma solução pacÃfica e definitiva" para a disputa, e se afastou de todo bloqueio de navios procedentes do arquipélago das Malvinas. Envolverde/IPS

