Washington, 01/09/2005 – Pelas importações maciças feitas pela China e Índia, a Ásia passou o Oriente Médio como o mercado em desenvolvimento mais promissor para os fabricantes de armas convencionais, segundo o Serviço de Investigações do Congresso dos Estados Unidos. A Ásia concentra quase 50% dos acordos de venda de armas para região do Sul em desenvolvimento assinados entre 2001 e 2004 medidos por seu valor, de acordo com o estudo. A Índia liderou a lista de nações no ano passado, ao assinar acordos no valor de US$ 5,7 bilhões. De todo modo, o Oriente Médio continua sendo o principal comprador, com mais da metade das aquisições mundiais efetivamente concretizadas. Ao mesmo tempo, o relatório indica que os Estados Unidos e a Rússia continuam dominando o mercado de fornecedores de armas convencionais para o Sul em desenvolvimento por uma grande margem.
Empresas de armamento norte-americanas assinaram no ano passado acordos de venda por quase US$ 7 bilhões, e os fabricantes russos por US$ 6 bilhões. Isso soma quase 60% dos US$ 21,8 bilhões comprados por países em desenvolvimento em armas em 2004. A Grã-Bretanha ficou em terceiro lugar na lista de vendedores, enquanto Israel, pela primeira vez, se colocou entre os cinco primeiros, com acordos no valor de US$ 1,2 bilhão. Quanto ás vendas concretizadas no ano passado, os Estados Unidos dominaram o mercado com quase US$ 18,6 bilhões, 53,4% de todas as vendas para países em desenvolvimento, muito acima da Rússia, segunda colocada com US$ 4,6 bilhões, e da França, com US$ 4,4 bilhões.
O informe, intitulado "Transferências de armas convencionais a nações em desenvolvimento, 1997-2004", é elaborado todos os anos pelo especialista Richard Grimmet, do Serviço de Investigações do Congresso. O estudo é considerado uma das fontes mais autorizadas sobre comércio de armas, pois se baseia na informação classificada e em dados públicos. No ano passado, foram assinados acordos de transferência de armamentos no valor de US$ 22 bilhões, um grande aumento em relação a 2003, quando os acordos chegaram a US$ 15,1 bilhões. As operações concretizadas, como os acordos, foram as maiores desde 2000.
As armas convencionais dos países em desenvolvimento representam entre 55% 72% de todo o comércio mundial do setor. Entre 2001 e 2004, o Sul recebeu 57,3% de todas as transferências, segundo o relatório. Nesse período, também concentrou 53,2% de todas as compras de armas globais. O Oriente Médio historicamente tem sido o principal mercado de armas do mundo em desenvolvimento, com 49,2% do valor de todos os acordos de transferência entre 1997 e 2000. Porém, a Ásia assumiu a dianteira no período 2001-2004, com acordos no valor de US$ 35 bilhões, de acordo com o informe. A mudança é atribuída, em parte, à redução gradual das compras por parte da Arábia Saudita e outros países da região depois da guerra do Golfo de 1991.
De qualquer maneira, a Arábia Saudita ficou em segundo lugar, atrás da Índia, entre os países em desenvolvimento compradores, com US$ 2,9 bilhões em acordos assinados no ano passado. A China foi a terceira compradora, com US$ 2,2 bilhões, seguida de Egito, Omã, e Israel. No período 1997-2004, a Índia também esteve à frente, com US$ 15,7 bilhões em acordos, seguida da China (US$ 15,3 bilhões), dos Emirados Árabes Unidos (US$ 15 bilhões), do Egito (US$ 12,8 bilhões), da Arábia Saudita (US$ 10,5 bilhões), de Israel (US$ 9,8 bilhões) e da Coréia do Sul (US$ 8,2 bilhões). Entretanto, essa estatística esconde o surgimento da China como grande compradora de armas, principalmente da Rússia, nos últimos três anos. No sétimo lugar no período 1997-2004, em que os Emirados e a Índia encabeçaram a lista, a China saltou para os lugares privilegiados no período 2001-2004, ao comprar US$ 10,4 bilhões em armas, a maior parte procedente da Rússia.
De fato, a fatia russa do mercado de armas da Ásia é mais do que o dobro da porção norte-americana, e parece estar em crescimento. Em 2001-2004, os Estados Unidos concentraram quase dois terços dos acordos para vendas de armas ao Oriente Médio, mas apenas 21% deles tinham por destino a Ásia. Por sua vez, a Rússia vendeu 48,1% de todas as armas convencionais compradas na Ásia nesse período, 37% mais do que no ano anterior. Moscou realizou "importantes esforços nos últimos anos para dar opções de pagamento e financiamento mais flexíveis e criativas aos seus potenciais clientes", explicou Grimmet. Os fabricantes russos parecem concentrar sua atenção na Ásia, onde teve "certo êxito ao assegurar acordos para venda de armas com Malásia, Vietnã e Indonésia", acrescentou o especialista.
Apesar das operações concretizadas, o Oriente Médio ainda é o maior comprador de armas. No período 1997-2000, representou 56,1% das compras das nações em desenvolvimento. Entre 2001 e 2004, as compras caíram 51,8%. Entre esses dois períodos, as compras asiáticas aumentaram de 36,8 para 39,6%. Os avanços de Israel como vendedor são atribuídos por Grimmet a uma única operação: a compra por parte a Índia de um sistema de radar aerotransportado Phalcon. No entanto, Israel prometeu aos Estados Unidos suspender as vendas de equipamento militar de alta tecnologia passível de uso bélico para a China, país para o qual vendeu grande quantidade de armas na década passada. (IPS/Envolverde)

