NAIROBI, 03/04/2012 – Ruth Muriuki chega ao mercado de Gakoromone em Meru, na ProvÃncia Oriental do Quénia, numa carrinha cheia de tomates e repolhos, apesar da escassez de precipitação na zona, graças à tecnologia de produção em estufas que usa na sua exploração agrÃcola "“ e aos microempréstimos. "Um pacote com dez tomates que custava 40 xelins (50 cêntimos) há três meses custa agora o dobro. Mas não temos outra opção," disse David Njogu, comerciante de legumes no mercado ao ar livre. Muriuki está a vender um grande repolho por um dólar e meio, quando há três meses esse mesmo legume custava 50 cêntimos. Uma verificação pontual no paÃs mostra que os preços dos produtos hortÃcolas dispararam nos últimos três meses depois das fracas chuvas, que estavam previstas para Outubro e Dezembro do ano passado. Contudo, os agricultores que usam a tecnologia de produção em estufas não precisam da chuva para os seus produtos agrÃcolas. Nas estufas, geralmente construÃdas de vidro ou de telhado de plástico transparente, a temperatura e a humidade podem ser controladas, permitindo aos agricultores cultivarem os seus produtos todo o ano. Tal como Muriuki, Sarah Chebet, que vive nos montes de Nandi, na ProvÃncia do Vale de Rift, descreve a sua experiência com a agricultura de estufa nos últimos dois anos como "um sonho que se tornou realidade." "Comprei a minha estufa com o crédito oferecido por uma instituição de microfinanciamento local. Nos últimos dois anos, com este projecto, consegui comprar uma máquina de moagem de milho, montei uma loja de venda a retalho, comprei duas vacas leiteiras e 400 quilos de milho, que tenciono vender quando os preços subirem," afirmou esta mulher de 28 anos, mãe de um filho. Com uma única estufa, ela apanha em média quatro caixotes de tomates por colheita semanal, o que lhe rende cerca de 100 dólares por semana. Os montes de Nandi são uma das regiões secas do paÃs, onde a pluviosidade não está garantida durante todo o ano. "O nosso filho ainda é jovem e é por isso que estamos a investir em negócios, para que eu possa estabilizar o meu nÃvel de rendimentos antes de ele entrar na escola," explicou Chebet. O marido é responsável por outros projectos agrÃcolas no seu terreno de cinco acres. Segundo Silas Tuwei, Funcionário Responsável pelo Projecto Integrado da Amiran Quénia Ltd, a companhia vendeu mais de 2.300 estufas em todo o paÃs nos últimos dois anos. "A maioria foi adquirida através de instituições de mirofinanciamento, tendo como alvo as mulheres, os jovens e as instituições de ensino," contou. "Em média, quase metade das estufas pertence a mulheres." Amiran é uma das maiores companhias hortÃcolas no Quénia, sendo especializada na construção de estufas como parte do seu negócio. No entanto, outros agricultores dependem de construtores individuais que sabem construir estas estufas. "Para conseguirmos aingir o maior número de agricultores possÃvel, assinámos um acordo com três instituições financeiras, o Fundo Fiduciário das Mulheres Quenianas, o Equity Bank, e o Banco Cooperativo do Quénia," disse Tuwei. Ao mesmo tempo, a CIC Insurance Company tem agora uma apólice de seguros que cobre a componente dos equipamentos das estufas construÃdas de forma profissional no Quénia, para o caso de incêndio, de serem levadas por fortes ventos ou destruÃdas por qualquer outro desastre natural. "Descobri que a agricultura de estufa e a agricultura geral através de irrigação é o caminho a seguir porque, para mim, a agricultura dependente das chuvas fracassou muitas vezes, especialmente no passado recente. As chuvas já não são fiáveis," disse Muriuki, uma mulher de 64 anos com sete filhos.
Recorda-se que, na área de Meru, "as chuvas chegavam sempre a 15 de Março todos os anos. Não havia dúvidas sobre isto. Mas nos últimos anos a situação mudou. Não há garantias que vai chover a 15 de Março, como acontecia quando era jovem."
Mas em menos de um acre de terra na aldeia de Karimagachiije, a 15 quilómetros da cidade de Meru, Muriuki consegue produzir pelo menos uma tonelada de legumes todas as semanas através da agricultura de estufa.
Vende os seus produtos em mercados diferentes no leste e no centro do Quénia, ganhando o suficiente para pagar as propinas universitárias das duas filhas mais novas, que estudam em diferentes universidades do paÃs. "Foi a minha primeira oportunidade de pagar as propinas. Antes de iniciar este projecto, as propinas eram exclusivamente a responsabilidade do meu marido," explicou.
Porém, tal como Chebet, não estava em condições de obter a quantia necessária para montar o projecto de horticultura.
"Há três anos, contactei com o Fundo Fiduciário das Mulheres Quenianas, a quem pedi emprestado um capital de 300.000 xelins (3.750 dólares) para o meu projecto agrÃcola," disse Muriuki.
O Fundo é especificamente dedicado à autonomização das raparigas e mulheres quenianas através de linhas de crédito. Na sua maioria, os empréstimos são entregues através de grupos de auto-ajuda, em que as quotas dos membros do grupo são usadas como caução para empréstimos pedidos por qualquer dos membros, porque muitas mulheres pobres não possuem propriedade que possam utilizar como garantia.
Até agora, esta instituição de microfinanciamento financiou perto de 500.000 mulheres quenianas com baixos rendimentos para dirigirem diferentes negócios em pequena escala não limitados à agroindústria.
"Na minha estufa, uso o sistema de irrigação por gotejamento, em que a água é libertada através de canos enterrados estrategicamente no solo com uma abertura na base de cada planta. Isto maximiza o uso da pouca água que existe, porque o sistema de irrigação por gotejamento não permite o escoamento ou uma percolação profunda," explicou Muriuki. No Quénia, o custo médio de construção de uma estufa varia entre os 1.250 e os 3.125 dólares, dependendo do local onde se compra os materiais, da qualidade destes últimos e do tamanho da estrutura.
"Durante toda a minha vida não consegui angariar os fundos necessários para estabelecer um projecto como este. Mas graças à s instituições de microfinanciamento, que defendem os interesses das mulheres, tornei-me uma empresária independente na velhice," afirmou Muriuki.

