Portugal: União Européia trouxe riqueza só para alguns

Lisboa, 14/11/2005 – Quase duas décadas depois de ter entrado para o clube dos ricos da União Européia, a pobreza e a exclusão social continuam afetando boa parte da população de Portugal. Contrariando as expectativas de 1986, quando este país ingressou na ainda chamada Comunidade Econômica Européia, a brecha social se acentuou e atualmente "os ricos são mais ricos e os pobres são mais pobres", denunciou João Fernandes, presidente do conselho executivo da organização não-governamental Oikos-Cooperação e Desenvolvimento. Os números apresentados pela Oikos, mais características dos países em desenvolvimento do que do Norte industrializado, indicam que as cem maiores fortunas lusitanas representam 17% do produto interno bruto do país.
Continue Reading

População: Um muro dentro da fortaleza

Lisboa, 09/11/2005 – Se a União Européia insistir em se converter em uma fortaleza inexpugnável para os estrangeiros, dificilmente poderá vislumbrar um futuro promissor. Assim afirmam tantos os especialistas em migrações e integração quanto as cifras de natalidade. Mas como se está demonstrando nestes dias de violentos protestos na França, sem uma política de integração de nada serve promover uma estratégia de imigração. Para a analista portuguesa Teresa de Sousa, esta política "deve adaptar-se à nova realidade do mundo e não à mesma de sempre, que há muitos anos leva a UE a fixar em cerca de zero as cotas de imigração legal e a combater por todos os meios, até os inadmissíveis, a imigração clandestina".
Continue Reading

Cúpula Luso-Brasileira: A economia domina a cúpula

Porto, Portugal, 14/10/2005 – A terminologia se repete ano após ano, e a VIII Cúpula Luso-Brasileira não foi exceção. Os governantes dos dois "países irmãos", de língua e grande parte de história comuns, se reuniram novamente para aprofundar suas relações, especialmente na área econômica. Reunidos nesta quinta-feira, na cidade do Porto, a segunda em importância do país e localizada 330 quilômetros ao norte de Lisboa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, acordaram objetivos e protocolos que relacionam a maior economia da América Latina com uma que está entre as de mais modesto desenvolvimento da União Européia (UE). Entre os acordos assinados, tal como em anos anteriores, se destacam os da área econômica.
Continue Reading

União Européia: Direita dividida entre o Islã e a ampliação

Lisboa, 27/09/2005 – Quatro dias não foram suficientes para a direita da União Européia chegar a um acordo, dividida sobre a futura dimensão da comunidade e, mais ainda, a respeito de suas relações com o mundo muçulmano. Para o moderado conservador britânico Chris Patten, ex-comissário europeu de Relações Exteriores (2000-2004) e ex-governador de Hong Kong, "o grande desafio é reconciliar o Oriente com o Ocidente", opinião desconsiderada pelo ex-primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar (1994-2004), que respondeu: "Não necessito reconciliar-me com ninguém".
Continue Reading

Portugal: Heróis de ontem reclamam tratamento digno

Lisboa, 26/09/2005 – Foram aclamados como heróis em 1974 ao protagonizarem algo inédito no mundo: um golpe de Estado para consagrar a democracia e estender assim o certificado de morte do deteriorado império português. Agora, os militares protestam nas ruas por seus direitos. Passadas três décadas, os militares lusitanos se sentem maltratados pelo sistema democrático por eles instaurado e tutelado durante sua primeira década de existência. Dez anos depois do levante que depôs a ditadura corporativista (1926-1974) de Antonio de Oliveira Salazar-Marcello Caetano, foi dissolvido o chamado Conselho da Revolução do Movimento das Forças Armadas (MFA) e desde então a condição militar foi gradualmente se degradando.
Continue Reading

Saúde: Desesperada guerra contra o cólera

Lisboa, 19/08/2005 – Quase um ano depois do último conflito armado em Guiné-Bissau, esse país da África ocidental está prestes a esgotar suas reservas de soro e antibióticos, por causa de uma epidemia de cólera, que já matou 112 pessoas e infectou outras 6.420, cujas vidas correm risco. Portugal e França foram os primeiros países a enviar ajuda para o relativamente barato tratamento da doença. Um litro de soro custa pouco mais de um dólar, e 3,5 litros podem evitar a morte por desidratação. Essa pequena ex-colônia portuguesa, de 36.125 quilômetros quadrados e 1,2 milhão de habitantes, desde sua independência, em 1974, não conseguiu sair da lista dos 24 países mais pobres do mundo, com um produto interno bruto por habitante de US$ 216 ao ano.
Continue Reading

Ambiente: O sul mais ardente da Europa é português

Lisboa, 12/08/2005 – Quando o sul da Europa arde no verão, a fatura maior é paga por Portugal, onde as áreas verdes queimadas superaram em 24 vezes as da França, quatro as da Espanha e triplicam as da Grécia e Itália. Esta alarmante conclusão consta de um relatório da União Européia, divulgado na quarta-feira, na sede comunitária de Bruxelas, que analisa, em especial, o caso de Portugal, o único país do sul deste continente que nos últimos 25 anos aumentou a média anual de florestas consumidas pelo fogo. Os números divulgados pela Comissão da UE mostram que de janeiro até 31 de julho, 60% das florestas que queimaram nesses cinco países do sul da Europa ficavam em território português.
Continue Reading

Ambiente: Florestas de luto em Portugal

Lisboa, 29/07/2005 – Ao retrato de um campo sem água que enfrenta a pior seca em três séculos, agora se unem dados que colocam de joelhos o Portugal verde: nos últimos cinco anos quase 25% da área florestal do país foram queimadas. A Direção Geral Florestal (DGF) assegurou nesta quinta-feira que neste período o fogo consumiu 820 mil hectares de florestas dos 3,4 milhões de hectares que compõem a área florestal total deste país da Europa meridional de 89 mil quilômetros quadrados de território. Mais da metade dessa mata foi reduzida a cinzas nos trágicos meses de julho e agosto de 2003, quando queimaram 424 mil hectares, nos que foram catalogados como os piores incêndios do continente europeu nos últimos 50 anos.
Continue Reading

População: Portugal reconhece seus filhos naturais

Lisboa, 15/07/2005 – Brasileiros que conhecem seu País apenas pela televisão e por relatos de seus pais. Africanos que nunca viveram nem visitaram a África. São os (mal) chamados "imigrantes de segunda e terceira geração". Nasceram e se criaram em Portugal, mas permanecem estrangeiros. São, sobretudo, filhos e netos de trabalhadores de língua portuguesa como Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, aos quais nos últimos anos somaram-se imigrantes da Ucrânia e Moldávia. Portugal é o único país que conhecem, mas são estrangeiros na terra que os viu nascer, contradizendo a premissa histórica do governador do império português do Oriente no século XVI, dom Afonso de Albuquerque: "A mestiçagem é o dicionário privilegiado de nossa cultura".
Continue Reading

Portugal: Retomando a emigração

Lisboa, 07/07/2005 – Com ou sem acordo com a União Européia, os produtos têxteis da China e da Índia invadem Portugal, ao mesmo tempo em que companhias multinacionais da indústria deixam este país com destino à Romênia, Bulgária ou Marrocos para aumentar sues lucros. Este coquetel estimula novamente a emigração. A sombria situação econômica em gestação, especialmente no norte do país, faz com que muitos portugueses tenham de partir para o exterior, uma opção praticamente abandonada há três décadas. Nos vales de Ave e Cavado, o coração da indústria têxtil portuguesa, uma média de 88 pessoas por dia anuncia sua renúncia ao auxílio-desemprego porque se preparam para partir.
Continue Reading