Clima: O Japão dá o nome, mas não o exemplo

Tóquio, 16/02/2005 – O Protocolo de Kyoto contra a mudança climática, que entra em vigor nesta quarta-feira, é o único tratado internacional com nome japonês. Porém, o Japão não considera isso uma honra, a julgar por seus magros avanços para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa. "O Japão tem muito que fazer para cumprir seus objetivos de redução e de deter a alteração do clima. O governo deve demonstrar maior liderança", afirmou Massaki Najakima, um ativista da organização Greenpeace contra o aquecimento do planeta. O protocolo estabelece que os países industrializados devem reduzir, em média, 5,2% as suas emissões de gases que causam o efeito estufam (dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, entre outros) em relação ao volume emitido em 1990, meta que deve ser cumprida entre 2008 e 2012.

O Japão, a segunda maior economia mundial, se comprometeu a reduzir suas emissões em 6%, mas, até agora, as aumentou em 8%. O país está entre os 141 que assinaram o tratado em 1997 e entre os 127 que o ratificaram. A União Européia foi um dos atores do Norte industrial que mais apoiou a vigência do Protocolo de Kyoto. Os Estados Unidos (o maior produtor de gases causadores do efeito estufa, com 25% do total mundial) retiraram sua assinatura do tratado em 2001, e a Austrália não o ratificou. A ratificação do documento em novembro pela Rússia, que emite 17,4% do total mundial desses gases, permitiu a entrada em vigor do protocolo, pois era necessário o apoio de países que emitissem mais de 55% dos gases em 1990.

Desde a Revolução Industrial, vem se acumulando na atmosfera altas concentrações de gases como o dióxido de carbono e o metano, resultantes da queima de combustíveis fósseis, que prendem o calor e provocam o efeito estufa. A mudança climática resultante pode provocar o aumento do nível do mar e a destruição de numerosos ecossistemas, alertam especialistas. Líderes de todo o mundo discutiram por vários anos um acordo para reduzir as emissões que causam o efeito estufa, até que em 1997 assinaram o Protocolo de Kyoto.

Nessa conferência, Tóquio prometeu reduzir suas emissões em 6% em relação à de 1990. Entretanto, desde esse ano suas emissões aumentaram 8%, segundo o Ministério do Meio Ambiente, e 12,1%, segundo a Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática. O governo japonês argumenta que a diferença se deve a critérios distintos de cálculo. Apesar de tudo, os ativistas festejam a entrada em vigor do Protocolo de Kyoto. Yurika Ayukawa, diretora de políticas de alteração do clima do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) no Japão, disse que Tóquio agora deverá cumprir seus compromissos ou enfrentar as conseqüências, após anos de vacilações. "Há esperanças de progresso no Japão. A partir deste dia 16, as autoridades se darão conta de que não têm saída", disse à IPS.

Se o Japão não cumprir seu objetivo, como sanção deverá ter um adicional de 30% na redução de suas emissões que constam do compromisso original. Uma tendência alarmante nesse país é o aumento dos gases emitidos no âmbito doméstico (15% do total). O setor industrial responde por 40% das emissões, quantia que se mantém estável através dos anos. O Ministério do Comércio admitiu que a recente recuperação econômica depois de uma década de lento crescimento provocou um aumento da demanda e da produção, e isto causou dificuldades a muitas indústrias pesadas, em especial as do aço e da energia, para cumprirem seus próprios compromissos de redução. Segundo Nakajima, as indústrias estão ansiosas para cumprirem sua parte através do uso de tecnologias eficientes, mas, os consumidores têm grande parte de responsabilidade pelo aumento das emissões.

"O aumento da demanda de produtos em cada residência se contrapôs aos avanços", observou a ativista do Greenpeace. Outros apontam a escassa consciência dos consumidores sobre o aumento das emissões e a falta de apoio governamental às tecnologias alternativas. Yodobashi Câmera, uma das principais redes de venda de eletrodomésticos, disse que sua campanha para promover os refrigeradores que economizam energia não teve êxito. Segundo o vendedor Katsuyuko Terashima, os consumidores não se interessam por esses produtos, embora sejam oferecidas vantagens que podem se traduzir em descontos para a compra de outros artigos. "Os eletrodomésticos que economizam energia custam 20% mais do que os outros, mas, a tendência é comprar os mais baratos", disse à IPS. (IPS/Envolverde)

Suvendrini Kakuchi

Suvendrini Kakuchi is a Sri Lankan journalist based in Japan and covering Japan-Asia relations for more than two decades. Her focus is building understanding and respect between diverse populations in Asia based on equality and collaboration.

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