Zimbábue: Oposição em busca de fundos

Bulawayo, Zimbábue, 25/02/2005 – O financiamento das campanhas eleitorais sempre está na mente de candidatos e cidadãos às vésperas de eleições, e o Zimbábue, que atravessa uma grave crise política e econômica, não é a exceção. Em meio à preocupação por uma reiterada violência eleitoral de 2000-2002, o opositor Movimento Pela Mudança Democrática (MDC) enfrenta o desafio de financiar sua campanha em um país que registra uma das maiores taxas de inflação e desemprego do mundo. O país vai realizar eleições parlamentares dentro de seis semanas.

As duas eleições anteriores, parlamentar e presidencial, de 2000 e 2002, respectivamente, se caracterizaram pela violência, principalmente contra a oposição. Além disso, o governante Zanu-PF foi acusado de monopolizar os meios estatais de imprensa e fraudar as eleições para garantir sua vitória diante do MDC, seu principal rival. Inicialmente, o MDC anunciou que boicotaria as próximas eleições, mas, mudou de opinião este mês. Seu porta-voz, Paul Themba Nyathi, se queixou de que as doações locais diminuíram sob o peso das dificuldades econômicas.

"Sem importar quanto possa arrecadar com seus amigos, a oposição nunca poderá igualar o partido do governo, porque este tem acesso a recursos dos quais pode abusar", disse o analista político Lovemore Madhuku, o MDC atende aos requisitos para receber fundos do governo por ter obtido quase a metade das cadeiras disputadas na última eleição parlamentar. Entretanto, funcionários do partido disseram que o dinheiro não é suficiente. No ano passado, o partido de oposição recebeu do governo cerca de US$ 55 mil, enquanto somente com salários teve despesa de US$ 18 mil, destacou o secretário-geral Wlshman Ncube.

Em uma medida quer surpreendeu a muitos, o governo anunciou que este ano desembolsará cerca de US$ 560 mil para o MDZ e quase US$ 600 mil para o Zanu-PF. Eddie Cross, assessor econômico do MDC, comemorou o anúncio. Entretanto, "somente o deslocamento de nossos agentes eleitorais nos milhares de centros de votação nos custará mais do que o total da subvenção estatal em um único dia", ressaltou. O tempo no rádio e na televisão custará aos partidos US$ 700 o minuto no horário de maior audiência. Por sua vez, o governo acusa o MDC de receber fundos dos governos da Grã-Bretanha, ex-colonizadora do Zimbábue, e dos Estados Unidos.

Tanto o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, quanto o presidente norte-americano George W. Bush, se transformaram nos alvos principais da ira de Harare depois de condenarem a controvertida reforma agrária do Zimbábue, supostamente dirigida a corrigir desequilíbrios raciais quanto à propriedade da terra, e as violações dos direitos humanos. As queixas do governo de Robert Mugabe poderiam aumentar devido ao lançamento, este mês, de uma campanha de "indivíduos preocupados" que procuram arrecadar fundos, dentro e fora do Zimbábue, para o que chamam "apoio ao processo democrático". O pedido, enviado através de correio eletrônico, contém o número de uma conta bancária na vizinha África do Sul onde as doações podem ser depositadas.

Os doadores do Zimbábue podem enviar cheques e ordens de pagamento para um endereço postal em nome de ZIMFUND. Além de dinheiro, os organizadores desta iniciativa pedem 2.400 veículos e motoristas para transportar observadores partidários aos centros de votação no dia da eleição. "Trinta dólares enchem o tanque de um veículo, e 50 mil rands (equivalentes a US$ 8.700) financiam a campanha em um distrito", diz o pedido. Por outro lado, a liberdade de expressão brilha por sua ausência. Quatro jornalistas que trabalhavam para órgãos da imprensa estrangeira fugiram do Zimbábue nos últimos dias, depois que a polícia secreta os acusou de espionagem e difamação contra o governo. (IPS/Envolverde)

Wilson Johwa

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